Chegamos ao momento do ano em que a rotina escolar recomeça. Muitos seguem para a próxima etapa – turma seguinte – e outros iniciam essa experiência escolar. O importante é que os pais saibam que tanto para uns quanto para outros, há uma adaptação. Uns estão conhecendo a realidade escolar agora e precisarão de segurança para fazer isso de modo positivo; outros, embora já a conheçam, deparar-se-ão com novos desafios: colegas diferentes, níveis de exigência e de dificuldade maiores, rotina diferente, atividades mais complexas e expectativa de postura mais madura… enfim, o processo escolar é ascendente e isso o torna um constante desafio aos alunos, especialmente aos de educação infantil e fundamental séries iniciais.
Existem algumas situações comuns e que os pais precisam saber:
– Chorar na entrada da escola é comum, principalmente para os pequenos. Eles estão se distanciando de vocês e ingressando em uma rotina, que por mais personalizada que se proponha a ser, tem a característica de ser um convívio em grupo – não será o único a ter atenção, não terá todos os brinquedos ao seu dispor, não contará com o mimo ou o beijinho da mamãe a cada pequeno “aperto” do cotidiano. Além disso, para os que estão iniciando, trata-se de algo que ainda não sabem como é, novidade pode trazer insegurança e isso faz parte da vida.
– Ficar bem nos primeiros dias e, depois de algum tempo, começar a chorar e rejeitar a ideia de ir à escola também acontece com frequência. Imediatamente, surge na cabeça dos pais a certeza: ‘algo aconteceu, não seria sem motivo essa mudança de humor em relação à escola’. Já presenciei pais muito desconfiados, que acabam por sabatinar o professor, buscando algum fato que tenha gerado esse comportamento e, na maioria das vezes, nada efetivamente aconteceu com a criança. Para alguns, no entanto, assim que acaba a exploração de todas as novidades que a escola oferece e se iniciam as rotinas – tempo de ficar em atividade na sala, tempo de brincar no parque, tempo de escolher brinquedo, tempo de brincar com o que a professora determina, lidar com colegas que querem o mesmo brinquedo que eles e não ter repertório para lidar com o abrir mão, a saudade da mamãe e da rotina antiga – acontecem empurrões, mordidas (dependendo da idade da turma), desentendimentos, mas o mais comum é que alguns chorem depois de aparentemente adaptados, somente porque as novidades acabaram e, com elas, o interesse inicial.
– Os de classes finais da educação infantil também passam por situações de adaptação. Normalmente não com a escola e a rotina escolar, mas em relação à professora e às atividades e exigências – a professora anterior era mais boazinha, essa é mais brava (é comum que eles percebam o aumento do nível de exigência como braveza), e, por outro lado, conhecer e se adaptar a outro professor exige certo esforço, que nem sempre as crianças conseguem com facilidade.
O importante é que vocês, pais, mantenham-se confiantes no processo e na escola que escolheram. Se ficarem inseguros com toda e qualquer emoção negativa que a criança manifestar, não colaborarão para um processo de adaptação positivo. Escolham bem a escola, perguntem, tirem todas as dúvidas, percebam o ambiente e sintam-se seguros com as pessoas que a conduzem e, depois, sejam luzeiros de confiança para seus filhos. Deem suporte, impulsionem-nos a superar esse desafio. É possível e bom que as crianças sigam até o fim essa adaptação e sintam-se fortes e realizadas quando compreenderem que estão em um lugar seguro, no qual terão experiências ricas, porém diferentes das que estão habituadas em casa.





