O que diz o Papa Francisco sobre o aborto?

(Foto: Vatican Media)

Ao longo de seus mais de oito anos de pontificado, o Papa Francisco reiterou seu posicionamento contrário ao aborto em documentos, discursos e entrevistas. Veja algumas dessas declarações:

“Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno. […] Não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou ‘modernizações’. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”

Exortação apostólica Evangelii Gaudium, n. 213-214 (24/11/13)

“Infelizmente, objeto de descarte não são apenas os alimentos ou os bens supérfluos, mas muitas vezes os próprios seres humanos, que acabam ‘descartados’ como se fossem ‘coisas desnecessárias’. Por exemplo, causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto, ou aquelas que são usadas como soldados, estupradas ou mortas nos conflitos armados, ou então feitas objeto de mercado naquela tremenda forma de escravidão moderna que é o tráfico dos seres humanos, que é um crime contra a humanidade.”

Discurso aos membros do corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé (13/01/14)

“Nos dias de hoje, para a economia que se implantou no mundo, onde no centro se encontra o deus dinheiro e não a pessoa humana, o resto é ordenado a isso, e o que não faz parte desta ordem é descartado. Descartam-se os filhos que são a mais, que incomodam ou que não é oportuno que nasçam… Os bispos espanhóis falaram-me, recentemente, sobre o número de abortos, e eu fiquei petrificado.”

Discurso à plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina (28/02/14)

“É necessário reiterar a mais firme oposição a qualquer atentado direto contra a vida, de modo especial a inocente e indefesa, e o nascituro no ventre materno é o inocente por excelência. […] Recordo uma vez, há muito tempo, que tive uma conferência com um grupo de médicos. Após a conferência […] saudei os médicos, falei com eles e um deles chamou-me à parte. Tinha consigo um pacote e disse-me: ‘Padre, quero deixar isto com o senhor. São estes os instrumentos que utilizei para fazer abortar. Encontrei o Senhor, arrependi-me e agora luto a favor da vida’. Ele entregou-me todos os seus instrumentos. Rezai por aquele bom homem! Quem é cristão tem sempre o dever deste testemunho evangélico: salvaguardar a vida com coragem e amor em todas as suas fases. Encorajo-vos a fazê-lo sempre com o estilo da vizinhança, da proximidade: que cada mulher se sinta considerada como pessoa, ouvida, acolhida e acompanhada.”

Discurso aos membros do Movimento Italiano para a Vida (11/04/14)

“O aborto acrescenta-se à dor de muitas mulheres, que agora trazem dentro de si profundas feridas físicas e espirituais, depois de ter cedido às pressões de uma cultura secular que desvaloriza o dom de Deus da sexualidade e o direito à vida dos nascituros.”

Discurso aos bispos da conferência episcopal do Botswana, África do Sul e Suazilândia (25/04/14)

“Uma vez que tudo está relacionado, também não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto. Não parece viável um percurso educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam e que, às vezes, são molestos e inoportunos, quando não se dá proteção a um embrião humano ainda que a sua chegada seja causa de incômodos e dificuldades.”

Encíclica Laudato Si’, n. 120 (24/05/14)

“O pensamento dominante propõe por vezes uma ‘falsa compaixão’, que considera uma ajuda para a mulher favorecer o aborto, um ato de dignidade proporcionar a eutanásia, uma conquista científica ‘produzir’ um filho considerado um direito em vez de o acolher como dom; ou usar vidas humanas como cobaias de laboratório presumivelmente para salvar outras. […] Quantas vezes ouvi objecções na minha vida de sacerdote. ‘Mas, dizei-me, por que se opõe a Igreja ao aborto, por exemplo? É um problema religioso?’ — ‘Não, não é. Não se trata de um problema religioso’ — ‘É um problema filosófico?’ — ‘Não, não é um problema filosófico. É um problema científico, porque se trata de uma vida humana e não é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema’ — ‘Mas não, o pensamento moderno…’ — ‘Mas, escuta, no pensamento antigo e no pensamento moderno, a palavra matar tem o mesmo significado!’”

