A política é a forma mais perfeita da caridade

A frase do título é assinada por ninguém menos que o Papa Pio XI (1857-1939). Vale sublinhar que, em termos evangélicos, caridade não é só esmola e assistencialismo, mas garantia de condições reais de vida a toda pessoa humana. Faltando poucos meses para as eleições no Brasil, convém ter presente alguns princípios da Doutrina Social da Igreja. Não se trata de apontar nomes, e sim de rever os critérios fundamentais para o exercício da autoridade como serviço e não tanto como poder. 

De início, o horizonte primordial de toda política é a busca do bem comum. Ou seja, o maior bem para o maior número possível de pessoas. Semelhante compromisso exclui todo tipo de atalhos escusos e escuros, no sentido de tentar privilegiar interesses pessoais e familiares, de amigos ou compadres. Corporativismo, balcão de negócios, toma lá dá cá, compra e venda de influência, corrupção e outras práticas conhecidas estão fora da agenda de um verdadeiro político. 

Se a atitude moral é sempre relevante, não é suficiente. As autoridades eleitas para representar a população, além de figurarem como modelo de testemunho, são chamadas a trabalhar pela justiça e a paz. Na encíclica Populorum progressio, de 1967, São Paulo VI afirma que “o desenvolvimento é o novo nome da paz”. Não bastam o progresso técnico e o crescimento econômico por si sós. Não basta aumentar a produção de bens e serviços. Estes devem caminhar juntos com um empenho pela distribuição justa de tudo o que é produzido pelo trabalho humano. 

Com frequência, ocorre que a democracia no campo visível da política não chega aos mecanismos invisíveis da economia. É como se a democracia navegasse nas ondas superficiais da sociedade, sem modificar as correntes profundas do modo de produção, comércio e consumo. Daí a espiral perversa da acumulação: de um lado, crescem a renda e a riqueza de um punhado de poderosos; de outro, cresce a exclusão social de grande parte da população. “Ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres”, alertava São João Paulo II. 

O regime democrático exige mudanças urgentes e necessárias em todo o edifício social. Se a meta a ser alcançada é o desenvolvimento integral, a política deve ser organizada no sentido de oferecer oportunidades iguais a todos os homens e mulheres. O retrato do desemprego e subemprego; da pobreza, miséria e fome; da falta de moradia, educação e saúde; da precariedade e vulnerabilidade de milhões de trabalhadores; da violência e do ódio!… Enfim, a violação dos direitos básicos – apontam para um Brasil como “terra de contrastes”, nas palavras de Roger Bastide. 

Nestes 200 anos de autonomia política, cabe, pois, a pergunta do Grito dos Excluídos: (in) dependência para quem? E cabe o parênteses no prefixo “in”, dadas as contradições do projeto político atual. Mas cabe, de modo todo particular, a atenção do(da) eleitor(a) na escolha de seus representantes. Torna-se imperativo superar a crise, o caos, a barbárie e o negacionismo para os quais o País vem perigosamente escorregando. 

Padre Alfredo José Gonçalves, CS, pertence à Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos). 

3 comentários em “A política é a forma mais perfeita da caridade”

  1. O regime político atual no Brasil é muito parecido com os tempos das indulgências. Hoje o poder é a meta daqueles que querem ter em suas mãos o povo, e assim lutam para que eles sejam cada vez mais massa de manobra para tê-los em suas mãos. Usam da cleptocracia, do dinheiro público para conseguirem o poder e empobrecer e escravizar o povo. Oremos com todas as nossas forças para que Deus abençoe as mentes e não devolva ao poder bandidos que saquearam os cofres públicos, deixando o país num caos moral e econômico.

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  2. A política hoje, engessada por um Supremo Tribunal Federal que impõe sua “ordens”, impede a sociedade de defesa (Rio Janeiro), solta bandidos que saquearam o país para concorrer às eleições, nos preocupa! Qual a intenção de fazer voltar ao poder os que dilapidaram os cofres públicos, que sucatearam a educação, que empobreceram ainda mais os desvalidos? Devemos nos preocupar e muito, pois se hoje os desvalidos contam com 600 reais mês, no futuro poderão ver esse valor, modesto reconheço, mas um grande montante pelo númerode beneficiados, enriquecendo as ditaduras vizinhas. Vigiemos, oremos e não sejamos “negacionistas”, cegos que se recusam a enxergar o óbvio! O comunismo não é de Deus! O comunismo apoia aborto, acaba com a família e a religião!

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  3. Excelente artigo! Correto do começo ao fim! Nossa missão como católicos é EXTIRPAR O CÂNCER que hoje ocupa o poder central no Brasil! Vamos à luta!

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