Conselho Episcopal Pastoral da CNBB discute temas sobre a ação da Igreja no Brasil

“Estamos aqui em mais uma estação de serviço eclesial como  compromisso a serviço do povo de Deus. Estamos aqui por graça de Deus num contexto em que muitos perderam suas vidas para a COVID-19. Precisamos ser mais fortes para ajudar a quem precisa e ajudar a contribuir decisivamente, à luz da nossa fé, no contexto da sociedade brasileira que precisa se reinventar e se refazer. Não faremos aqui apenas a burocracia e o cumprimento de uma agenda, mas a expressão do fluxo grande de um serviço prestado às comunidades da Igreja no Brasil”.

Com essas palavras o Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, acolheu os participantes na reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Conep) que ocorreu na quarta-feira, 26.

A reunião, coordenada pelo Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, aprovou também as atas da 58ª AGCNBB e de sua última reunião. A seguir, alguns dos temas tratados

CNBB/Reprodução

Avaliação da 58ª AGCNBB

O Bispo de Tubarão (SC) e pPresidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, Dom João Francisco Salm, coordenou a avalição da 58ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada de 12 a 16 de abril.

Dom Salm sistematizou as avaliações feitas a partir da mesma ferramenta das votações realizadas durante a Assembleia. O questionário, que aborda vários aspectos da realização e organização do evento, foi constituído de perguntas objetivas com espaço para justificativas.

O grupo de avaliação recebeu 254 respostas do total de participantes do evento. Uma das perguntas usou o método de pontuação conhecido como “Net Promoter Score – NPS”. Ele tem um índice que vai de 0 a 10. A realização da Assembleia no formato on-line, considerando os limites e possibilidades do ambiente virtual, recebeu a nota de 72 pelo grupo que respondeu ao questionário. No NPS, essa nota que se classifica no grupo de 5 a 75 pontos aponta uma avaliação que significa que o evento “tem qualidade, mas deve implementar melhorias”. A sistematização será encaminhada também aos membros do Conselho Permanente da CNBB e aos presidentes dos regionais.

“Quando à validação da realização da assembleia no modo on-line, podemos estar contentes com esta experiência que foi muito bem avaliada”, destacou Dom Salm.

Novo Estatuto da CNBB

O presidente da CNBB falou de uma proposta que surgiu das reuniões com os Conselhos Episcopais Regionais como a criação de uma Comissão Teológico, Pastoral e Canônica para dar a sistematização final ao novo Estatuto da entidade. A ideia, de acordo com Dom Walmor, é aprovar o novo estatuto na 59ª Assembleia, se for presencial.

O secretário-executivo do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz), Padre Danilo Pinto dos Santos, também assessor Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da CNBB, falou sobre as características da nova fase – a terceira – de escuta sobre o novo Estatuto da entidade.

Segundo ele, agora a abordagem focará mais nos aspectos práticos que surgiram no processo. Ele informou que foram acrescentadas as sugestões dos bispos na 58ª AG CNBB. Nesta nova fase, a consulta não é mais geral  e terá escopos específicos. Por exemplo: os presidentes dos regionais aprofundarão as questões relativas aos regionais da entidade.

O Bispo Auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, sugeriu submeter o texto também a leitores e especialistas tendo em vista a necessidade de ser feita leitura crítica para captar aspectos que talvez não estejam sendo percebidos.

Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe

O Secretário geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, falou sobre o processo de Escuta da Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe, previsto para ser concluído em junho deste ano. Apresentou a metodologia e os documentos, a equipe de animação da Escuta no Brasil e o site do evento.

Dom Joel solicitou ao Consep, em razão de seu caráter teológico pastoral, reflexões e apontamentos sobre os conteúdos propostos. Sobre a Escuta no Brasil, o Secretário Geral da CNBB apresentou a preocupação de que o processo chegue, de fato, às bases e não seja apenas uma escuta de especialistas.

O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, Padre Jânison de Sá, sugeriu ampliar, no texto, a reflexão sobre a iniciação à vida cristã na evangelização. A Comissão do Laicato informou que está dinamizando o processo de escuta nas várias frentes de trabalho que articula.

Nos dias 11 e 12 de junho, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) junto com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) promoverá uma reflexão ao documento de trabalho para a Assembleia Eclesial.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora informou que refletiu sobre o processo de escuta da Assembleia com sua equipe executiva. No próximo dia 28 vai aprofundar o tema com os representantes das pastorais sociais e organismos do povo de Deus e ver como contribuir com a Assembleia.

De acordo com Dom Walmor, a 38ª Assembleia do Celam confirmou a realização da Assembleia nas datas já divulgadas. A ideia, segundo ele, é manter o cronograma, mesmo com a preocupação quanto aos prazos. “Vamos fazer uma experiência eclesial e sinodal tendo como horizonte a V Conferência de Aparecida”, disse. Segundo ele, o capítulo VI do documento de Aparecida deveria ser a grande tônica da preocupação: “investir na formação de discípulos e discípulas missionárias”.

