Esta memorável reflexão do Papa Francisco serve tanto para cada um de nós, em todas as dimensões de nossa vida moral, quanto para um juízo sobre a corrupção na política

A corrupção é o pecado que em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se tornou sistema, um hábito mental, uma forma de vida. Não sentimos necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificamo-nos e aos nossos comportamentos […] O pecador arrependido, que depois cai e recai no pecado por motivo da sua fraqueza, encontra novamente perdão quando reconhece que necessita de misericórdia.
O corrupto, por sua vez, é aquele que peca e não se arrepende […] Cansa-se de pedir perdão e acaba por acreditar que não deve pedir mais […] Uma pessoa pode ser uma grande pecadora e, no entanto, não ter caído na corrupção. Aludindo ao Evangelho, penso no exemplo das figuras de Zaqueu, de São Mateus, da samaritana, de Nicodemos, do bom ladrão: nos seus corações pecadores, todos tinham alguma coisa que os salvava da corrupção. Estavam abertos ao perdão, o seu coração pressentia a sua fraqueza, e isso foi a abertura que permitiu entrar a força de Deus.
O pecador, ao reconhecer-se como tal, de alguma forma admite que aquilo a que aderiu, ou adere, é falso. Por sua vez, o corrupto esconde aquilo que considera o seu verdadeiro tesouro, aquilo que o torna escravo, e disfarça o seu vício com a boa educação, arranjando sempre uma forma de salvar as aparências.
FRANCISCO, Papa; TORNIELLI, Andrea. O Nome de Deus é Misericórdia. São Paulo: Planeta, 2016.


