Dia dos Avós e dos Idosos

São Joaquim e Sant’Ana, lembrados na Liturgia em 26 de julho, já vinham sendo comemorados, no Brasil, como padroeiros dos avós e idosos. Segundo uma antiga tradição, que não aparece nos Evangelhos canônicos, Joaquim e Ana são os pais de Nossa Senhora e, portanto, os avós de Jesus. Na arte cristã, Sant’Ana aparece representada, com Maria menina ao seu lado, como mãe e mestra, que ensina e transmite à sua filha a fé e as histórias do seu povo. Mas também é conhecido o quadro em que Maria aparece com o Menino Jesus nos braços, ao lado de Sant’Ana. 

No dia 31 de maio passado, o Papa Francisco instituiu o Dia dos Avós e dos Idosos, a ser comemorado cada ano no 4º domingo de julho. Portanto, será sempre perto da comemoração do casal dos avós de Jesus, São Joaquim e Sant’Ana. Neste ano, será no dia 25 de julho. Em muitos momentos de suas manifestações, o Papa expressou seu carinho pelos idosos e também sua preocupação em relação à situação de abandono e “descarte” em que vivem muitos idosos. A sua mensagem para esta primeira comemoração do Dia dos Avós e dos Idosos é muito carinhosa e consiste numa fala direta para eles. Ele próprio também se inclui entre os idosos.

O tema da mensagem é tomado das palavras de Jesus aos apóstolos, antes de se elevar ao céu: “Eu estou contigo todos os dias” (cf. Mt 28,20). O Papa parte da situação de angústia e sofrimento deste tempo de pandemia de COVID-19, durante o qual os idosos se viram muitas vezes deixados na solidão e privados da companhia dos seus caros e familiares. E, como é facilmente compreensível, os avós e idosos foram, certamente, o grupo que mais temeu por sua saúde e sua vida. De fato, no início da pandemia, foram sobretudo os idosos que ficaram doentes, e muitos também faleceram. 

Além disso, o ocaso da vida é o período no qual as fragilidades na saúde e da vida aparecem mais e a perspectiva do fim da vida levanta questionamentos muito reais e, por vezes, angustiantes. Além disso, entra com facilidade um período de maior perda das relações sociais e de solidão. Tudo isso leva o Papa a convidar os idosos a buscarem sua segurança em Deus, lembrando as palavras de Jesus: “Eu estou contigo todos os dias”. Conforme uma lenda piedosa reportada no apócrifo “Protoevangelho de Tiago”, São Joaquim andava angustiado porque já estava idoso e não tinha filhos. Apareceu-lhe então um anjo para o confortar, anunciando-lhe o nascimento de Maria.

O Papa recorda aos idosos que Deus continua a enviar seus anjos para consolar e mostrar seu carinho para com os idosos. Esses anjos podem ter o rosto dos filhos e familiares, dos netos que enchem de alegria e esperança os avós, de um vizinho, profissional da saúde ou cuidador, de um voluntário ou representante da Igreja que os visita e lhes leva a Eucaristia e a Palavra de Deus. Assim, os idosos também hoje podem reconhecer a visita que Deus lhes faz e reconhecer a sua ternura para com eles. Mas Francisco também sugere sutilmente que todos sejam esses anjos a confortar e assistir as pessoas idosas, não as deixando na solidão e no esquecimento.

E convida a sociedade a não descartar os idosos, como se fossem um peso inútil. Eles ainda têm muito a contribuir para o convívio social. Sua experiência e sabedoria provadas pelos anos deveriam ser mais valorizadas. E também convida os próprios avós e idosos a não se retraírem na inutilidade, mas a oferecer aquilo que ainda podem fazer, quer no seio da família, quer no convívio social. Os idosos são testemunhas da perseverança na busca de sonhos altos e podem passar essa busca para as jovens gerações, para que se empenhem na realização dos altos sonhos que motivam e edificam a vida humana e social. Francisco recorda aos idosos: “Há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã”.

A instituição do Dia dos Avós e dos Idosos foi uma feliz iniciativa do Papa Francisco e ajudará, sem dúvida, a Igreja e a sociedade a terem um novo olhar em relação a essa parte da humanidade, a quem as gerações mais jovens têm tanto a dever. E incentivará os idosos a continuarem a servir a Igreja e a comunidade humana a partir da sua experiência e sabedoria consolidadas.

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