Bispos e empresários refletem sobre a economia à luz da fé e da caridade

Divulgação

A Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE Brasil) realizaram, no dia 11, o XIII Encontro de Diálogos Bispos e Empresários.

O evento, realizado na modalidade on-line, teve como tema: “Por que precisamos da Economia de Francisco?”, e as reflexões se concentraram sobre o papel dos empresários para um sistema mais justo, digno e humano.

Entre os participantes estavam o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; Dom Walmor Oliveira Azevedo, Presidente da CNBB; e Dom João Justino de Medeiros Silva, Presidente da Comissão Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB.

O evento foi aberto com um momento de oração conduzido por Dom Odilo, que meditou sobre o Evangelho do dia (Lc 6,43-49), no qual Jesus afirma que toda árvore é reconhecida pelos seus frutos e compara aqueles que ouvem sua palavra e a colocam em prática àqueles que constroem a casa alicerçada sobre a rocha.

“Jesus fala de projetos e empreendimentos que devem ter base sólida e plantas que produzem frutos segundo a sua natureza… É missão de todos os cristãos, de todos os empreendimentos que tenham inspiração na fé e na moral cristã a produzirem bons frutos e, ao mesmo tempo, tenham projetos sólidos, alicerçados em Cristo”, afirmou o Cardeal Scherer.

Economia de Francisco Em seguida, o Arcebispo de São Paulo propôs uma reflexão a partir de um trecho da mensagem do Papa Francisco aos jovens participantes do encontro internacional “A Economia de Francisco”, realizado em novembro de 2020, em Assis, na Itália.

“Precisamos de uma mudança, queremos uma mudança, procuramos uma mudança. O problema surge quando nos damos conta de que, para muitas das dificuldades que nos afligem, não temos respostas adequadas e inclusivas; pelo contrário, sofremos de uma fragmentação na análise e no diagnóstico que acaba por bloquear todas as soluções possíveis. Afinal, falta-nos a cultura necessária para permitir e estimular a abertura de diferentes visões, baseadas num tipo de pensamento, política, programas educacionais e até de uma espiritualidade que não se deixe fechar numa única lógica dominante”, afirmou o Pontífice, na ocasião.

O Presidente da CNBB sublinhou a importância do diálogo entre o episcopado, os empresários cristãos, particularmente em um tempo difícil como o atual, em que o Papa Francisco indica a necessidade de uma economia que promova a vida e a dignidade humana. “Crises econômicas são crises éticas e, portanto, um enorme desafio para todos nós, especialmente para os empresários”, ressaltou Dom Walmor.

Desenvolvimento sustentável

Em um dos painéis, a executiva Grá- cia Fragalá, vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social e diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), destacou os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e metas para erradicar a pobreza e promover a vida digna para todos, indicados na agenda 2030 da ONU.

“São objetivos e metas claras, para que todos os países adotem, de acordo com suas próprias prioridades, e atuem no espírito de uma parceria global que orienta as escolhas necessárias para melhorar a vida das pessoas, agora e no futuro”, explicou Grácia.

A executiva reforçou que as empresas têm grande poder de influência e transformação por serem formadoras de pessoas e mentalidade. “Nós, como empresários, contribuímos de forma individual com nossos colaboradores… Nós abrigamos famílias, estimulamos sonhos e os tornamos realidade, gerando trabalho e renda. Mas também geramos externalidades, podemos impactar o meio em que vivemos”, afirmou Grácia, reforçando que a paz social, a solidariedade e a nova economia almejada pelo Papa dependem de atitudes concretas do empresariado, especialmente dos cristãos.

Desafios

Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo de Campo Grande (MS), destacou alguns aspectos indicados pela Economia de Francisco, como a centralidade da dignidade do trabalho; a superação da cultura do descarte que atinge tanto os jovens quanto os idosos; a superação da desigualdade social que também gera violência.

“Esses desafios são tão grandes que só conseguiremos enfrentar se realmente unirmos esforços… Que a dignidade da pessoa humana passe a fazer parte estrutural dos projetos, das políticas públicas e do trabalho que cada um desenvolve”, enfatizou Dom Dimas.

Empresa com valores

O presidente da Uniapac América Latina, Sérgio Cavalieri, destacou o esforço da entidade e dos bispos para a implementação de formações sobre a Doutrina Social da Igreja para os empresários e empreendedores no Brasil.

Nesse sentido, foi idealizado o programa Empresa com Valores, que nasceu do diálogo entre a ADCE e a CNBB, para promover nas dioceses, paróquias e comunidades grupos de reflexão e vivência, por meio dos quais os participantes possam trocar experiências, discutir e estudar sobre os conceitos práticos da responsabilidade social, tendo como foco o ser humano a partir do ensinamento social cristão.

“Esse diálogo é fundamental para encontrarmos caminhos para a responsabilidade social a partir dos valores da Doutrina Social da Igreja, e respostas novas para que o desenvolvimento integral seja a grande pauta […]. Falamos de economia à luz da fé e da caridade”, completou Dom Walmor, recordando que Santo Inácio de Antioquia dizia que “o princípio da vida é a fé, e a caridade é o seu cume; a união das duas virtudes tornada unidade leva o homem de Deus à perfeição”.

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