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Como Maria, a Pascom é chamada a escutar antes de anunciar

No mês mariano, o chamado à Pastoral da Comunicação é para redescobrir a escuta e o discernimento em meio à lógica do imediatismo digital

Como Maria, a Pascom é chamada a escutar antes de anunciar - Jornal O São Paulo

Por Thayna Franzo*

Vivemos a era do real time, marca­da pela velocidade das redes sociais, pelo excesso de informações e pela ur­gência das notificações. Nesse cenário, o silêncio pode parecer ausência. No entanto, quando se trata da Pastoral da Comunicação (Pascom), a lógica de comunicar não pode seguir os mesmos critérios do mercado ou das dinâmicas cotidianas das plataformas digitais. No âmbito da espiritualidade cristã, o silêncio é compreendido como espaço de escuta, discernimento e encontro com Deus.

NA CONTRAMÃO DO IMEDIATISMO

No mês mariano, essa reflexão ga­nha ainda mais força dentro da Pas­com. Maria permanece como refe­rência de contemplação, discipulado e vivência da Palavra. No Evangelho, a Mãe de Jesus é apresentada como aquela que acolhe a mensagem de Deus, a medita no coração e a trans­forma em testemunho à comunidade.

Em meio à rotina acelerada das pastorais, aos cronogramas de publi­cações e à necessidade constante de alimentar as redes sociais, cresce o desafio de manter a espiritualidade no centro da comunicação. Como comu­nicar o Evangelho sem transformar a missão da Igreja apenas em produção de conteúdo? Como fazê-lo nas artes com horários de missa e avisos paro­quiais? Como equilibrar a urgência das plataformas digitais com a profun­didade da experiência cristã?

Para a teóloga Célia Soares de Sou­sa, a espiritualidade mariana oferece pistas importantes para responder a essas questões. Segundo ela, Maria é modelo de discipulado justamente porque sua missão nasce da escuta e da vivência da Palavra: “Maria viveu perfeitamente a escuta, o seu sim e o colocar-se a serviço. A comunidade reconheceu nela o testemunho de uma perfeita discípula”.

A ESPIRITUALIDADE NO CENTRO DA PASCOM

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Arquidiocese de Juiz de Fora

Essa reflexão também lança um olhar sobre o cotidiano das equipes da Pascom. Em meio às demandas pasto­rais e à dinâmica constante das redes sociais, existe o risco de a comunica­ção perder sua dimensão espiritual e se resumir apenas à execução de tarefas.

“Nós não somos tarefeiros enquanto cristãos leigos, mas buscamos viver o discipulado”, ressalta Célia.

O Evangelho relata que Maria “guardava todas as coisas em seu cora­ção”, expressão que revela uma experi­ência de acolhimento e discernimento da Palavra. Para Célia, esse movimen­to não significa passividade ou silên­cio vazio. “É preciso escutar a Palavra, guardá-la no coração e colocá-la em prática. Guardá-la no coração é um meio, não um fim”, explica.

Nesse contexto, o silêncio ganha um novo significado na comunicação da Igreja. Ele se torna parte do proces­so de preparação da mensagem, em uma rotina frequentemente marcada por cronogramas apertados, cobertura de eventos, gravações, reuniões e pu­blicações em tempo real. Em meio às demandas da Pascom, a espiritualida­de mariana convida os comunicadores a não perderem de vista aquilo que sustenta a própria missão evangeliza­dora.

O exemplo de Maria aparece jus­tamente na capacidade de escutar, acolher e amadurecer a Palavra antes de anunciá-la. Aquilo que foi acolhi­do, vivido e amadurecido no coração transforma-se em anúncio e serviço à comunidade. Nesse sentido, a espiri­tualidade mariana também recorda à Pascom que evangelizar não significa apenas transmitir informações religio­sas, mas comunicar Cristo a partir da própria vivência da fé. O testemunho continua sendo uma das principais formas de anúncio cristão. A exemplo de Maria, a comunicação da Igreja é chamada a nascer da escuta da Palavra e se concretizar em atitudes, serviço e proximidade com as pessoas.

O TEMPO DE SEMEAR

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Célia usa a parábola do semeador para explicar esse processo na comu­nicação da Igreja. No Evangelho, Jesus mostra que a semente lançada em terra fértil é aquela que consegue crescer e dar frutos. A comparação também aju­da a refletir sobre a missão da Pascom: mais do que transmitir informações rapidamente, é preciso criar espaço para que a Palavra seja acolhida, com­preendida e vivida pela comunidade.

Em uma cultura marcada pela lógi­ca da “notícia quente”, em que conteú­dos rapidamente se tornam ultrapassa­dos, a espiritualidade mariana aponta para uma comunicação construída a partir da escuta, do amadurecimen­to da Palavra e do testemunho vivido em comunidade. Como disse o Papa Francisco na mensagem para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2022, “a escuta continua essencial para a comunicação humana”.

*Thayna Franzo é assessora de imprensa e membro da Pascom da Paróquia Santo Inácio de Loyola e São Paulo Apóstolo, Região Sé.

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