Voltar à igreja é prioridade de brasileiros após a pandemia, aponta estudo

Fiel participa de missa na Catedral a Sé, seguindo protocolo preventivo recomendado por autoridades sanitárias (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Informa, ligado à empresa Bateiah Estratégia e Reputação, revela que voltar a participar de celebrações e cultos é a atividade prioritária que a maior parte dos brasileiros, sobretudo os mais velhos, desejam retomar após a pandemia da COVID-19.

O levantamento que ouviu 1.455 pessoas em todo o país entre 8 e 27 de julho, mostra que 26,2% pretendem prioritariamente voltar aos seus templos quando a pandemia cessar. Outros 17,8% querem fazer turismo, enquanto 14,5% estão loucos para voltar a bater perna nos centros populares de comércio; 11,1% querem ir a restaurantes; 9,5% sonham em voltar para as academias de ginástica; e 8,7% querem retomar sua agenda cultural indo a teatros e a shows.

Para definir as amostras, a pesquisa levou em conta as faixas etárias e o gênero dos entrevistados, ponderados com base em dados censitários do IBGE. A margem de erro é de 2,6%, para um nível de confiança de 95%.

Ir à igreja é destaque entre os mais velhos. Essa é a intenção de 34,5% das pessoas com idade entre 40 e 49 anos, e de 33,1% dos entrevistados que têm 50 anos ou mais.

Restrições

Os idosos foram a parcela da população foi mais afetada pelas restrições da pandemia por fazerem parte do grupo considerado de risco para o desenvolvimento da forma grave da COVID-19.

Na Arquidiocese de São Paulo, durante o período mais restritivo da quarentena, entre março e junho de 2021, as missas com a participação de fiéis foram suspensas, continuando, contudo, a serem celebradas de forma privada pelos sacerdotes e transmitidas pelas mídias digitais e meios de comunicação.

Nessa ocasião, os fiéis foram convidados a celebrar o mistério pascal no âmbito da “igreja doméstica”, manifestando sua fé por meio de sinais e gestos, em comunhão com suas comunidades paroquiais.

“Eis que um vírus minúsculo está nos obrigando a repensar nossa ação evangelizadora e pastoral […]. Somos obrigados a nos repensar para alcançar o povo, para estar em contato com as pessoas, levando o Evangelho a elas, sendo sinal de conforto e esperança para tantos desalentados e outros tantos desiludidos e órfãos das ilusões da felicidade e salvação oferecidas pelo ter, o poder, o prazer e todas as promessas de vida e felicidade sem Deus”, escreveu o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em uma carta a toda a Arquidiocese, em 24 de março de 2020.

Flexibilização gradual

Higienização das mãos, uso de máscaras e distanciamento físico permanecem obrigatórios nas igrejas (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Após esse período, começou-se um plano de retomada gradual das atividades religiosas e pastorais nas igrejas, observando cuidadosamente as medidas preventivas recomendadas pelas orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por Termo de Cooperação para o funcionamento de igrejas, templos religiosos e afins, firmado em 28 de abril de 2020, entre a Prefeitura de São Paulo e um grupo de vereadores da capital.

Estes protocolos previam um número reduzido de fiéis nos templos, o respeito ao distanciamento entre as pessoas, o uso de máscaras, a higienização das mãos e dos locais de culto, entre outras medidas. Aos idosos e demais pessoas consideradas do grupo de risco, permanecia a recomendação de continuarem em casa, uma vez que ainda não havia vacina contra a COVID-19.

Para essa situação, o Cardeal Scherer recordou que a legislação canônica da Igreja já prevê que as pessoas impossibilitadas por razões justificáveis de participar presencialmente dos sacramentos aos domingos e dias santos já estão dispensadas do cumprimento desse preceito, recomendando-se que santifiquem esse dia por meio de um momento de oração ou acompanhem as celebrações pelas mídias, mesmo que essa forma não substitua a participação presencial dos sacramentos.

Esforço coletivo

Em março de 2021, o agravamento da pandemia, com recordes de mortes, infecções e ocupação de leitos hospitalares, levou a uma nova suspensão temporária das liturgias com a participação de fiéis nas igrejas, que só foram retomadas gradualmente na capital em meados de abril, mantendo-se todos os protocolos sanitários.

Reiteradas vezes, Dom Odilo ressaltou que, ao adotar tais medidas, a Arquidiocese aderia ao esforço coletivo para conter o avanço da COVID-19 na capital paulista.

(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Com o avanço da vacinação da população adulta na capital, as restrições de horário e de limite de público das atividades sociais e econômicas da capital paulista foram começaram a ser retiradas a partir de agosto, mantendo-se a obrigatoriedade do uso de máscaras e o distanciamento mínimo entre as pessoas, para evitar aglomerações.

Nas igrejas da Arquidiocese de São Paulo, permanecem esses protocolos e a recomendação de que as pessoas que apresentarem sintomas semelhantes ao da COVID-19 permaneçam em casa.

“Tudo é possível dentro das limitações e da prudência que este tempo nos impõe”, afirmou Dom Odilo, na ocasião da retomada gradual das atividades presenciais, sublinhando que a Arquidiocese de São Paulo continuará acompanhando as orientações das autoridades públicas sanitárias, consciente da responsabilidade com a proteção da saúde não apenas de seus ministros e colaboradores, como também de todo o povo.

(Com informações de O Globo e Correio Braziliense)

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