
O ataque aéreo coordenado pelos Estados Unidos e Israel no Irã, em 28 de fevereiro, resultou em uma escalada de violência nos países do Golfo e no Oriente Médio. O bombardeio inicial, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, de 86 anos, entre outros líderes políticos e militares do Irã, despertou uma onda de ofensivas recíprocas na região.
De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos, mais de 1,7 mil pessoas morreram no Irã, Líbano, Kuwait, Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Omã.
“Do Irã e de todo o Médio Oriente continuam a chegar notícias que suscitam profunda consternação”, disse o Papa Leão XIV após a oração do Angelus, no domingo, 8. “Aos episódios de violência e devastação, e ao clima generalizado de ódio e medo, junta-se o receio de que o conflito se alargue e que outros países da região, entre os quais o querido Líbano, possam afundar novamente na instabilidade”, acrescentou.
O Santo Padre pediu que se renovem as orações pela paz e exortou os líderes globais a voltarem à mesa do diálogo. “Elevemos a nossa humilde oração ao Senhor, para que cesse o ruído das bombas, se calem as armas e se abra um espaço de diálogo, no qual se possa ouvir a voz dos povos”, declarou. “Confio esta súplica a Maria, Rainha da Paz: Ela interceda por aqueles que sofrem por causa da guerra, acompanhando os corações por caminhos de reconciliação e esperança.”
‘GUERRAS PREVENTIVAS’ INCENDEIAM O MUNDO

Em entrevista ao vaticanista Andrea Tornieli, diretor editorial do Vatican News, o Cardeal Pietro Parolin afirmou, no dia 4: “É realmente preocupante o enfraquecimento do direito internacional: a força do direito foi substituída pelo direito à força”. Falando em nome da Santa Sé, o Secretário de Estado do Vaticano recordou as palavras do Papa Leão XIV, que teme a criação de um “abismo irreparável” diante das novas guerras.
“Considero que a paz e a segurança devem ser cultivadas e buscadas por meio das possibilidades oferecidas pela diplomacia, sobretudo aquela exercida em organismos multilaterais, nos quais os Estados têm a possibilidade de resolver os conflitos de forma pacífica e mais justa”, disse o Cardeal. “Se aos Estados fosse reconhecido o direito à ‘guerra preventiva’, segundo critérios próprios e sem um quadro jurídico supranacional, o mundo inteiro correria o risco de se encontrar em chamas.”, enfatizou.
Dom Pietro Parolin criticou a falsa convicção de que “a paz só pode surgir depois que o inimigo for aniquilado”. Ele comentou ainda que “perdeu-se a consciência de que o bem comum beneficia realmente a todos, ou seja, que o bem do outro também é um bem para mim, e que, portanto, a justiça, a prosperidade e a segurança se realizam na medida em que todos podem delas se beneficiar.” E completou: “Espero que o barulho das armas cesse em breve e que se retorne às negociações.”
INTENÇÃO DO PAPA NO MÊS DE MARÇO: PELO DESARMAMENTO E A PAZ
Senhor da Vida, que moldaste cada ser humano à tua imagem e semelhança, acreditamos que nos criaste para a comunhão, não para a guerra, para a fraternidade, não para a destruição. Tu que saudaste os teus discípulos dizendo: “A paz esteja convosco”, concede-nos o dom da tua paz e a força para torná-la realidade na história.
Hoje, elevamos a nossa súplica pela paz no mundo, rogando que as nações renunciem às armas e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia. Desarma nossos corações do ódio, do rancor e da indiferença, para que possamos ser instrumentos de reconciliação.
Ajuda-nos a compreender que a verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo, mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.
Senhor, ilumine os líderes das nações para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte, deter a corrida armamentista e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis. Que nunca mais a ameaça nuclear condicione o futuro da humanidade.
Espírito Santo, faça de nós construtores fiéis e criativos da paz cotidiana: em nossos corações, em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossas cidades. Que cada palavra gentil, cada gesto de reconciliação e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.
Amém.
(Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa)




