
Por Benigno Naveira*
Faz parte da natureza do ser humano o dom de comunicar e se expressar. Afinal, fomos criados à imagem e semelhança de Deus, que nos enviou Seu Filho para transmitir a mensagem da salvação. Nesse processo, a escuta é o primeiro passo para o diálogo e para a boa comunicação. Não se trata apenas de ouvir, mas de escutar com o coração. Isso supõe aproximar-se do outro, prestando atenção ao que ele tem a dizer a partir de sua própria realidade existencial.
DIRETRIZES ESSENCIAIS PARA A ESCUTA
Conhecer a realidade da comunidade de fiéis e da paróquia é o caminho para qualquer comunicação verdadeira. A premissa é clara: antes de comunicar, é preciso saber escutar.
É o silêncio da escuta ativa – acolhendo as dores e as alegrias da comunidade – que permite constru-ir uma comunicação consolidada, confiante e fidedigna.
O CÍRCULO DE ARTICULAÇÃO DA PASCOM
De acordo com o número 251 do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, a Articulação é um dos quatro eixos fundamentais que sustentam a Pastoral da Comunicação (Pascom). Esse eixo tem o objetivo de conectar, integrar e animar as ações de comunicação com as demais pastorais, movimentos e com a comunidade em geral.
Para que a Pascom não trabalhe isoladamente, mas a serviço de toda a Igreja, é essencial manter um “vínculo de escuta” e diálogo constante com os demais coordenadores. Esse acolhimento mútuo promove uma integração planejada com setores como a Catequese, Liturgia, Juventude, entre outros.
PAPA FRANCISCO: ‘A ESCUTA CORRESPONDE AO ESTILO HUMILDE DE DEUS’

Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2022, o Papa Francisco exortou os jornalistas e profissionais da área a desenvolverem a capacidade de escutar. Sob o título “Escutar com o ouvido do coração”, o Pontífice afirmou que a escuta é decisiva para um diálogo autêntico e que a Igreja tem profunda necessidade de exercitá-la.
“Estamos perdendo a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações cotidianas quanto nos debates Igreja
sobre os assuntos mais importantes da convivência civil”, alertou o Papa, reiterando que a escuta “é o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros”.
DIÁLOGO COM DEUS E COM A HUMANIDADE
O Papa Francisco ressaltou que, na sociedade atual, a escuta experimenta um novo desenvolvimento no campo comunicativo e informativo. Ele citou o crescimento de podcasts e chats de áudio, como prova de que ouvir continua essencial.
Francisco explicou ainda que, a partir das páginas bíblicas, aprendemos que a escuta não é apenas uma percepção acústica, mas está ligada à relação de diálogo entre Deus e a humanidade. Ele recordou o Shema Israel (“Ouve, ó Israel” – Dt 6,4), que abre o primeiro mandamento, sublinhando que, entre os cinco sentidos, Deus parece privilegiar justamente a audição.
A REALIDADE PRÁTICA: DESAFIOS E VIVÊNCIAS NA VILA EDE
Para compreender como essa teoria se aplica no cotidiano paroquial, conversamos com a equipe da Pascom da Paróquia Santo Antônio de Lisboa, localizada na Vila Ede, Decanato São Tiago de Zebedeu da Região Santana. Participaram da conversa Milena Martins Marciliano, coordenadora da Pascom paroquial, e os agentes Matheus Vieira de Oliveira, Carolina Sampaio de Meireles e Nathalia Santos.
Quando questionado sobre o maior desafio atual do grupo, Matheus Vieira apontou a gestão das redes sociais e o alinhamento de tempo com a comunidade: “O maior desafio que a Pascom enfrenta hoje na Paróquia é a forma de divulgar as ações e a agenda nas redes sociais. Conciliar a nossa agenda com a dos membros de outras pastorais é difícil, pois dependemos da disponibilidade de voluntários. Outro ponto é a inclusão digital: nem todos estão acostumados ao manuseio das redes, o que exige que o nosso trabalho de divulgação seja ainda mais forte e didático”.
Para Milena Martins, caminhar em sintonia com a Paróquia exige desmistificar o papel do comunicador católico: “É um trabalho que parece simples, mas é um grande desafio. Ser Pascom não é apenas tirar fotos e gravar vídeos; é fazer com que as pessoas simples entendam, por meio dessas mídias, o que significa ser Igreja. A clareza vem de uma comunicação limpa e sem ruídos. Para ter visibilidade, precisamos primeiro nos comunicar bem internamente e nos encontros regionais. A ação fala mais alto do que as palavras: nosso papel é dar visibilidade ao outro, antes de nós mesmos”.
Ao falar sobre a percepção dos paroquianos a respeito da Pastoral, Carolina Sampaio destacou que o entendimento ainda é um processo em construção: “Muitas comunidades ainda não compreendem totalmente a importância da Pascom. Nosso papel essencial não é meramente informar, mas sim evangelizar, unir as pessoas e dar voz à Igreja”.
A agente Nathalia Santos enfatizou o papel espiritual da Pastoral como forma de evitar o esvaziamento de sentido: “Uma Pascom que não escuta é uma Pascom que não dialoga com o povo de Deus, tornando-se mera burocracia. Escutar com o coração é o diferencial que nos impede de virar um setor puramente técnico. Quando rezamos, escutamos melhor; e quando escutamos, a comunicação flui melhor”.
Por fim, Milena destacou o apoio fundamental do Padre Maurício José de Lima, Pároco, que incentiva ativamente o trabalho da equipe nos meios de comunicação paroquiais, apoio que culminou, recentemente, no lançamento do novo site da Paróquia.
*Benigno Naveira é jornalista, assessor de imprensa e membro da Pastoral da Comunicação (Pascom) da Região Lapa.


