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Faculdade de São Bento fará simpósio sobre o legado do artista Cláudio Pastro

A Faculdade de São Bento de São Paulo realizará, no sábado, 17, o 4º Simpósio Memória, Arte e Espiritualidade, este ano com o tema “Atualidade do legado de Cláudio Pastro”, artista sacro falecido há 10 anos, em 19 de outubro de 2016.

Faculdade de São Bento fará simpósio sobre o legado do artista Cláudio Pastro - Jornal O São Paulo
Cláudio Pastro faleceu em 2016 (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO – Arquivo)

A proposta do encontro é ampliar o olhar sobre a produção de Cláudio Pastro, reunindo pesquisadores, religiosos, arquitetos e pessoas que com ele conviveram, a fim de discutir sua contribuição à arte sacra, à arquitetura, à liturgia e à espiritualidade.

Organizado pelos Grupos de Pesquisa de Estética e Arte Sacra e de Estética e Arte Sacra no Brasil da Faculdade de São Bento (GPEAS-FSB-SP) junto ao Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPEX- FSB-SP), o evento será realizado presencialmente, das 8h30 às 17h, no teatro da Faculdade.

INSPIRAÇÃO PARA ARTISTAS E ACADÊMICOS

Para a Profa. Dra. Lucia de Souza Dantas, coordenadora do GPEAS e docente das disciplinas de Estética da Faculdade de São Bento, os dez anos transcorridos desde a morte do artista permitem uma nova perspectiva sobre sua trajetória: “Pesquisas de mestrado e doutorado realizadas nos últimos anos já vêm revelando dimensões de sua produção que ultrapassam os trabalhos pelos quais ficou mais conhecido, ampliando o campo de investigação sobre o artista”.

De acordo com a Profa. Lucia, o conceito de legado também precisa ser compreendido para além da preservação das obras existentes: trata-se de investigar “aquilo que ela deixa como marca para os artistas que virão depois” e perguntar como Pastro será lido pelas próximas gerações e qual será sua presença na arte sacra brasileira.

É justamente essa passagem da memória para uma análise mais ampla que a Profa. mestra Christiane Meier, membro fundadora e pesquisadora do GPEAS, considera um dos motivos para a realização do simpósio neste momento. Para ela, Pastro morreu “no auge da sua carreira”, quando concluía o interior da Basílica de Aparecida, e os dez anos decorridos permitem começar a fazer um balanço histórico e acadêmico de sua produção.

Christiane observa ainda que muitos estudos permanecem concentrados na Basílica e defende que o conjunto da obra seja investigado, inclusive para ampliar o conhecimento sobre o artista no Brasil e no exterior.

Outro aspecto destacado pelas pesquisadoras é a maneira como Pastro incorporou diferentes referências à sua produção. Profa. Lucia observa que o artista ampliou o repertório da arte sacra brasileira ao dialogar com tradições paleocristãs, bizantinas e românicas e, simultaneamente, incorporar elementos da cultura brasileira, como referências às culturas indígenas e africanas, à fauna, à flora e às cores do país.

Segundo Christiane “Cláudio foi muito atual no seu traço, na sua forma, na sua linguagem, nas suas cores”, ressaltando que sua produção pode despertar interesse para além do público religioso ou cristão.

Essa relação entre tradição e contemporaneidade é outro ponto que o simpósio pretende colocar em discussão. De acordo com Lucia, um dos ensinamentos da obra de Pastro está na maneira como ele não reproduzia simplesmente referências históricas, mas as ressignificava a partir de uma linguagem própria e contemporânea.

“Na obra dele, a tradição nunca significou simples repetição”, explica. A reflexão ganha novos contornos diante das atuais possibilidades de criação e reprodução de imagens, inclusive com a Inteligência Artificial. Para a professora, a obra de Pastro mostra que tradição e inovação podem estabelecer uma relação criativa, desde que haja escolha, discernimento e consciência das referências utilizadas.

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MAIS SOBRE O EVENTO

O simpósio também chama atenção para a necessidade de preservar esse patrimônio. Christiane relata que obras instaladas em escolas, mosteiros, hospedarias e outros espaços correm risco diante de mudanças de uso dos edifícios. Segundo ela, algumas já precisaram ser retiradas e transferidas para locais onde possam ser preservadas. “É um patrimônio nacional e eu acho que cabe ao Brasil cuidar do seu patrimônio.” 

A programação do evento incluirá missa solene e duas sessões de conferências. Entre os participantes estão Madre Martha Lucia OSB, Prof. Dr. Gabriel Frade, Ir. Laíde Sonda, Prof. Dr. Márcio L. Fernandes e Dom Marcelo Molinero OSB, que abordarão diferentes aspectos da trajetória e da produção de Cláudio Pastro.

Há 300 vagas para a participação no evento, com inscrições pagas, com direito a certificado de participação.

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(Com informações da Ecoar Assessoria)

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