
Com a eleição presidencial decidida em 2º turno, no domingo, 25, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 64,25 milhões de votos (51,79% dos votos válidos), superando Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 59,82 milhões de votos (48,21% dos votos válidos), conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O petista, que completou 81 anos na terça-feira, 27, foi reeleito para seu quarto mandato à Presidência da República, em um pleito marcado pela redução nos percentuais de abstenção – 19,22% do eleitorado não compareceu às urnas, indicador inferior aos 21,08% do 1º turno e menor que os 20,58% do 2º turno da eleição presidencial de 2022 – e de votos brancos (1,12% do eleitorado ante 1,84% do 1º turno) e nulos (2,12% ante 2,93% da votação realizada em 4 de outubro).
AGRADECIMENTOS, CRÍTICAS E METAS
Em seu primeiro discurso após a vitória, Lula fez agradecimentos à juventude brasileira “que foi para a rua defender a democracia” e aos idosos e pessoas enfermas, com as quais se comprometeu com mais políticas públicas de atenção à saúde.
A ampliação de ações nas áreas de educação, especialmente para o desenvolvimento de tecnologias em inteligência artificial; de proteção às mulheres; e de segurança pública foram mencionadas pelo presidente, que também falou da intenção de “fazer o po-vo participar mais das nossas decisões” e de ampliar o espaço da comunicação digital em seu governo.
Lula avaliou que sua reeleição “venceu a intromissão vinda de fora para dentro por meio de plataformas digitais” e assegurou que estas serão reguladas no Brasil. Afirmou, ainda, que sua vitória representou “uma derrota do negacionismo”.
Por outro lado, afirmou que passadas as eleições, não tem mais “adversário” e assegurou: “No que depender de mim, este País só tem de ser civilizado. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos; foi eleito para governar com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso”.
RESPEITO À LIBERDADE RELIGIOSA
Lula também se comprometeu a respeitar todas as religiões e tratá-las em igualdade de condições: “Ao Estado laico, cabe garantir a liberdade religiosa plena, para que as pessoas possam praticar a sua fé com plenitude”.
Na segunda-feira, 26, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou mensagem ao presidente eleito e a seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), desejando que “o novo mandato seja marcado pela sabedoria, pelo espírito de serviço e pelo compromisso com o bem comum, fundamento de toda autêntica responsabilidade política”. Os bispos apontaram que a polarização, que atravessou a sociedade brasileira, não pode determinar o horizonte do próximo período de governo e reafirmaram a importância do fortalecimento das instituições, do respeito à Constituição federal, da promoção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência.
Na conclusão da mensagem, a CNBB diz que “respeitando a legítima autonomia entre a Igreja e o Estado, reafirma sua disposição de manter um diálogo institucional construtivo e de colaborar em iniciativas voltadas à defesa da vida e da dignidade do ser humano, ao bem comum, especialmente na promoção da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da paz”.
AMPLIAÇÃO DO HORÁRIO DE VOTAÇÃO GERA POLÊMICAS
O 2º turno foi marcado por polêmicas em relação aos transportes públicos, especialmente na Bahia. Em Salvador, por exemplo, a frota de ônibus não circulou integralmente na parte da manhã no domingo.
Diante dos relatos de problemas, a campanha de Lula acionou o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a prorrogação do horário de votação em todo o Brasil até as 19h. A campanha de Flávio também o fez, solicitando para alguns estados. Próximo das 17h, o ministro do STF Cristiano Zanin deliberou pela ampliação do horário de votação, mesma decisão tomada posteriormente pelo TSE. Entretanto, como boa parte das seções eleitorais já estavam fechadas, nem todos os eleitores puderam votar nas duas horas adicionais.
Em coletiva de imprensa na noite do domingo, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, assegurou ter “toda segurança no processo eleitoral”. Representantes de 46 países acompanharam o 2º tur-no das eleições no Brasil.
FLÁVIO NÃO RECONHECE O RESULTADO
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação destas eleições”, manifestou-se Flávio Bolsonaro após o TSE divulgar a vitória de Lula.
Na segunda-feira, o PL, partido do candidato derrotado, reconheceu a vitória do petista, mas ressaltou, em nota, que “os questionamentos levanta-dos precisam ser devidamente esclarecidos”.
Ainda na noite do domingo, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal, proibindo-o de deixar o Brasil. O senador está sendo investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de casas de apostas on-line para o acometimento de ilícitos. Flávio criticou a decisão: “Se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”
Até o fechamento desta edição, Flávio ainda não havia feito a entrega dos passaportes e seu paradeiro era desconhecido, mas havia rumores de sua ida para os Estados Unidos.
CNBB envia mensagem ao Presidente e Vice-Presidente reeleitos
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, enviou na segunda-feira, 26, uma mensagem ao Presidente e Vice-presidente reeleitos. Na mensagem, a Conferência expressa suas congratulações pela reeleição à Presidência da República, no segundo turno das eleições nacionais realizado em 25 de outubro de 2026.
(Com informações de G1, Agência Brasil e TSE)