Discurso aos participantes do congresso da Associação dos Médicos Católicos Italianos (15/11/14)

“O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes, dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer.”

Discurso ao Parlamento Europeu (25/11/14)

“Tu disseste que te aconselharam o aborto. Disseste: ‘Não, que nasça, tem direito a viver’. Nunca, nunca se resolve um problema eliminando uma pessoa. Nunca. Este é o regulamento dos mafiosos: ‘Há um problema, eliminemos este…’. Nunca.”

Discurso no encontro com algumas crianças doentes e seus familiares (29/05/15)

“Quando falamos do homem, nunca esqueçamos todos os atentados contra a sacralidade da vida humana. É atentado contra a vida o flagelo do aborto. É atentado contra a vida deixar morrer os nossos irmãos nas embarcações no canal da Sicília. É atentado contra a vida a morte no trabalho, porque não se respeitam as mínimas condições de segurança. É atentado contra a vida a morte por subalimentação. São atentados contra a vida o terrorismo, a guerra e a violência; mas também a eutanásia. Amar a vida é sempre cuidar do outro, desejar o seu bem, cultivar e respeitar a sua dignidade transcendente.”

Discurso aos participantes do encontro promovido pela Associação Ciência e Vida (30/05/15)

“Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai.”

Carta com a qual se concede a indulgência por ocasião do Jubileu da Misericórdia (01/09/15)

“A vítima inocente do aborto, as crianças que morrem de fome ou debaixo das bombas, os imigrantes que acabam afogados em busca dum amanhã, as pessoas idosas ou os doentes que olhamos sem interesse, as vítimas do terrorismo, das guerras, da violência e do narcotráfico, o meio ambiente devastado por uma relação predatória do homem com a natureza… em tudo isto está sempre em jogo o dom de Deus, do qual somos nobres administradores, mas não patrões. Por conseguinte, não é lícito iludir ou silenciar.”

Discurso no encontro com os bispos dos Estados Unidos da América (23/09/15)

“Cada vez mais o amor duradouro, fiel, consciencioso, estável, fecundo é objeto de zombaria e olhado como se fosse uma antiguidade. Parece que as sociedades mais avançadas sejam precisamente aquelas que têm a taxa mais baixa de natalidade e a taxa maior de abortos, de divórcios, de suicídios e de poluição ambiental e social.”

Homilia na abertura da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (04/10/15)

“O aborto não é um mal menor. É um crime. É eliminar uma pessoa para salvar outra. É aquilo que faz a máfia. É um crime, é um mal absoluto. […] O aborto não é um problema teológico: é um problema humano, é um problema médico. Mata-se uma pessoa para salvar outra (na melhor das hipóteses!) ou para nossa comodidade. É contra o Juramento de Hipócrates, que os médicos devem fazer. É mal em si mesmo, não um mal religioso – na raiz, não; é um mal humano. E, obviamente, uma vez que é um mal humano – como cada assassinato – é condenável.”

Conferência de imprensa no voo de regresso do México a Roma (17/02/16)

“Adotar é o ato de amor que oferece uma família a quem não a tem. É importante insistir para que a legislação possa facilitar o processo de adoção, sobretudo nos casos de filhos não desejados, evitando assim o aborto ou o abandono.”

Exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, n. 179 (19/03/16)

“Quando visitei a UTI neonatal, havia uma mulher que chorava, chorava, chorava diante dos seus gemeozinhos. Pequenininhos, mas belíssimos. O terceiro morreu: eram três, um morreu. E chorava pelo filho morto, enquanto acariciava os outros dois. O dom da vida! E eu pensava no ato de descartar os bebês antes do nascimento, esse crime horrendo: os jogam fora porque é melhor assim, é mais cômodo, é uma responsabilidade grande demais – é um pecado gravíssimo, não?”

