
Realizado no Rio de Janeiro, entre 26 e 30 de janeiro, o 35º Curso para Bispos teve como tema “A Transmissão da Fé em um Mundo em Transformação”. A temática foi destaque também no programa Diálogo dos Bispos, exibido pela Rede Vida de Televisão, com a participação do Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo de Brasília (DF), e de Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, em um diálogo marcado pela profundidade teológica, sensibilidade pastoral e atenção aos desafios colocados à sociedade.
Dom Paulo destacou que a missão de anunciar Jesus Cristo é responsabilidade de todo batizado: quem se encontrou com o amor de Cristo recebe também a missão de o comunicar aos outros, com palavras e, sobretudo, com a vida, em uma consciência amadurecida especialmente após o Concílio Vaticano II, que atravessa o magistério recente da Igreja e se renova no pontificado do Papa Leão XIV, convidando todos a um compromisso missionário cotidiano.
Dom Carlos Lema, por sua vez, trouxe um olhar histórico e pastoral, recordando que desde os primeiros cristãos, a Igreja vive o choque com culturas diversas e, ainda assim, encontra caminhos para anunciar o Evangelho. Da Roma antiga às grandes transformações sociais, da imprensa às universidades, das navegações às novas tecnologias, a Igreja sempre soube assumir o que há de bom em cada época para colocar tudo a serviço da fé.
Tecnologias, vida pastoral e santidade
Ao abordar o mundo digital, ambos ressaltaram que a internet, as redes sociais e até a inteligência artificial não devem ser temidas, mas discernidas e evangelizadas, para que o Evangelho também habite esses ambientes, com linguagem adequada e testemunho autêntico, alcançando especialmente as novas gerações.
Nesta perspectiva, Dom Carlos recordou o exemplo de São Carlo Acutis (1991-2006), o “Apóstolo da internet”, que com simplicidade, amor à Eucaristia e criatividade evangelizadora, mostrou que é possível santificar os meios digitais, colocando-os a serviço da fé e do bem comum, tornando-se referência concreta para os jovens de hoje.
Os bispos também falaram sobre a vida pastoral das paróquias, sublinhando que todas as pastorais são, de algum modo, espaços de catequese: seja no cuidado com os idosos, no acolhimento aos migrantes, no serviço aos pobres, nas visitas aos doentes ou no acompanhamento das famílias, o anúncio de Jesus Cristo deve estar sempre presente, unido ao gesto concreto de caridade.
Dom Paulo lembrou que o testemunho arrasta mais do que as palavras, retomando a intuição de Paulo VI: as pessoas escutam com mais atenção quem vive aquilo que anuncia. Por isso, formar agentes de pastoral é formar discípulos missionários, capazes de falar de Deus a partir de uma experiência pessoal de encontro com Cristo.
No diálogo, eles também ressaltaram que a violência jamais constrói a paz, e que o caminho cristão é o do diálogo, da correção fraterna, do perdão e da reconciliação, seguindo o exemplo de Cristo na cruz e o testemunho marcante de São João Paulo II, que perdoou publicamente quem atentou contra sua vida.
Por fim, refletiram vocação universal à santidade e para a identidade da Igreja como povo de Deus: não apenas seus ministros ordenados, mas todos os batizados são chamados a aprender continuamente e a testemunhar a fé onde vivem, para que cada gesto, cada palavra de esperança e cada anúncio sincero do Evangelho testemunhem a missão da Igreja no mundo.
Por Comunicação
Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade




