O Papa Leão XIV voltou a pedir o fim da guerra no Irã e a abertura do diálogo, alertando que o conflito está se espalhando por todo o Oriente Médio e semeando “um clima de ódio e medo”.

Após a oração do Angelus, no domingo, 8, na Praça São Pedro, o Pontífice expressou sua “profunda consternação” pela guerra e pela forma como ela está desestabilizando o Líbano, um “baluarte” para os cristãos em uma região de maioria muçulmana, e rezou pelo fim dos bombardeios e pela abertura do diálogo “para ouvir a voz do povo”.
“Do Irã e de todo o Oriente Médio continuam chegando notícias que causam profunda consternação. Aos episódios de violência e devastação, e ao clima generalizado de ódio e medo, soma-se o temor de que o conflito se alastre e outros países da região, entre eles o querido Líbano, possam mergulhar novamente na instabilidade”.
Ele elevou orações ao Senhor para que cesse o barulho das bombas, calem-se as armas e se abra um espaço de diálogo, no qual se possa ouvir a voz dos povos: “Confio esta súplica a Maria, Rainha da Paz: que ela interceda por aqueles que sofrem por causa da guerra e acompanhe os corações pelos caminhos da reconciliação e da esperança”.
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
O Santo Padre recordou também que neste dia 8 de março celebra-se o Dia da Mulher: “Renovamos o compromisso, que para nós cristãos se baseia no Evangelho, pelo reconhecimento da igual dignidade do homem e da mulher”.
Infelizmente – disse o Papa -, muitas mulheres, desde a infância, ainda são discriminadas e sofrem várias formas de violência: “a elas, em especial, vai a minha solidariedade e a minha oração”.

JESUS É A REPOSTA DE DEUS À NOSSA SEDE
Na oração do Angelus, aludindo à liturgia do 3º Domingo da Quaresma, o Papa lembrou que Jesus “é a resposta de Deus à nossa sede”.
“Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual”, disse o Santo Padre, que falou sobre o episódio do Evangelho do diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, acrescentando: “Às vezes – escrevia a jovem Etty Hillesum no seu diário – consigo alcançá-la, mas frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então, sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo”.
“Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na terceira semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!”.
O Papa recordou que no Evangelho está escrito “chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele [Jesus] estar a falar com uma mulher”. Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: “Não dizeis vós: ‘Mais quatro meses e vem a ceifa’? Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão dourados para a ceifa”. O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”.
Jesus está atento, disse o Papa. Segundo os costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em vez disso, Jesus fala com ela, escuta-a, dá-lhe atenção, sem segundas intenções e sem desprezo.
“Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a esquecer-se de comer, de tal modo o alimentava a vontade de Deus chegar a todos em profundidade”.
Assim, a samaritana torna-se a primeira de muitas evangelizadoras, continuou o Papa. Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e, também, neles brota a fé como água pura.
Daí a advertência: “Irmãs e irmãos, peçamos hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que O adoram em Espírito e verdade”.
Fonte: Vatican News





