São João da Cruz: Um poema à Santíssima Trindade

No mês em que é celebrado o Dia do Poeta, nesta terça-feira, 20, O SÃO PAULO dá sequência a série especial sobre santos da Igreja que entre seus escritos, deixaram poesias que evangelizam e edificam a fé.

Aos 21 anos, São João da Cruz sentiu-se chamado à vida religiosa e entrou na Ordem Carmelita. Em sua vida religiosa, serviu aos doentes como enfermeiro nas inúmeras visitas a hospitais que realizou. Reconhecido como pregador, místico, escritor e poeta, São João da Cruz faleceu aos 49 anos.

No romance sobre o evangelho “In principio erat verbum”, acerca da Santíssima Trindade, ele escreveu:

No princípio morava
o Verbo, e em Deus vivia,
nele sua felicidade
infinita possuía.
O mesmo Verbo Deus era,
e o princípio se dizia.
Ele morava no princípio,
e princípio não havia.
Ele era o mesmo princípio;
por isso dele carecia.
O Verbo se chama Filho,
pois do princípio nascia.
Ele sempre o concebeu,
e sempre o conceberia.
Dá-lhe sempre sua substância
e sempre a conservaria.
E assim, a glória do Filho
é a que no Pai havia;
e toda a glória do Pai
no seu Filho a possuía.
Como amado no amante
um no outro residia,
e esse amor que os une,
no mesmo coincidia
com o de um e com o de outro
em igualdade e valia.
Três pessoas e um amado
entre todos três havia;
e um amor em todas elas
e um só amante as fazia,
e o amante é o amado
em que cada qual vivia;
que o ser que os três possuem,
cada qual o possuía,
e cada qual deles ama
à que este ser recebia.
Este ser é cada uma,
e este só as unia
num inefável abraço
que se dizer não podia.
Pelo qual era infinito
o amor que os unia,
porque o mesmo amor três têm,
e sua essência se dizia:
que o amor quanto mais uno,
tanto mais amor fazia.

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