Em curso, é destacada a missão dos secretários paroquiais em vista da evangelização

(Reprodução da internet0

Um curso de extensão on-line realizado pela Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo reuniu mais de 1,6 mil pessoas para tratar do trabalho e da missão dos secretários paroquiais.

Em quatro noites do mês de setembro, a formação aprofundou aspectos pastorais, psicológicos, canônicos e de gestão paroquial para o atendimento nas secretarias e as responsabilidades desses profissionais.

Humanização

Já na primeira aula, o Padre Cícero Alves de França, mestre em Teologia da Espiritualidade pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, enfatizou que a secretaria paroquial não é apenas um “escritório para resolução de situações burocráticas” e, portanto, os secretários lidam com pessoas que, naturalmente, são indivíduos complexos, dotados de sentimentos e emoções. Por isso, é necessário o devido preparo para realizar esse atendimento.

Nesse sentido, o Sacerdote apresentou alguns elementos essenciais para um bom atendimento paroquial, como a empatia, escuta ativa, que faça com que as pessoas se sintam compreendidas. Por isso, um aspecto fundamental é a capacidade de escutar.

Padre Donizete José Xavier, doutor em Teologia Fundamental, abordou as implicações pastorais do secretariado paroquial. Para isso, ele tomou como referência a exortação apostólica Evangelii gaudium, na qual o Papa Francisco trata do acolhimento e da ternura na ação evangelizadora. Nesse sentido, o professor provocou a reflexão: “A secretaria paroquial é um espaço de ternura, humanização, acolhida e serviço?”

De forma prática, Padre Donizete reforçou a necessidade de dar atenção à maneira como se fala, enfatizando que é possível orientar a respeito das normas da Igreja em relação aos sacramentos, por exemplo, com caridade.

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Burocracia x Pastoral

Padre Everton Fernandes Moraes, doutor em Direito Canônico, Diretor da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo e Chanceler da Cúria Metropolitana de São Paulo, falou dos aspectos canônicos e práticos da secretaria paroquial.

“Qual é o sentido que existe na documentação solicitada, nas fichas preenchidas, nos livros averbados? Devemos superar a ideia de que isso se trata de uma burocracia desnecessária. Todos os aspectos canônicos estão em benefício da pastoral realizada em favor do povo de Deus”, afirmou o Chanceler, ao introduzir o tema.

Recordando que os sacramentos são “ações de Cristo e da Igreja” que existem para a santificação das pessoas, Padre Everton frisou: “Quando uma pessoa procurar a secretaria pedindo, por exemplo, o Batismo para seu filho e o senhor ou a senhora entregar a ficha, tiver que fazer perguntas, ter paciência e realizar outros atos jurídicos prévios à celebração do sacramento, tenha em mente que tudo isso está em favor das pessoas, para que experimentem mais eficazmente a graça santificante”.

Critérios da Igreja

O canonista sublinhou a importância de os atendentes paroquiais conhecerem bem os critérios estabelecidos pela Igreja das diferentes instâncias de autoridade, recordando que, como estabelece a legislação canônica, os sacramentos não podem ser negados “àqueles que oportunamente pedirem e estiverem devidamente dispostos e pelo direito não se encontrarem impedidos de recebê-los”.

“Na secretaria paroquial, não estabelecemos outros critérios, mas cumprimos aqueles estabelecidos pela Igreja”, frisou o Chanceler, salientando que a Igreja se reconhece como “dispensadora da graça de Deus” e, por isso, nas secretarias paroquiais não devem ser multiplicados dispositivos que, em vez de auxiliar o cumprimento da sua missão, a impedem de realizá-la. A esse respeito, Padre Everton também lembrou que, em diversas ocasiões, o Papa Francisco falou da necessidade de ser superada a mentalidade de uma “pastoral alfandegária”.

Gestão

A última aula foi ministrada por Dom Edson José Oriolo dos Santos, Bispo de Leopoldina (MG), mestre em Filosofia e autor de diversas publicações sobre Administração e Gestão Paroquial.

O Bispo recordou que a função do secretário paroquial é relativamente recente na história da Igreja, datada da década de 1980. Antes disso, essas tarefas eram geralmente realizadas pelos párocos. Com o passar do tempo, foram desenvolvidas as secretarias para que os sacerdotes pudessem se dedicar mais àquilo que é próprio de seu ministério, especialmente a celebração dos sacramentos e o cuidado espiritual dos fiéis.

Outro aspecto sublinhado pelo Bispo é que a Igreja é uma instituição que possui uma personalidade jurídica que mantém um vínculo empregatício com colaboradores como os secretários paroquiais. Por isso, as questões trabalhistas concernentes a esse serviço precisam ser bem claras, como as atribuições dessa função e seus respectivos direitos devem ser assegurados, assim como suas responsabilidades e deveres próprios previstos pelo vínculo.

Por outro lado, Dom Edson recordou que, mesmo sendo uma pessoa jurídica, a Igreja tem uma missão específica, e o profissional que nela trabalha precisa ter clareza dessa missão. “Além do profissionalismo, os secretários paroquiais precisam entender esse serviço como uma missão. Isso significa trabalhar com amor, com dedicação, ou seja, em outras palavras, ‘vestir a camisa’ da instituição onde trabalham”, disse.

Aprendizado

Luiza Elizabeth Richardo, 68, tem experiência de 24 anos como secretária em diferentes paróquias. Atualmente, trabalha na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba, na Região Episcopal Brasilândia da Arquidiocese de São Paulo. Para ela, o curso foi muito importante para atualizar o conhecimento a respeito da missão, tirar dúvidas e avaliar a caminhada.

“Valeu muito a pena. Penso que todos os secretários e secretárias deveriam ter essa oportunidade de formação”, afirmou Luiza, ressaltando que o fato de ser on-line facilita o acesso de mais pessoas ao curso.

A secretária também compartilhou sua esperança de que haja outras formações que não só aprofundem as temáticas tratadas nesse primeiro curso, como destaquem outros aspectos da vida dos secretários. “Temas como a espiritualidade dos secretários e um aprofundamento sobre os sacramentos nos ajudariam muito a realizar o nosso trabalho de atendimento às pessoas que buscam mais informações sobre as celebrações da Igreja.”

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