Dia Mundial dos Pobres 2022

Na data de 13 de novembro de 2022, lembramos o 6º Dia Mundial dos Pobres. Grave é o contexto da pobreza no mundo atual, particularmente quando contraposto ao luxo e à ostentação de um punhado de milionários e bilionários, alguns deles tendo emergido paradoxalmente em plena pandemia de COVID-19. A concentração da riqueza e da renda em todo o mundo – sem esquecer que o Brasil figura entre os países mais desiguais do planeta – contrasta de maneira criminosa com as precárias condições em que vive boa parte da humanidade. A mensagem do Papa Francisco para a ocasião tem como título “Jesus Cristo fez-se pobre por vós” (cf. 2Cor 8,9). 

A frase tem um sentido que foge ao olhar superficial. De fato, existe um conceito de pobreza que é sóbria e sadia, recusando, por um lado, os extremos de um consumismo predador e exacerbado e, por outro, o desperdício fácil e inconsequente. Tem a ver com a noção do bem viver, pelo qual o uso dos bens, do dinheiro e dos recursos naturais é feito de forma parcimoniosa, procurando levar em conta o bem-estar da sociedade como um todo. Aqui prevalece o comportamento responsável e criterioso, seja na distribuição equitativa com os povos excluídos e vulneráveis, seja no cuidado para com as gerações futuras. Esse significado profundo e secreto de pobreza pressupõe o encontro do tesouro oculto de que fala o Evangelho (cf. Mt 13,44). 

Mas o Papa, em sua mensagem, não deixa de alertar para o lado perverso da pobreza. Escreve o Pontífice: “A pobreza que mata é a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da iníqua distribuição dos recursos. É a pobreza desesperada, sem futuro, porque é imposta pela cultura do descarte que não oferece perspectivas nem vias de saída. É a miséria que, enquanto constringe à condição de extrema indigência, afeta também a dimensão espiritual, que, apesar de muitas vezes ser transcurada, nem por isso deixa de existir ou de contar”. 

Desfilam por toda parte os rostos desfigurados dos pobres. Pelas praças das cidades ou pelos grotões da zona rural, o retrato é angustiante. A população de rua cresce: muitas pessoas acabam entrando por becos sem saída, uma consequência direta do desemprego, subemprego, mercado informal, migração, elevação dos produtos da cesta básica. Falta terra, moradia e oportunidade; são precários os serviços públicos de saúde, educação, segurança e transporte coletivo. “Pelos campos a fome em grandes plantações”, diz a canção; no universo urbano, erguem-se e sobem ao céu os clamores vindos de sórdidos porões ou de longínquas periferias.

Diante de semelhante cenário, não são poucos os desafios econômicos, sociais, políticos e pastorais. Para reverter o quadro, ademais da sensibilidade e da solidariedade do povo brasileiro, torna-se urgente um programa de políticas públicas estruturais voltadas para as carências básicas da população de baixa renda. A oração e a caridade são necessárias, mas não suficientes. Deixamos uma pergunta para reflexão: como retomar com a devida seriedade os imperativos éticos e morais do Estado de bem-estar comum, de acordo com a Doutrina Social da Igreja? 

Padre Alfredo José Gonçalves, CS, pertence à Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos). 

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