Aparecida 2007 indicou a condição essencial de cada cristão

Aparecida 2007 indicou a condição essencial de cada cristão, Jornal O São Paulo
Bispos brasileiros e Dom Miguel Cabrejos, Presidente do Celam, em missa na sexta-feira, 13
Fotos: Thiago Leon/Santuário Nacional de Aparecida

Em ação de graças pelos 15 anos da realização da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, aconteceu na sexta-feira, 13, uma missa na basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. 

A Eucaristia foi presidida por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo entre os concelebrantes Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Arcebispo de Trujillo, no Peru, e Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam); o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e 1º Vice-presidente do Celam; Dom Joel Portella Amado, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e Secretário-geral da CNBB; além de outros bispos de diferentes dioceses brasileiras. 

Na homilia, Dom Walmor lembrou que, diante das realidades desafiadoras do Brasil e de todo o continente latino-americano, a Igreja tem muitas respostas a dar por meio de seus discípulos. “A experiência importante e bonita da V Conferência traçou para nós aquilo que é de mais essencial: a nossa condição de discípulos de Jesus, para sermos um povo missionário, capaz de ajudar o mundo a se abrir ao amor de Deus enquanto caminhamos para o Reino definitivo.” Recordando o Evangelho do dia (Jo 14,1-6), em que Cristo fala aos discípulos para não terem o coração perturbado, pois com Ele estão diante do “Caminho, da Verdade e da Vida”, Dom Walmor lembrou que a Conferência de Aparecida também destacou o valor insubstituível dessa experiência do encontro pessoal e comunitário com Cristo. 

“O Documento de Aparecida nos mostra que a missionariedade nasce justamente deste convite à intimidade que o Senhor nos faz para caminhar com Ele. Não podemos dar essa experiência por descontada, deve ser uma tarefa diuturna, cotidiana, para encharcar o nosso coração da força dessa intimidade. Há de se partir sempre dessa experiência de encontro pessoal para que a missionariedade nos coloque no coração do mundo”, enfatizou. 

OUTRAS ATIVIDADES 

Como parte das ações comemorativas, foi inaugurado na quinta-feira, 12, no Santuário de Aparecida, o “Espaço Memória” alusivo aos 15 anos do Documento de Aparecida e da realização da V Conferência. 

No mesmo dia, ocorreu um momento de oração, conduzido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, recordando a recitação do Terço pelo Papa Bento XVI no altar central da Basílica da Padroeira do Brasil em 2007. 

‘Recordar Aparecida significa reassumir suas diretrizes e indicações’ 

Por Fernando Geronazzo
Especial para O SÃO PAULO

Aparecida 2007 indicou a condição essencial de cada cristão, Jornal O São Paulo
Cardeal Scherer durante a inauguração do ‘Espaço Memória’ da V Conferência de Aparecida

Secretário-geral Adjunto da Conferência de Aparecida, o Cardeal Odilo Pedro Scherer ressaltou que o Documento de Aparecida é rico em percepções, reflexões e impulsos para uma revitalização da vida da Igreja e que permanecem atuais. 

“Parto da preocupação prévia da conferência, ou seja, a grande mudança de época, especialmente as fortes mudanças religiosas e culturais, a difusão das mídias, a globalização... Essas eram questões muito fortes que estiveram presentes na conferência. Claro que outras preocupações surgiram de 15 anos para cá. Porém, aquelas estão vivas e não se resolveram”, afirmou Dom Odilo, em entrevista ao O SÃO PAULO, enfatizando que “recordar Aparecida significa reassumir aquelas diretrizes e indicações tão importantes”. 

Ao falar sobre a influência do Documento de Aparecida para a Igreja universal, especialmente no pontificado do Papa Francisco, o Cardeal Scherer recordou que já no Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, realizado em 2012, ainda no pontificado do Papa Bento XVI, as reflexões dessa conferência reverberavam entre os padres sinodais. 

NOVA EVANGELIZAÇÃO 

“Durante a assembleia do Sínodo, os bispos da América Latina falavam constantemente do Documento de Aparecida, tanto assim que bispos de outros continentes começaram a se perguntar sobre de que se tratava. Então, o Prefeito da Congregação para os Bispos [Cardeal Marc Ouellet] providenciou exemplares do Documento de Aparecida para serem distribuídos aos participantes do Sínodo. Desse modo, já nessa ocasião, houve uma forte presença das reflexões e indicações feitas em Aparecida”, destacou o Arcebispo. 

No ano seguinte, em 2013, o Papa Bento XVI renunciou ao pontificado antes de concluir a exortação pós-sinodal sobre a nova evangelização, o que foi feito por seu sucessor, Francisco. “A expressão que o Papa Francisco deu à exortação apostólica Evangelii gaudium reflete muito a Conferência de Aparecida, porque foi a experiência que ele viveu e, por isso, as questões postas na conferência foram compartilhadas com a Igreja do mundo todo”, completou Dom Odilo. Por fim, o Cardeal Scherer sublinhou que temas fortes do atual pontificado, como conversão pastoral, renovação missionária, comunhão e participação, são elementos muito presentes no Documento de Aparecida e precisam ser cada vez mais reassumidos pela Igreja na América Latina e no mundo. 

FRANCISCO E APARECIDA 

De fato, sobre Aparecida, o atual Pontífice tem propriedade para falar, pois, além de participar do evento, foi o presidente da comissão de redação do documento conclusivo. A esse respeito, o jesuíta Diego Fares, em um artigo publicado no jornal L ́Osservatore Romano em 2017, por ocasião dos dez anos da Conferência de Aparecida, recordou que, no dia 16 de maio de 2007, em uma das missas no Santuário Nacional de Aparecida, o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires (Argentina), foi aplaudido pelos demais participantes da conferência, após fazer uma homilia que hoje pode ser diretamente relacionada com o seu futuro pontificado. 

Na homilia escrita durante a madrugada, o Cardeal argentino afirmou: “Não queremos ser uma Igreja autorreferencial, mas missionária; não queremos ser uma Igreja gnóstica, mas adoradora e orante. Povo e pastores, constituindo esse santo povo fiel de Deus, que goza da infalibilitas in credendo (infalibilidade ao crer), todos juntos com o Papa, povo e pastores, dialogamos segundo o que o Espírito nos inspira, e rezamos juntos e construímos a Igreja juntos, ou, melhor, somos instrumentos do Espírito que a constrói”. 

Reflexão semelhante está presente na exortação apostólica Evangelii gaudium, que, a propósito, cita o Documento de Aparecida diversas vezes, quando convida toda a Igreja a uma conversão pastoral e missionária. 

Durante a entrevista coletiva concedida por ocasião dos 15 anos da Conferência de Aparecida, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Presidente do Celam, afirmou que “Aparecida vive”, pois não foi apenas um evento que já se concluiu, “mas que deu início a um processo de evangelização que continua”. Nesse sentido, ele recordou as palavras do Papa Francisco: “Aparecida tem muito a ensinar à Igreja universal”. 

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