O saldo das eleições no Brasil

MDB continua a ser o partido que mais comanda cidades no País. Na capital paulista, PSDB venceu com Bruno Covas em 2o turno

Com o término das eleições municipais, no domingo, 29 de novembro, após a disputa nas 57 cidades que decidiram seus prefeitos em 2o turno, o MDB se manteve como o partido que mais comanda municípios no Brasil: 784 ao todo, número inferior, porém, aos 1.035 prefeitos que conseguiu eleger em 2016.

Segundo partido com mais prefeitos eleitos, o PP saiu vitorioso em 685 cidades, número superior às 495 conquistadas em 2016; seguido pelo PSD, que avançou de 537 para 654 eleitos.

Neste ranking, o PSDB é o quarto colocado, tendo elegido 520 prefeitos, quantidade inferior aos 785 de quatro anos atrás.

Em números absolutos, o DEM foi o partido que mais cresceu em relação a 2016, passando de 266 eleitos para 464 (+75%).

Já o PT, assim como em 2016, decresceu: elegeu 183 prefeitos ante 254 de quatro anos atrás (-28%) e, pela primeira vez desde a redemocratização, não comandará uma capital estadual.

Em capitais

No cenário das 25 capitais em que houve eleições, o MDB sagrou-se vencedor em cinco – com destaque para Porto Alegre (RS), onde Sebastião Melo derrotou Manuela D’Ávila (PC do B).

Já o DEM comandará quatro cidades: Curitiba (PR), com Rafael Greca; Florianópolis (SC), com Gean Loureiro; Salvador (BA), com Bruno Reis; e Rio de Janeiro (RJ), com Eduardo Paes, que derrotou o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos).

O PSDB também terá prefeitos em quatro capitais, incluindo São Paulo, (leia mais abaixo) e Palmas (TO), com Cinthia Ribeiro, a única prefeita eleita em uma capital no Brasil.

Este quadro ainda poderá sofrer alterações após a realização das eleições em Macapá, no Amapá, onde o 1º turno foi adiado para o próximo domingo, 6, em razão do apagão que atingiu o estado em novembro. Em Brasília, não houve disputa de eleições municipais, pois o chefe do Executivo é o próprio governador do Distrito Federal.

Bruno Covas: ‘vamos transformar as nossas diferenças em consensos’

Com mais de 3,169 milhões de votos, o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas Lopes, 40, foi reeleito no último domingo, para administrar, até 2024, a maior cidade do Brasil.

O político do PSDB alcançou 59,38% dos votos válidos contra 40,62% de Guilherme Boulos (PSOL). Covas venceu em 50 das 58 zonas eleitorais da cidade.

O número de abstenções foi próximo ao do 1º turno: no último domingo, 2,769 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas na capital paulista, 30,81% do eleitorado. No dia 15 de novembro, não compareceram 2,632 milhões (29,29% do total de aptos a votar). No comparativo entre os dois turnos, houve queda no número de votos brancos e nulos, passando de 1,015 milhão para 880 mil.

Tom conciliador

Ao discursar já como prefeito reeleito, na noite do domingo, Bruno Covas agradeceu a confiança dos eleitores e àqueles que o apoiaram na campanha. Ele enfatizou que passadas as eleições, agora terá “o desafio de transformar a esperança em realidade” e apontou que “São Paulo não quer divisões, não quer confrontos” e que “é possível fazer política sem ódio”.

O tucano agradeceu ao adversário de disputa e deixou uma mensagem aos que votaram em Boulos: “Queria me dirigir a todos aqueles que acreditaram nele e depositaram o voto de confiança. Nós vamos governar para todos. A partir de amanhã [segunda-feira], não existe distrito azul e distrito vermelho, existe a cidade de São Paulo”.

Ainda em tom conciliatório, Covas, que assumiu a Prefeitura em abril de 2018 após a renúncia de João Doria para concorrer ao governo do estado de São Paulo, afirmou que irá governar, “com todos aqueles que acreditaram e com todos aqueles que não vieram somar forças conosco, mas que têm boas ideias e bons nomes para governar a cidade. Vamos transformar as nossas diferenças em consensos”.

Por fim, o prefeito reeleito pediu união, diálogo e trabalho conjunto pelo bem da cidade, a fim de combater as desigualdades, o coronavírus e viabilizar a realização de políticas públicas: “Nós temos que investir em saúde e educação. Temos que fazer da nossa gestão um mantra na busca de emprego, emprego, emprego e oportunidades, em especialpara os nossos jovens de periferia, que sofrem ainda mais as consequências desta crise econômica e social. As urnas falaram, e a democracia está viva. São Paulo mostrou que restam poucos dias para o negacionismo e para o obscurantismo”.

Candidato da coligação formada pelo PSDB, PP, Podemos, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV, PROS e o MDB – o partido do seu vice, Ricardo Nunes –, Covas contará com uma base aliada de 25 vereadores que se elegeram por estes partidos. Uma das pautas centrais em 2021 será a revisão do Plano Diretor Estratégico, que estabelece as prioridades em políticas públicas referentes ao uso e ocupação do solo, cuidado com o meio ambiente, mobilidade urbana, entre outros tópicos até 2030.

Saudação do Arcebispo de São Paulo

Ainda na noite de domingo, por meio de mensagem, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, saudou o prefeito reeleito de São Paulo observou que “a maioria dos eleitores depositou no senhor sua confiança, esperando ver realizados seus sonhos e esperanças. São Paulo, maior cidade do Brasil, precisa de uma boa gestão em favor de toda a população, com especial atenção para os mais pobres e vulneráveis, e para as áreas que mais necessitam da atenção do prefeito e da Prefeitura, com políticas públicas sábias, sem deixar no esquecimento nenhum habitante desta querida cidade”.

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