
Uma missa de ação de graças celebrada na tarde da sexta-feira, 23, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, marcou as comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A celebração foi presidida pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, e concelebrada por cardeais e bispos brasileiros, entre eles os membros da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que foram recebidos em audiência pelo Papa Leão XIV na segunda-feira, 26.
Na homilia, o Cardeal Parolin ressaltou que o bicentenário vai além de uma efeméride histórica. “Duzentos anos não são apenas uma medida cronológica, mas uma trama de encontros, de palavras pronunciadas e, às vezes, silenciadas, de gestos discretos e decisões corajosas”, afirmou, destacando que esse percurso contribuiu para “construir pontes onde o mundo frequentemente ergue muros”.
O Secretário de Estado recordou que as relações diplomáticas tiveram início em 1826, com o reconhecimento, pela Santa Sé, do Império do Brasil. A presença estável de representantes pontifícios no país consolidou-se em 1829, com a chegada de Monsenhor Pietro Ostini como primeiro internúncio apostólico. Desde então, 34 internúncios e núncios apostólicos exerceram essa missão.

DIÁLOGO
Inspirando-se nas leituras litúrgicas e em um recente discurso do Papa Leão XIV ao Corpo Diplomático, Parolin sublinhou que a diplomacia da Santa Sé é expressão da missão pastoral da Igreja. “A diplomacia da Igreja não nasce da busca de vantagens políticas, mas de uma visão moral e espiritual da história, na qual o diálogo prevalece sobre o conflito”, afirmou.
Ao referir-se ao Brasil, o cardeal destacou a fé cristã e a devoção mariana do povo brasileiro e afirmou que, ao longo destes dois séculos, o país encontrou na Igreja não uma potência estrangeira, mas uma companheira de caminho, atenta à promoção da justiça, da paz e da centralidade da pessoa humana.
Fonte: Vatican News





