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Papa na Urbi et Orbi: que se deponham as armas e que deixemos ‘nos surpreender por Cristo’

Após celebrar a Missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor na Praça São Pedro, Leão XIV deu a bênção à Cidade de Roma e ao Mundo. Também convidou todos para uma vigília de oração pela paz em 11 de abril

Papa na Urbi et Orbi: que se deponham as armas e que deixemos ‘nos surpreender por Cristo’ - Jornal O São Paulo

Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, no domingo pascal, 5, o Papa Leão XIV recordou que “a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”.

“Uma vitória a um preço muito alto, pois Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação”, prosseguiu.

UMA FORÇA QUE VEM DO PRÓPRIO DEUS

Diante da Ressurreição de Cristo, torna-se inevitável a pergunta: “Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai?”, indagou o Papa, respondendo a seguir.

“Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso ‘Rei vitorioso’, travou e venceu a sua batalha por meio do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação”, disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus “percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz”.

“A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se em uma espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu”, disse ainda o Papa.

O PRINCÍPIO DA NOVA HUMANIDADE

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Esta força e capaz de trazer paz à humanidade, pois conforme sublinhou Leão XIV “gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa ao interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros”.

“Sim, a Ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz”, sublinhou.

Segundo o Papa, com a sua Ressurreição, “o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado”.

‘NÃO PODEMOS RESIGNAR-NOS AO MAL’

“À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”, prosseguiu o Papa.

Leão XIV disse que nos habituamos “à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos”.

O Papa lamentou haver uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada”, expressão querida ao Papa Francisco, que um ano atrás, da Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas últimas palavras, recordando-nos: “Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo!”.

“A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: ‘Se tens medo da morte, ama a ressurreição!’. Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado”, disse ainda Leão XIV, lembrando que Jesus “atravessou a morte para nos dar vida e paz”: ‘Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é como a dá o mundo’.

VIGILIA DE ORAÇÃO PELA PAZ

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Leão XIV lembrou ainda que a paz trazida por Cristo não se limita a silenciar as armas, “mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração!”.

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