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Papa na Missa do Crisma: renovar o “sim” a Jesus exige unidade para trazer a paz

Papa na Missa do Crisma: renovar o “sim” a Jesus exige unidade para trazer a paz - Jornal O São Paulo
Vatican Media

Nesta Quinta-feira Santa o Papa Leão XIV presidiu a Missa do Crisma, também chamada dos Santos Óleos, na Basílica de São Pedro, concelebrada por patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e presbíteros presentes em Roma.

É o primeiro ano que Prevost preside a celebração como Bispo de Roma, como ele mesmo lembrou na homilia, a última antes do Tríduo Pascal, com a renovação das promessas sacerdotais e a bênção dos santos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. 

Os três segredos da missão cristã

O Pontífice, assim, refletiu sobre três segredos da missão cristã, “a mesma de Jesus, e não outra”, explicou o Papa, afirmando que “cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão!”.

Renovar as promessas, continuou o Papa se dirigindo a bispos e presbíteros, é ser Igreja enviada, com “desapego” e “herdeiros de tanto bem”, para estar a serviço de todos os batizados. Uma missão que precisa de “esvaziamentos” para renascer, como fez Jesus ao “esvaziar-se a si mesmo”. Esse é o primeiro segredo da missão, disse o Papa, de “algo que não se experimenta uma só vez, mas em cada recomeço, em cada novo envio”:

“O caminho de Jesus revela-nos que a disponibilidade para perder, para se esvaziar, não é um fim em si mesma, mas condição para o encontro e para a intimidade. O amor só é verdadeiro se estiver desarmado – desprovido de muitos empecilhos e sem nenhuma ostentação –, se guarda delicadamente a fraqueza e a nudez. Temos dificuldade em lançar-nos numa missão tão exposta e, no entanto, não há «Boa-nova aos pobres» (Lc 4, 18) se formos ao seu encontro com sinais de poder, nem há libertação autêntica se não nos libertarmos do possuir.”

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Depois da lei do desapego, “vem a lei do encontro, continuou o Papa na homilia, ao explicar sobre o segundo segredo da missão cristã. Como na Igreja é preciso “caminharmos juntos”, ser “testemunho vivo de um Corpo com muitos membros”, estabelecendo “uma sintonia com o invisível” ao confiar no Espírito Santo, a missão pode ser “pervertida por lógicas de domínio, totalmente estranhas ao caminho de Jesus Cristo”.

Mas se faz necessário, enfatizou Leão XIV, chegar ao lugar para se é enviado com simplicidade “para acolher” depois que se deixou “ser acolhido”, mesmo em locais “onde a secularização parece estar mais avançada” em contraste com o Evangelho de Jesus:

“É portanto prioritário recordar que o bem não pode advir da prevaricação, nem no âmbito pastoral, nem no âmbito sócio-político. Os grandes missionários são testemunhas de aproximações feitas com delicadeza, cujo método consiste na partilha da vida, no serviço desinteressado, na renúncia a qualquer estratégia calculista, no diálogo, no respeito. É o caminho da encarnação, que assume sempre de novo a forma da inculturação.”

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Sem medo, a missão exige unidade

O Papa, então, aprofundou sobre a terceira dimensão “– talvez a mais radical – da missão cristã. A dramática possibilidade de incompreensão e de rejeição“, manifestada inclusive pelos habitantes de Nazaré. A cruz, recordou Leão XIV, faz parte da missão e é preciso se comprometer “a não fugir, mas a ‘passar pelo meio’ da provação, como Jesus, que, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho”. Diante de tantas “ressurreições que nos são dadas experimentar”, continuou o Pontífice, até poderá vir o questionamento “se a missão terá sido inútil”. 

Mas “podemos fazer nossa a esperança de muitos testemunhos”, como a do santo Bispo Óscar Arnulfo Romero, disse o Papa, que um mês antes da sua morte chegou a anotar no caderno dos Exercícios Espirituais a iminência de um perigo que seria enfrentado com a graça de Deus: “basta-me, para ser feliz e confiante, saber com certeza que n’Ele está a minha vida e a minha morte”, escreveu o arcebispo de El Salvador, assassinado em 1980 em consequência dos conflitos da Guerra Civil no país e reconhecido como mártir Igreja Católica. “Os santos escrevem a história”, afirmou o Papa, ao finalizar uma mensagem de encorajamento aos bispos e presbíteros:

“Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso ‘sim’ a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz. Sim, aqui estamos! Superemos o sentimento de impotência e de medo! Anunciamos a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

Fonte: Vatican News

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