
Ainda como estudante de Biologia marinha, Felipe Cazé passou a compreender de perto o impacto que o acúmulo de plástico provoca no meio ambiente. Foi durante as aulas e no atendimento a animais marinhos, muitas vezes mortos ou feridos por esse resíduo, que ele percebeu que, apesar de ser considerado um vilão ambiental, o plástico é extremamente versátil e, por isso, quando descartado corretamente, pode deixar de ser um problema e se tornar parte da solução, por meio de sua reutilização ou reciclagem.
Foi assim que, no ano de 2020, ele decidiu criar a Arte 8 Reciclagem, com o objetivo de transformar esse material em algo de valor, não apenas funcional, mas também com estética atrativa, ressignificando o plástico por meio do design.
“No início, foi tudo muito experimental. Trabalhei com equipamentos improvisados e segui as recomendações da plataforma aberta do projeto global de reciclagem em pequena escala de plástico (Precious Plastic). A partir daí, comecei a testar processos, compreender o comportamento do material e desenvolver as primeiras placas”, recordou Felipe.
O processo desenvolvido pelo projeto prevê a coleta do material, seguida de seu derretimento para a criação de placas. A partir delas, são produzidos objetos de design, que vão de chaveiros a móveis.
Segundo Felipe, os principais desafios foram justamente técnicos, entre os quais compreender o controle de temperatura, a qualidade das chapas, a formação de bolhas e deformações, além de estruturar um modelo de negócio viável: “Ao longo do tempo, fui aprimorando processos, investindo em equipamentos e, principalmente, aprendendo na prática. A experimentação e a persistência foram essenciais para alcançar o nível de acabamento e estética que temos hoje”.
Arte que transforma
Para Felipe, a principal mudança na percepção das pessoas sobre a reciclagem está justamente na inclusão da arte como meio para a solução dessa problemática ambiental.
“Quando alguém vê um material reciclado aplicado em um móvel, um painel ou um objeto de design bem resolvido, a percepção muda completamente. Deixa de ser ‘lixo’ e passa a ser matéria-prima. Isso gera curiosidade, diálogo e, principalmente, consciência. Muitas vezes, a sensibilização não vem pelo dado ou pela informação, mas pela experiência estética”, frisou o biólogo marinho.
Para ele, a arte também é capaz de transformar a forma como as pessoas interagem com o meio ambiente e com a sua preservação. “A arte não impõe, mas convida. Quando conseguimos transformar resíduos em peças desejáveis, mostramos, na prática, que existe valor onde antes só se via descarte. Isso muda a forma como as pessoas consomem, descartam e se relacionam com os materiais”, acrescentou.
Uma vida mais sustentável

Com o lema “Antes arte que descarte”, Felipe contou que o público tem recebido positivamente a proposta do projeto, sobretudo pessoas que valorizam o design, a inovação e a sustentabilidade.
Ele afirmou também que muitas pessoas ficam surpresas ao descobrir que o material que estão apreciando é feito de plástico, dado o nível de acabamento e a estética alcançados. Outro ponto destacado é o interesse crescente de empresas e marcas que buscam incorporar materiais mais sustentáveis em seus projetos, sem abrir mão de qualidade e apelo visual.
Pensando o futuro do planeta

O projeto também desenvolve ações de formação e implementação de oficinas. Ao todo, mais de 20 espaços de reciclagem já foram estruturados graças ao compartilhamento de conhecimento, gerando renda, autonomia e uma nova relação com o material.
Em 2025, ao lado do projeto Regenera, a Arte 8 Reciclagem esteve presente na COP30, em Belém (PA), em uma iniciativa realizada na Coop Aral (Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Águas Lindas).
“Ver pessoas que antes viam o plástico como lixo passarem a enxergá-lo como oportunidade e, mais do que isso, gerar impacto na própria comunidade e uma nova possibilidade de renda, é algo muito potente”, ressaltou.
Atualmente, o projeto vive um momento de expansão e reposicionamento. A proposta é consolidar a Arte 8 Reciclagem (@arte8reciclagem) como uma empresa de design circular, ampliando a aplicação do material para além de objetos e mobiliário, alcançando também projetos de arquitetura, varejo e grandes instalações.
Ao mesmo tempo, a iniciativa mantém o objetivo de descentralizar a reciclagem, apoiando a criação de unidades produtivas e fortalecendo uma rede colaborativa. De acordo com Felipe, a visão é clara: transformar o plástico reciclado em um material desejado, escalável e integrado à economia.
RECICLÁVEL NÃO É LIXO!
Nos sites a seguir, veja dicas para que a reciclagem faça parte do seu cotidiano
Recicla Sampa
WWF Brasil
Movimento Plástico Transforma
Movimento Separe. Não Repare
Glossário de Educação Ambiental – Ministério do Meio Ambiente
ONU – Resíduo Zero
Secovi – Guia para destinação do lixo reciclável em condomínios




