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Curso aprofunda comunicação institucional e gestão de crises na Igreja

Promovida pela Arquidiocese de São Paulo e pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, formação on-line reúne participantes do todo o país

Curso aprofunda comunicação institucional e gestão de crises na Igreja - Jornal O São Paulo

Foi aberto, no dia 12, o Curso de Extensão em Comunicação Institucional e Gestão de Crise Eclesial, promovido pela Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo (FACDCSP), pelo Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo e pelo Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Oferecida na modalidade on-line, a formação reúne cerca de 350 inscritos de diversas partes do Brasil e tem como objetivo capacitar agentes e comunicadores eclesiais para prevenir, reconhecer e responder com competência, prudência e fidelidade às crises institucionais, à luz da missão evangelizadora da Igreja. Participam assessores de comunicação, presbíteros, religiosos, jornalistas católicos, membros de comissões de comunicação, canonistas e agentes de pastoral.

DESAFIOS INSTITUCIONAIS

Na abertura do curso, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Grão-Chanceler da FACDCSP, ressaltou que a proposta nasceu de situações concretas enfrentadas pelas instituições eclesiais e destacou a importância de uma comunicação adequada nos momentos de crise. Segundo ele, quando a comunicação é “mal feita, equivocada ou não feita”, abre-se espaço para narrativas que podem prejudicar as instituições. “Por isso é tão importante que haja sabedoria na gestão da comunicação em momentos de crise”, afirmou.

Dom Odilo também manifestou satisfação pelo grande número de inscritos e pela participação de especialistas de diferentes áreas na formação.

Em nome do Regional Sul 1 da CNBB, o Padre Luís Fernando da Silva, Secretário-executivo, transmitiu a mensagem de Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto (SP) e Presidente do Regional, que salientou que preparar-se para situações de crise não significa simplesmente proteger a imagem institucional, mas “agir com verdade, responsabilidade, serenidade e discernimento, preservando pessoas, relações e a credibilidade da instituição”. Na Igreja, acrescentou, a comunicação “não é apenas estratégia, é também serviço à verdade, à comunhão e à missão”.

EVANGELIZAÇÃO E IA

A aula inaugural, com o tema “Os desafios da evangelização na era da inteligência artificial”, foi proferida por Dom Valdir José de Castro, Bispo de Campo Limpo (SP), Presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e membro do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé.

Dom Valdir partiu da evangelização como missão própria da Igreja para situar a comunicação para além do simples emprego de meios e técnicas. Entre os desafios atuais, apontou a necessidade de cultivar um estilo cristão de presença no ambiente digital, marcado por uma comunicação honesta, responsável e respeitosa, e de recuperar a “sabedoria do coração” diante de um tempo que corre o risco de ser “rico em técnica e pobre em humanidade”.

VERDADE E COMUNHÃO

O Bispo destacou ainda uma comunicação “desarmante” e “desarmada”, marcada pela mansidão e proximidade; o compromisso com a verdade diante da de-sinformação potencializada pela inteligência artificial; e a superação das polarizações e conflitos favorecidos por ambientes informativos fragmentados e algoritmos que privilegiam o confronto.

Também ressaltou que a presença eclesial no ambiente digital deve superar iniciativas meramente individuais. Em vez de “influencers individuais”, os cristãos são chamados a ser “tecelões de comunhão”, agindo como comunidade. Abordou, ainda, a formação para o senso crítico, especialmente dos jovens, o uso de uma linguagem evangélica e a integração entre as experiências presenciais e digitais.

PRESENÇA CRISTÃ

Ao agradecer a Dom Valdir pela conferência realizada, o Padre Michelino Roberto, Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação, falou sobre os desafios éticos da evangelização no contexto da digitalização e da inteligência artificial. Retomou especialmente a comunicação como serviço à comunhão, ressaltando que comunicar não consiste apenas em difundir ideias, mas em “estabelecer relacionamentos e gerar comunhão”, inclusive por meio de uma presença pessoal coerente, evangelizadora, ética e cristã.

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