Na oração do Angelus, Leão XIV voltou a falar de sua preocupação com a escalada de violência no Oriente Médio e pede aos responsáveis pelo conflito: ‘Façam um cessar-fogo! Que sejam reabertas as vias do diálogo!’

“Hoje, em particular, face às inúmeras questões que o coração humano se coloca e às dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade”.
Assim disse o Papa Leão XIV, no domingo, 15, na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, rezada com milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.
Leão XVI ateve-se ao Evangelho do IV Domingo da Quaresma (cf. Jo,1-41), que narra a cura de um homem cego de nascença. Por meio da simbologia deste episódio, explicou, o evangelista João fala-nos do mistério da salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida.
‘EU SOU A LUZ DO MUNDO’
Os profetas tinham anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos. O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que ‘os cegos veem’; e apresenta-se dizendo: ‘Eu sou a luz do mundo’. Realmente, prosseguiu o Papa, todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus encarnou-se em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós próprios, aos outros e a Deus na verdade.
Chama a atenção, observou o Pontífice, que se tenha difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, ressaltou, o Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego curado: ‘Como foi que os teus olhos se abriram?’; e ainda: ‘Como é que te pôs a ver?’.
ABRIR OS OLHOS PARA OS SOFRIMENTOS DOS OUTROS
‘Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo “de olhos abertos”. A fé não é um ato cego, uma renúncia à razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz desviar o olhar do mundo”, disse o Papa.
Em vez disso, a fé ajuda-nos a olhar ‘a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver’ e, por isso, pede-nos que ‘abramos os olhos’, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.
“Peçamos à Virgem Maria que interceda por nós, a fim de que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar testemunho Dele com simplicidade e coragem”, concluiu o Papa.

PREOCUPAÇÃO COM O ORIENTE MÉDIO
Após a oração do Angelus, o Pontífice recordou que há duas semanas “os povos do Médio Oriente sofrem a atroz violência da guerra. Milhares de pessoas inocentes foram mortas e muitas outras foram obrigadas a abandonar as suas casas”.
“Reitero a minha proximidade, através da oração, a todos aqueles que perderam os seus entes queridos nos ataques que atingiram escolas, hospitais e zonas habitadas”, afirmou.
O Pontífice disse ainda que a situação do Líbano é especialmente preocupante: “Espero que se encontrem caminhos de diálogo que possam apoiar as autoridades do país na implementação de soluções duradouras para a grave crise em curso, em prol do bem comum de todos os libaneses”
“Em nome dos cristãos do Médio Oriente e de todas as mulheres e homens de boa vontade, dirijo-me aos responsáveis por este conflito: façam um cessar-fogo! Que sejam reabertas as vias do diálogo! A violência nunca poderá conduzir à justiça, à estabilidade e à paz que os povos esperam”, afirmou.
Fonte: Vatican News