Relato das Comissões Episcopais Pastorais da CNBB

Durante o encontro, houve, ainda, o relato das Comissões da CNBB.

A Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso apresentou o processo que vem sendo feito, desde 2007, para a sistematização da elaboração dos “Parâmetros e Critérios para a Formação do Laicato”. O Bispo de Tocantinópolis (TO), Dom Giovane Pereira de Melo, presidente da Comissão, apresentou os passos dados até o momento para a sistematização do documento. Segundo ele,  a origem desta preocupação surgiu, em 2007, na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP), que insistiu na importância da formação dos cristãos leigos e leigas, ressaltando que em cada diocese haja um “Projeto de Formação do Laicato” (DAp, n. 281).

De 2014 a 2016, a CNBB teve como tema central o Laicato e trabalhou na elaboração do Documento 105: “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo”, incorporando as propostas e orientações do Papa. O documento dedica algumas páginas sobre a formação do laicato (105, n. 225-240). Dentro do 23º Plano Pastoral, em vigor, a Comissão solicitou ao Grupo de Reflexão que fosse retomado o texto tendo em vista sua conclusão e publicação.

Dom Giovane falou ainda sobre a proposta de criação de um Grupo de Trabalho para aprofundar as “Expressões de Vida e Serviço Carismático” que incluirá reflexões sobres os movimentos e novas comunidades na Igreja no Brasil.

De acordo com o Dom Joel, a organização do GT poderá se tornar uma referência ao Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida para aprofundar este tema. O Dicastério criou serviço Charis que reúne, no Vaticano, todas as expressões carismáticas que brotaram pela ação do Espírito no âmbito da Igreja.

O Arcebispo de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão para Cultura e Educação da CNBB, Dom João Justino de Medeiros sugeriu que sejam incluídas mulheres no GT. Dom Walmor apontou a necessidade de fazer conexão com a Comissão de Doutrina da Fé. A formação do GT será encaminhada ao Conselho Permanente da CNBB. O Consep aprovou informar ao Dicastério sobre a proposta.

Após a aprovação da realização em 2023 do Ano Vocacional pela 58ª AGCNBB, a Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB se encontrou e levantou as primeiras propostas para a organização do evento eclesial. Segundo o presidente da Comissão, Dom Salm, está sendo sugerida a criação de uma Coordenação Nacional com representantes de membros da Igreja no Brasil e as Comissões de Trabalho (Teológica, Subsídios, Comunicação e Liturgia). Quanto ao tema, lema e data, a Comissão tem sugestões mas ainda serão apresentadas para aprovação final no Conselho Permanente da CNBB.

O Bispo de Chapecó (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, Dom Odelir José Magri, falou sobre o acompanhamento dos Conselhos Missionários Regionais (Comires) e aos bispos referenciais com a realização de reuniões bimensais. Ele destaca o esforço de aprofundamento do Programa Missionário Nacional com muitas demandas regionais por formação. Outro destaque da comissão, foram as Jornadas de Oração como forma de contribuição missionária para países que vivem realidades de vulnerabilidade. Já aconteceu um dia de oração por Mianmar e agora, 1º de junho, será a vez de rezar pelo Sudão do Sul. O Bispo destacou também o projeto também Mulheres na Missão sobre o papel feminino na ação missionária, dia 8 de cada mês, até o fim do ano.

Outro destaque é o ‘Ano Celebrativo das POM’, que comemora em 2022 os 200 anos da Pontifícia Obra da Propagação da Fé; 100 anos de elevação do caráter pontifício das Obras e 400 anos da Congregação para a Evangelização dos Povos. No próximo domingo haverá celebração da 9ª jornada da Infância Missionária, com transmissão pela Rede Vida de Televisão, e missa presidida por Dom Joel.

Segundo Dom João Justino, a Comissão está tratando do tema Fraternidade e Educação. Ele também falou da produção do subsídio com um itinerário de formação para professores da rede pública que aprofunda a visão da Igreja sobre a educação. O bispo também falou do canal “Cultura e Educação” no Youtube e da promoção de lives às quartas-feiras.

Ele chamou a atenção para o lançamento, dia 31 de maio, do segundo Congresso Brasileiro de Humanismo Solidário na Ciência com o tema “Amizade Social e cooperação na ciência”. Outro informe que mereceu destaque foi a celebração do acordo de cooperação técnica entre CNBB e IPHAN, dia 16 de junho.

O presidente da Comissão informou ainda que está finalizado o subsídio sobre a confessionalidade no Ensino Religioso. Falou do GT do Setor Universidade para interlocução com MEC sobre o tema Universidade, pandemia e novos ensinos e também dos seminários regionais do Pacto Educativo Global. Na última segunda-feira, 24 de maio, foi lançado pela ANEC o dicionário sobre o Pacto Global Educativo em formam forma de e-book.

Fonte: CNBB

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