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Reeleito, Lula faz agradecimentos e traça metas de governo; Flávio não reconhece resultado

Reeleito, Lula faz agradecimentos e traça metas de governo; Flávio não reconhece resultado - Jornal O São Paulo
Ricardo Stucker/PR

Com a eleição presidencial decidida em 2º turno, no domingo, 25, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 64,25 milhões de votos (51,79% dos votos válidos), superando Flá­vio Bolsonaro (PL), que alcançou 59,82 milhões de votos (48,21% dos votos válidos), conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O petista, que completou 81 anos na terça-feira, 27, foi reeleito para seu quarto mandato à Presidên­cia da República, em um pleito marcado pela redu­ção nos percentuais de abstenção – 19,22% do elei­torado não compareceu às urnas, indicador inferior aos 21,08% do 1º turno e menor que os 20,58% do 2º turno da eleição presidencial de 2022 – e de votos brancos (1,12% do eleitorado ante 1,84% do 1º tur­no) e nulos (2,12% ante 2,93% da votação realizada em 4 de outubro).

AGRADECIMENTOS, CRÍTICAS E METAS

Em seu primeiro discurso após a vitória, Lula fez agradecimentos à juventude brasileira “que foi para a rua defender a democracia” e aos idosos e pessoas enfermas, com as quais se comprometeu com mais políticas públicas de atenção à saúde.

A ampliação de ações nas áreas de educação, es­pecialmente para o desenvolvimento de tecnologias em inteligência artificial; de proteção às mulheres; e de segurança pública foram mencionadas pelo presi­dente, que também falou da intenção de “fazer o po-vo participar mais das nossas decisões” e de ampliar o espaço da comunicação digital em seu governo.

Lula avaliou que sua reeleição “venceu a intromis­são vinda de fora para dentro por meio de platafor­mas digitais” e assegurou que estas serão reguladas no Brasil. Afirmou, ainda, que sua vitória represen­tou “uma derrota do negacionismo”.

Por outro lado, afirmou que passadas as eleições, não tem mais “adversário” e assegurou: “No que de­pender de mim, este País só tem de ser civilizado. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos; foi eleito para governar com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso”.

RESPEITO À LIBERDADE RELIGIOSA

Lula também se comprometeu a respeitar todas as religiões e tratá-las em igualdade de condições: “Ao Estado laico, cabe garantir a liberdade religiosa plena, para que as pessoas possam praticar a sua fé com plenitude”.

Na segunda-feira, 26, a Presidência da Conferên­cia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou mensagem ao presidente eleito e a seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), desejando que “o novo mandato seja marcado pela sabedoria, pelo espírito de serviço e pelo compromisso com o bem comum, fundamen­to de toda autêntica responsabilidade política”. Os bispos apontaram que a polarização, que atravessou a sociedade brasileira, não pode determinar o hori­zonte do próximo período de governo e reafirmaram a importância do fortalecimento das instituições, do respeito à Constituição federal, da promo­ção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência.

Na conclusão da mensagem, a CNBB diz que “respeitando a legítima autonomia entre a Igreja e o Estado, reafirma sua disposição de manter um diálogo institucional construtivo e de colaborar em iniciativas voltadas à defesa da vida e da dignidade do ser humano, ao bem comum, especialmente na promoção da justiça, da fraternidade, da solidarie­dade e da paz”.

AMPLIAÇÃO DO HORÁRIO DE VOTAÇÃO GERA POLÊMICAS

O 2º turno foi marcado por polêmicas em relação aos transportes públicos, especialmente na Bahia. Em Salvador, por exemplo, a frota de ônibus não cir­culou integralmente na parte da manhã no domingo.

Diante dos relatos de problemas, a campanha de Lula acionou o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a prorrogação do horário de votação em todo o Brasil até as 19h. A campanha de Flávio também o fez, solicitando para alguns estados. Próxi­mo das 17h, o ministro do STF Cristiano Zanin deli­berou pela ampliação do horário de votação, mesma decisão tomada posteriormente pelo TSE. Entretan­to, como boa parte das seções eleitorais já estavam fechadas, nem todos os eleitores puderam votar nas duas horas adicionais.

Em coletiva de imprensa na noite do domingo, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, assegurou ter “toda segurança no processo eleitoral”. Representantes de 46 países acompanharam o 2º tur-no das eleições no Brasil.

FLÁVIO NÃO RECONHECE O RESULTADO

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação destas eleições”, manifestou-se Flávio Bolsonaro após o TSE divulgar a vitória de Lula.

Na segunda-feira, o PL, partido do candidato derrotado, reconheceu a vitória do petista, mas res­saltou, em nota, que “os questionamentos levanta-dos precisam ser devidamente esclarecidos”.

Ainda na noite do domingo, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que Flávio entre­gasse seus passaportes à Polícia Federal, proibindo-o de deixar o Brasil. O senador está sendo investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de casas de apostas on-line para o acometimento de ilí­citos. Flávio criticou a decisão: “Se eu tivesse ganha­do as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”

Até o fechamento desta edição, Flávio ainda não havia feito a entrega dos passaportes e seu paradeiro era desconhecido, mas havia rumores de sua ida para os Estados Unidos.

CNBB envia mensagem ao Presidente e Vice-Presidente reeleitos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, enviou na segunda-feira, 26, uma mensagem ao Presidente e Vice-presidente reeleitos. Na mensagem, a Conferência expressa suas congratulações pela reeleição à Presidência da República, no segundo turno das eleições nacionais realizado em 25 de outubro de 2026.

(Com informações de G1, Agência Brasil e TSE)

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