COVID-19, máscaras e a virtude da prudência

Após constatar um aumento de 120% na média diária de internados com a COVID-19 em maio, o governo do estado de São Paulo voltou a recomendar que a população use máscaras em ambientes fechados. Trata-se, portanto, de um aconselhamento, não obrigatoriedade, como ocorre atualmente para o ingresso e permanência em equipamentos de saúde e nos transportes coletivos.

A recomendação foi seguida pela Prefeitura de São Paulo, que a estendeu às unidades escolares. Na capital paulista, o aumento da positividade nos testes rápidos antígenos (TRAs) para COVID-19 saltou de 4% no fim de abril para 18% no fim de maio. Além disso, gradualmente, tem havido incremento de casos da doença: na última semana epidemiológica de abril, foram 3.025 novos infectados. Na seguinte, já em maio, foram 4.580 novos casos; na posterior, 5.828; na sequente, 6.648; e na última semana epidemiológica do mês passado, 7.055.

Ainda que se esteja distante do cenário caótico verificado no pico da doença no estado, em março de 2021, quando mais de 31 mil pacientes estavam internados, dos quais 13 mil em leitos de UTI, o número 3,4 mil internações até a segunda-feira, 6, sendo 1.050 destas em UTI, faz pensar se apenas a recomendação para o uso de máscaras em ambientes fechados é a medida suficiente para este momento da pandemia ou se não seria melhor o retorno da obrigatoriedade em utilizá-la, como ocorria até 17 de março.

Naquela data, a propósito, a Arquidiocese de São Paulo, ponderando que respeitava a decisão do governo paulista, emitiu um comunicado enfatizando que nos ambientes internos das igrejas e das organizações eclesiais continuava a recomendar o uso das máscaras, “sobretudo, para não colocar em risco a saúde das pessoas idosas, com comorbidades ou as que ainda não estão com a vacinação completa contra a COVID-19”. No mesmo comunicado, ressaltava que “é importante que ainda se mantenham os cuidados preventivos, como a higienização das mãos, a limpeza e a ventilação dos ambientes”.

E assim tem sido feito nas missas, encontros e eventos paroquiais e arquidiocesanos, com a adesão da imensa maioria dos fiéis, numa atitude de cuidado com a própria saúde e com a do próximo, e, também, de expressão concreta de uma das virtudes recomendadas a todo cristão: a prudência.

“A prudência dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo” (Catecismo da Igreja Católica, §1835). Esta “não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou a dissimulação (...) guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar” (§1806).

Usar a máscara em ambientes fechados é neste momento uma atitude em vista do bem comum e evita o mal da disseminação da COVID-19. Também deve ser considerado um gesto de prudência e de cuidado se vacinar contra a COVID-19, incluindo as doses de reforço no tempo devido. Apenas no estado de São Paulo, até o fim de maio, 10 milhões de pessoas ainda estavam em atraso com a dose adicional da vacina. Como destacado pelo Papa Francisco em agosto de 2021, “vacinar-se, com vacinas autorizadas pelas autoridades competentes, é um ato de amor. E ajudar a fazer de modo que a maioria das pessoas se vacinem também é um ato de amor: amor por si mesmo, amor pelos familiares e amigos, amor por todos os povos (...) Vacinar-se é um modo simples, porém, profundo, de promover o bem comum e de cuidarmos uns dos outros, especialmente dos mais vulneráveis”.

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