Câncer de próstata é o mais comum e o segundo tumor que mais mata os homens no Brasil

Na maioria dos casos, apresenta um crescimento lento, o que aumenta as possibilidades de diagnóstico precoce e as chances de cura. Segundo o INCA, são esperados 65 mil novos casos de câncer de próstata em 2021 e são registrados 16 mil óbitos anuais, mortalidade que só é menor que a do câncer de pulmão

Câncer de próstata é o mais comum e o segundo tumor que mais mata os homens no Brasil
Reprodução da Internet

Mesmo com a disponibilidade do rastreamento por meio dos exames de dosagem sérica do Antígeno Prostático Específico (PSA) e do toque retal, o Brasil registra 16 mil óbitos anuais por câncer de próstata, número só ultrapassado pelo câncer de pulmão. Os homens geralmente são menos afeitos aos exames de rastreamento, o que impacta no número de diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Esse fato, associado a desigualdade de acesso aos serviços de saúde, é um dos fatores que levou ao aumento da mortalidade por câncer de próstata no país nas últimas três décadas. No Brasil, 20% dos casos são diagnosticados já em estadios avançados. Outro dado importante foi divulgado recentemente pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a partir de dados inéditos do Ministério da Saúde. No período de pandemia, houve uma diminuição de 27% nas coletas do PSA e de 21% no número de biópsias de próstata, único método diagnóstico da doença.

Há diferentes tipos de câncer de próstata. A doença se caracteriza pela multiplicação descontrolada das células epiteliais secretoras, responsáveis pela produção do líquido seminal. Chamados de adenocarcinomas, esses tumores costumam ter um comportamento indolente. “Em geral o câncer de próstata é indolente, tem um crescimento lento, que pode levar até uma década, o que amplia a janela de oportunidade de diagnosticar a doença em sua fase inicial”, explica a médica uropatologista Kátia Ramos Moreira Leite, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

No entanto, alguns tumores podem ser mais agressivos e devem ser diagnosticados e tratados mais prontamente. “O médico patologista realiza a análise do material extraído em uma biópsia, onde ele fará o  diagnóstico definitivo e se houver câncer ele caracterizará a agressividade da doença através de sua morfologia. Essa informação é fundamental para a escolha do tratamento que pode variar desde a observação vigilante, ou seja, o não tratamento imediato até o tratamento curativo, a cirurgia ou radioterapia”, acrescenta Kátia Moreira Leite.

A recomendação é que os homens sem história familiar de câncer de próstata realizem os exames de PSA e toque retal a partir dos 50 anos. Os homens da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.

FATORES DE RISCO

O câncer de próstata é multifatorial, mas o envelhecimento e o histórico familiar são os fatores que requerem uma maior atenção. 

Idade: o envelhecimento é o principal fator de risco. Raramente a doença acomete homens com menos de 40 anos. A maioria dos homens que desenvolvem o câncer de próstata tem mais de 50 anos e dois terços têm mais de 65 anos.

Histórico familiar: A história familiar é um dado muito importante. Estima-se que a  herança genética responda por cerca de 5 a 10% dos casos de câncer de próstata. Os principais genes de predisposição são os genes de reparo do tipo BRCA1, BRCA2 e o fator de transcrição HOXB13. É importante salientar que o histórico familiar que dita o maior risco de desenvolvimento de câncer de próstata não se restringe a próstata, mas a mama e ovário nas mulheres. Portanto o homem deve estar atento ao seu histórico familiar de câncer envolvendo homens e mulheres. O risco de portadores de mutação BRCA2 em desenvolverem o câncer de próstata é quase 3 vezes maior que a população geral, tendem a ocorrer mais precocemente e têm maior gravidade.

Outros: Atribui-se a maior incidência de câncer de próstata ao estilo de vida, sendo deletério o consumo de laticínios e gordura animal. Efeitos protetores seriam a atividade física, o consumo de licopeno, presente no tomate e do selênio, presente na castanha do Pará.

SINTOMAS 

O câncer de próstata em geral é assintomático. Por isso a necessidade de rastreamento. Os principais sintomas urinários como o fluxo reduzido, a dificuldade de urinar e a maior frequência se devem a hiperplasia benigna.

CÂNCER DE PRÓSTATA EM NÚMEROS

Para 2021, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) são estimados 65.840 novos casos de câncer de próstata. É o tumor mais frequente no homem, excluindo os tumores malignos de pele não-melanoma, representando 29,2% dos casos de câncer em homens. Em âmbito mundial, segundo a Globocan 2020, são diagnosticados 1,4 milhão de novos casos anualmente e registradas 375 mil mortes. Descoberto no início de seu desenvolvimento, o câncer de próstata tem quase 100% de chance de cura se tratado adequadamente. Com doença metastática, por sua vez, segundo o levantamento SEERs, do National Cancer Institute, dos Estados Unidos, apenas 30,5% dos pacientes estarão vivos cinco anos após o início do tratamento.

(Com informações de Sociedade Brasileira de Patologia)

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