Médicos já usam plasma convalescente para tratar pacientes com Covid-19

A rede de plasma convalescente criada pelo Butantan conta com a participação principalmente de cidades do interior paulista

Reprodução

Usar o plasma convalescente doado por pacientes curados de Covid-19 para tratar pessoas infectadas com o SARS-CoV-2 é uma técnica utilizada em várias partes do mundo. No Brasil, o uso dessa parte do sangue rica em anticorpos ainda é uma terapia recente, mas efetiva. Marco Antônio Paes, 54 anos, de Itu, uma das cidades do estado de São Paulo cadastradas na rede de municípios para uso do plasma convalescente, organizada pelo Instituto Butantan, foi um dos primeiros pacientes a receber o tratamento. Aproximadamente 120 pessoas já utilizaram o plasma convalescente em todo o estado, utilizando 143 bolsas do líquido.  

O médico e diretor técnico do Hospital de Campanha de Itu, Vinícius Andriolo, foi quem cuidou de Marco. Segundo ele, o plasma dura cerca de dez dias no corpo do paciente. “A gente não tem nada de específico para a Covid-19. A chance que temos é fazer o tratamento mais rápido com o plasma. Um paciente chegou aqui com comorbidade, já com dois dias infectado, foi perfeito para o tratamento. Depois de sete dias, ele não tinha mais nenhum sintoma do vírus.” 

No mês de julho, Itu recebeu cinco bolsas de plasma convalescente, o que ajudou no tratamento de Marco. Vinícius tem a esperança de que mais pacientes e médicos possam aderir ao tratamento de plasma convalescente, sem desconfianças. “Existe uma resistência das pessoas para tudo que é novo, ainda mais no período que estamos, com tanta fake news. Mas nada se criou à toa. Foram feitos muitos estudos com a tecnologia para chegarmos a isso”, garantiu.

Além disso, o médico sabe a responsabilidade que tem por estar à frente do tratamento. “Um paciente estava ressabiado e me perguntou se eu faria esse procedimento na minha mãe. Eu disse que com certeza faria. Todo mundo é pai, mãe, irmã de alguém. Se a gente conseguir salvar uma vida, salvar a pessoa, já é sensacional”, concluiu. 

Sobre o plasma convalescente

O plasma convalescente é indicado para quem apresenta sintomas de Covid-19 há no máximo 72 horas. Os públicos-alvo são os imunossuprimidos, idosos e pacientes com comorbidades, ou seja, pessoas que têm mais dificuldade na defesa do organismo. É importante salientar também que o plasma convalescente não substitui o principal recurso de combate à Covid-19, as vacinas, já que não estimula as células de memória na defesa do organismo.

A técnica de uso de plasma convalescente já foi usada no tratamento de outras doenças, como H1N1 (gripe suína) e H5N1 (gripe aviária A). Para a Covid-19, a parte do sangue que contém o plasma é coletada de pessoas que já tiveram contato com o SARS-CoV-2 e aplicada em quem está desenvolvendo os sintomas da doença – de forma semelhante à doação de sangue. ”A gente calcula quantos mililitros de plasma vamos usar em relação ao peso do paciente. E a resposta imunológica já começa no terceiro dia de tratamento. Com a infusão do plasma, a gente fornece o anticorpo pronto”, explica Vinicius.

A rede de plasma convalescente criada pelo Butantan conta com a participação de cidades como Batatais, Boituva, Capão Bonito, Indaiatuba, Itapetininga, Itu, Jaú, Laranjal Paulista, Matão, Osasco, São Roque, Taquaritinga, Santos e Araraquara.

Para doar plasma, é só buscar um dos hemocentros participantes da rede de coleta de plasma convalescente. É preciso estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, evitar alimentação gordurosa antes da doação e apresentar documento original com foto.

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