Entre as perguntas “como se produz riqueza?” e “para que ela serve?”, economia e teologia se encontram na dignidade da pessoa humana.

Se a economia procura responder como a riqueza é produzida, a teologia pergunta para que ela existe. São perguntas distintas, mas profundamente complementares. Uma sociedade pode alcançar elevado nível de produção e, ainda assim, perder de vista a finalidade maior da atividade econômica: promover a dignidade da pessoa humana e o bem comum.
A Doutrina Social da Igreja (DSI) ensina que o trabalho humano não é apenas um fator de produção. É expressão da própria vocação da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus. O desenvolvimento econômico, portanto, adquire sua plena legitimidade quando se coloca a serviço da vida e da promoção integral do ser humano. A tradição cristã sempre valorizou virtudes como a prudência, a responsabilidade e a esperança ativa. Essas virtudes sustentam o trabalho honesto e o empreendedorismo, reconhecendo que o progresso verdadeiro nasce da inteligência colocada a ser-viço da criação de valor.
Por essa razão, a DSI jamais con-denou a riqueza produzida de forma ética e responsável. Ao contrário, reconhece a legitimidade da proprie-dade privada e da livre iniciativa, desde que orientadas pelo bem comum. Todos aqueles que colocam seus talentos a serviço da sociedade tornam-se colaboradores da obra criadora de Deus. Nesse contexto, os princípios da dignidade da pessoa humana e do bem comum oferecem critérios seguros para o discernimento das escolhas individuais. A economia não pode ser reduzida à lógica dos números.
O desafio colocado diante do Brasil não consiste apenas em regulamentar um mercado. O desafio maior é fortalecer uma cultura que volte a valorizar o conhecimento, a educação, o trabalho e a responsabilidade como caminhos permanentes para a prosperidade.
A verdadeira riqueza de uma na-ção não se mede apenas pelo volume de recursos que circulam em sua economia, mas pela capacidade de seu povo de criar, produzir, empreender, inovar e servir ao próximo. É nesse ponto que economia e teologia se encontram. A primeira demonstra os caminhos da prosperidade material; a segunda recorda que toda prosperidade encontra seu sentido mais elevado quando promove a pessoa humana e fortalece a fraternidade.
O Brasil possui todas as condições para escolher esse caminho. Quando a inteligência se une ao trabalho e a liberdade econômica caminha ao lado da responsabilidade social, a riqueza deixa de ser apenas um indicador estatístico e torna-se instrumento de esperança, porque a verdadeira prosperidade não é fruto do acaso. Ela nasce da inteligência, do trabalho, da ética e da permanente capacidade humana de criar valor e de colocá-lo a serviço da vida.


