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Em sessão solene na Câmara é destacada a CF 2026 e a urgência de moradia digna

Uma sessão solene realizada na quarta-feira, 18, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), homenageou a Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano tem como tema “Fraternidade e Moradia”.

O evento reuniu representantes da Igreja, pastorais sociais e movimentos populares para refletir sobre a crise habitacional no país e reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.

Em sessão solene na Câmara é destacada a CF 2026 e a urgência de moradia digna - Jornal O São Paulo
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A cerimônia teve início com a exibição do vídeo do hino da Campanha e contou com pronunciamentos de representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): Dom José Valdeci, Presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora; Padre Jean Poul, Secretário-executivo de Campanhas da CNBB; além de membros de pastorais e movimentos sociais ligados à moradia, população em situação de rua e migrantes.

UMA HISTÓRIA DE COMPROMISSO SOCIAL

Dom José Valdeci destacou a trajetória da Campanha da Fraternidade desde sua origem, em 1962, no Rio Grande do Norte, inicialmente como iniciativa de arrecadação para ações caritativas, mas que rapidamente assumiu um papel formativo e de conscientização social.

Segundo ele, ao longo das décadas, a Campanha acompanhou os desafios históricos do país e da América Latina, sendo influenciada por marcos como o Concílio Vaticano II e as conferências Medellín e Puebla. Também mencionou a contribuição de documentos como a encíclica Populorum Progressio, de Papa Paulo VI, que reforça a necessidade de um desenvolvimento integral.

Dom José ressaltou ainda que, com a redemocratização do Brasil, a Campanha passou a abordar temas centrais para a construção da cidadania, contribuindo para debates que influenciaram legislações importantes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Ao final, destacou a mensagem de apoio do Papa Leão XIV, que incentiva a criação de políticas públicas de habitação. “Que ninguém seja privado das necessidades sagradas de todo ser humano: terra, teto e trabalho”, afirmou.

DÉFICIT HABITACIONAL E DESIGUALDADE

O Padre Jean Poul trouxe dados que evidenciam a gravidade da crise habitacional no Brasil. Segundo ele, mais de 6 milhões de famílias não possuem moradia, enquanto outras 26 milhões vivem em condições inadequadas. Além disso, mais de 327 mil pessoas estão em situação de rua.

Ele ressaltou que o problema vai além da falta de casas, sendo reflexo de desigualdades estruturais históricas.

“Questionar a desigualdade habitacional é questionar a desigualdade social no Brasil”, afirmou, apontando fatores como concentração fundiária, especulação imobiliária e limitações no investimento público.

O Sacerdote também destacou o chamado da Campanha para mobilizar toda a sociedade – incluindo o poder público – em uma força-tarefa por moradia digna, defendendo políticas como despejo zero e programas habitacionais mais eficazes.

‘MORADIA É DIREITO, NÃO MERCADORIA’

O coordenador da Pastoral da Moradia e Favela, Marcelo Guimarães, reforçou o caráter urgente do tema, classificando como “escandaloso” o fato de grande parte da população viver em condições precárias em um país com tantos recursos.

Ele criticou a naturalização da desigualdade urbana e a lógica que transforma a moradia em mercadoria.

“Nosso povo foi levado a acreditar que moradia não é um direito, mas algo que cada um precisa resolver por conta própria”, afirmou.

Entre as propostas apresentadas, estão o fortalecimento de políticas públicas habitacionais, o incentivo à autogestão, a ampliação do orçamento para moradia popular e a criação de mecanismos de mediação de conflitos urbanos.

A coordenadora da Pastoral do Povo da Rua, Ivone Perassa, destacou a relação direta entre falta de moradia e aumento da população em situação de rua. Segundo ela, fatores como desemprego, alto custo dos aluguéis e uso de substâncias contribuem para o agravamento do problema.

“Quanto menos o dinheiro for tijolo e telhado, mais pessoas encontraremos nas ruas”, afirmou, ao pedir maior investimento em políticas públicas e atenção às pessoas mais vulneráveis.

Já Maria Ozania Silva, do Serviço Pastoral de Migrantes, chamou atenção para a realidade dos migrantes e refugiados, que enfrentam ainda mais dificuldades no acesso à moradia. Para ela, a falta de habitação não é uma fatalidade, mas consequência de escolhas políticas e econômicas.

CHAMADO À AÇÃO

A Campanha da Fraternidade 2026 convida à reflexão e à ação concreta para enfrentar a desigualdade habitacional, propondo um caminho baseado na justiça social, na solidariedade e na garantia dos direitos fundamentais.

Um dos momentos mais importantes da Campanha da Fraternidade é a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada nas comunidades católicas de todo o país. Em 2026, a coleta acontece nos dias 28 e 29 de março.

Saiba mais em: campanhas.cnbb.org.br

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