
Com o objetivo de aprofundar a compreensão teológica, litúrgica e musical na celebração, abordando temas como o canto da assembleia, o repertório próprio da missa e a missão dos músicos litúrgicos, foi realizado na Faculdade de Teologia da PUC-SP, entre 21 e 25 de janeiro, em parceria com a São Paulo Schola Cantorum, o curso de Imersão em Música Sacra e Litúrgica.
Ao longo dos cinco dias, os 180 participantes, de mais de 50 dioceses do Brasil, refletiram sobre como o serviço musical deve ser pautado pela fidelidade à Igreja, pela beleza estética e pelo espírito eclesial.
MISSÃO DOS MÚSICOS
Delphim Rezende Porto, organista, cravista e regente, foi um dos responsáveis pela iniciativa. Doutor em Musicologia pela ECA-USP, ele é, desde 2019, diretor de música da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção. Em seu entender, a realização do curso responde a uma necessidade concreta da Igreja no Brasil: “Temos uma grande carência musical. Reunir esse grupo significa promover, nas comunidades, uma devolutiva: estimular os músicos a construírem um cântico que seja solene, bonito, bem estruturado, mas também comunitário, acessível e expressão de uma Igreja que se preocupa com a difusão do Evangelho”.
O Regente recordou que o último curso presencial dessa dimensão havia sido promovido antes da pandemia. “Depois disso, não foi mais possível realizar formações presenciais desse porte. Ainda assim, mantivemos uma intensa atividade on-line, com lives, encontros e materiais formativos, o que fez com que muitos músicos de todo o Brasil conhecessem nosso trabalho”, explicou. “Muitos corais deixaram de existir. Este curso marca um tempo de retomada, de reconstrução e de esperança”, complementou.
TRANSMITIR O PATRIMÔNIO MUSICAL

Para os cursistas, um dos momentos mais significativos da programação foi participar da celebração da missa na Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, em 25 de janeiro, no aniversário da capital paulista.
“Ao reunir tantas vozes e instrumentos, tive claramente a sensação de que reinaugurávamos uma nova fase para a música litúrgica”, relatou Delphim. A Imersão também foi marcada pela presença do Padre José Weber, 93 anos, referência da música litúrgica no Brasil. “Ele dedicou sua vida à causa de uma música litúrgica que une coro e povo em um só cântico”, destacou Delphim.
Para o Regente, o momento vivido no curso expressa também a transmissão desse legado às novas gerações. “Estamos passando essa missão a outros irmãos, para que o patrimônio musical construído a partir do Concílio Vaticano II — do qual o Padre Weber foi grande assessor junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil — se fortaleça e se espalhe com boa teologia e técnica musical”, afirmou.
CANTAR A LITURGIA

Durante o curso, o Cardeal Odilo Pedro Scherer falou aos participantes, incentivando-os a perseverarem no serviço à Igreja por meio da música.
“A Liturgia é muito rica também nas questões relativas ao canto litúrgico. É uma riqueza que se renova e traz novidades. Fico feliz com a participação de todos e faço votos de que possam levar para suas comunidades os frutos deste encontro”, afirmou o Arcebispo Metropolitano.
À reportagem, alguns participantes relataram que puderam viver a comunhão eclesial ao longo do curso. “Foi possível vivenciar de forma concreta o sentido de cantar a Liturgia, uma experiência única de conhecimento para nós que servimos na música na Igreja”, afirmou Viviane Regina Vidotti, 53 anos, conselheira da Pastoral da Música e regente do coro da Catedral Sagrado Coração de Jesus, em Sinop (MT).
Também para o Padre Marcos da Cruz, Vigário da Catedral São João Batista, da Diocese de Cametá (PA), e responsável pelo Coral Diocesano Lira Angélica, “participar da Imersão foi um momento de aprofundar conhecimentos para melhor servir à Igreja neste trabalho da música litúrgica, da música sacra”. Com ele, 14 pessoas daquela Diocese participaram do curso e agora já há a intenção de iniciar a Comissão de Música Litúrgica, para “implantar algo efetivo, concreto, na música celebrativa”, disse o Sacerdote.





