
“Fecha-se esta Porta Santa, mas não se fecha a porta da sua misericórdia, porque sustentas sempre aqueles que hesitam, levantas quem está caído, abres a tua mão e preenches de benefícios quem em ti confia”, rezou o Papa Leão XIV na cerimônia de encerramento do Jubileu de 2025, o Jubileu da Esperança, que foi aberto no Natal de 2024 pelo Papa Francisco.
Na Basílica de São Pedro, o Papa Leão cerrou a última porta santa ainda aberta no Ano Jubilar – outras, fechadas na semana anterior por cardeais, eram as das basílicas papais de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros, todas em Roma. Neste jubileu, o Papa Francisco também quis abrir uma porta santa em uma prisão italiana, gesto para mostrar que “a esperança não desilude” (Rm 5,5).

A porta é um símbolo de passagem e renovação: a frase de Cristo “Eu sou a porta” vem do Evangelho segundo São João (10,9). Quando Jesus se define dessa forma, significa que Ele é o único caminho para a salvação e a vida plena. O Jubileu, historicamente, é um ano em que os fiéis são convidados a viver com maior profundidade essa proximidade com Cristo, em espírito de peregrinação, caridade e penitência.
“Te bendizemos, Deus misericordioso, em nossos lábios está sempre o seu louvor, e te aclamamos, porque verdadeira é a sua palavra, fiel toda a sua obra, do teu amor está cheia a Terra”, disse Leão XIV, em oração, clamando a Deus a possibilidade que cada cristão possa “bater à porta” do céu, na vida eterna.

Igreja em caminho
A celebração da Solenidade da Epifania do Senhor, que, em 6 de janeiro é feriado nacional na Itália e no Vaticano, remete à revelação do Menino Jesus – ou “manifestação”, significado da palavra “epifania” – logo após seu nascimento, como Deus e Salvador.
“Este é o início da esperança: quando Deus se revela, nada pode ficar parado”, afirmou o Papa Leão XIV, referindo-se ao longo caminho dos Reis Magos, que foram ao encontro de Cristo, seguindo uma grande estrela, quando sentiram a presença do Menino-Deus.
Em sua fala, o Papa associou a longa jornada dos Reis Magos àquelas das multidões de peregrinos que foram a Roma e a outros santuários jubilares ao longo do ano. “Milhões deles cruzaram a porta da Igreja. O que encontraram? Que corações, que atenção, que correspondência?”, refletiu, abrindo espaço para uma autoavaliação dos membros da própria Igreja.

Se muitos buscam o encontro com Deus na Igreja, é preciso que encontrem comunidades acolhedoras, abertas e atraentes, exortou o Santo Padre. “Somos vidas em movimento. O Evangelho compromete a Igreja a não temer esse dinamismo, mas a apreciá-lo e orientá-lo para o Deus que o suscita”, observou, dizendo que Deus não nos quer parados, mas sempre em movimento. “Perguntemo-nos: há vida na nossa Igreja? Há espaço para o que nasce? Amamos e anunciamos um Deus que nos coloca novamente no caminho?”
É muito importante, acrescentou o Papa, que “quem entra pela porta da Igreja sinta que o Messias acaba de nascer ali, que ali se reúne uma comunidade onde surgiu a esperança, que ali está em curso uma história de vida”.

Contra os ‘Herodes’ de hoje
Nesse caminho que se faz em espírito de unidade, e não de conflito, a Igreja deve promover o Reino de Cristo, e não dos poderosos deste mundo, que tentam se sobrepor a Ele.
Fazendo uma referência ao Rei Herodes, que, após o nascimento de Jesus, temia perder seu poder para o Menino, ele falou dos poderosos de hoje. “Amar a paz, buscar a paz, significa proteger o que é sagrado e, por isso mesmo, está nascendo: pequeno, delicado, frágil como uma criança”, completou.

“Ao nosso redor, uma economia distorcida tenta tirar proveito de tudo. Vemos isso: o mercado transforma em negócios até mesmo a sede humana de buscar, viajar, recomeçar. Perguntemo-nos: o Jubileu nos educou a fugir desse tipo de eficiência que reduz tudo a produto e o ser humano a consumidor?”
Já os Reis Magos veem em Cristo um bem sem preço e sem medida. Os caminhos de Cristo “não são os nossos caminhos, e os violentos não conseguem dominá-los, nem os poderes do mundo podem bloqueá-los”.
Durante a oração do Angelus, o Papa Leão convidou todos a ajoelhar-se como os Magos diante do Menino de Belém, o que, também para nós, “significa confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus”.