Entrevista à TV2000 e InBlu Radio no encerramento do Jubileu da Misericórdia (20/11/16)

Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai.

Carta apostólica Misericordia et Misera (20/11/16)

“Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis ‘manjedouras de dignidade’: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.”

Homilia na noite de Natal (24/12/16)

“É terrível, dói na alma ouvir aquilo que ouvi uma vez, anos atrás, em Buenos Aires: uma mulher, boa, muito bonita, que se vangloriava de sua beleza, comentava, como se fosse natural: ‘É, precisei abortar porque a minha imagem é muito importante’. Esses são os ídolos: te levam pela estrada errada e não te dão felicidade.”

Audiência Geral (11/01/17)

“Quando eu era jovem, a professora ensinava-nos história e dizia-nos o que os espartanos faziam quando um bebé nascia com deficiência: levavam-nos ao cimo da montanha e lançavam-nos de lá para baixo, a fim de garantir “a pureza da raça”. E nós permanecíamos chocados: “Mas como se pode fazer isto, pobres bebês!”. Era uma atrocidade. Hoje fazemos o mesmo. Porventura, questionais-vos por que já não se veem anões pelas ruas? Porque o protocolo de muitos médicos — tantos, mas não todos — é perguntar: “Nasce com defeito?”. Digo-o com sofrimento. No século passado o mundo inteiro escandalizou-se pelo que os nazistas fizeram para obter a pureza da raça. Hoje fazemos o mesmo, mas com luvas brancas”.

Discurso à delegação do Fórum das Associações Familiares (16/06/18)

“A defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige-o o amor por toda a pessoa, independentemente do seu desenvolvimento”.

Exortação apostólica Gaudete et exultate, n. 101 (09/04/2018)

“Infelizmente, a cultura hoje predominante não promove esta abordagem: a nível social, o temor e a hostilidade em relação à deficiência induzem frequentemente à opção pelo aborto, configurando-o como prática de ‘prevenção’. Mas o ensinamento da Igreja a propósito deste ponto é claro: a vida humana é sagrada e inviolável, e o recurso ao diagnóstico pré-natal para finalidades seletivas deve ser desencorajado vigorosamente, porque é expressão de uma mentalidade eugénica desumana, que priva as famílias da possibilidade de acolher, abraçar e amar os seus filhos mais frágeis. Por vezes ouvimos: ‘Vós, católicos, não aceitais o abordo, é o problema da vossa fé!’. Não: é um problema pré-religioso. Nada tem a ver com a fé. Ela vem sucessivamente, mas não tem nada a ver: trata-se de uma questão humana, de um problema pré-religioso. Não carreguemos a fé com algo que não lhe compete desde o princípio. É um problema humano. Só duas frases nos ajudarão a entender bem isto: duas interrogações. Primeira pergunta: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? Segunda pergunta: é lícito contratar um assassino para resolver uma problemática? A resposta é vossa. Eis a questão! Não procuremos no religioso algo que diz respeito ao humano. Não é lícito! Nunca, jamais eliminar uma vida humana, nem contratar um assassino para resolver um problema”.

Discurso aos participantes no simpósio promovido pelo Dicastério para os Leigos, a família e a Vida (25/05/2019)

[O aborto] é mais do que um problema, é um homicídio, quem faz um aborto mata, sem meias palavras. Peguem qualquer livro sobre embriologia para estudantes de medicina. Na terceira semana após a concepção, todos os órgãos já estão lá, até mesmo o DNA… é uma vida humana, esta vida humana deve ser respeitada, este princípio é tão claro! Para aqueles que não conseguem entender, eu faria esta pergunta: é correto matar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um pistoleiro para matar uma vida humana? Cientificamente, é uma vida humana. É correto eliminá-la para resolver um problema? É por isso que a Igreja é tão dura nesta questão porque se ela aceita isto é como se aceitasse o assassinato cotidiano.”

Conferência de imprensa no voo de regresso da Eslováquia a Roma (15/09/21)

(Com informações de Sempre Família e Vatican News)

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