Dois padres, uma missão

No dia 4 de agosto, a Igreja lembra São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, um sacerdote humilde e santo, festejado como o “Padroeiro dos Padres”. Como acontece todos os anos, na festa do Santo Cura d’Ars, comemora-se o Dia do Padre e o clero da arquidiocese de São Paulo se encontra para a oração, a reflexão e a convivência fraterna. 

Neste ano, a confraternização no Dia do Padre acontece na paróquia pessoal coreana, no Bom Retiro, dedicada ao sacerdote mártir coreano, Santo André Kim Degun, o primeiro padre nascido na Coreia, Padroeiro dos sacerdotes naquele país. Em 2021, foi comemorado o bicentenário do nascimento de Santo André Kim Degun e estava prevista uma peregrinação à igreja coreana do Bom Retiro. No entanto, por causa da pandemia de COVID-19, não foi possível realizar o ato. Neste ano, porém, as possibilidades já são mais tranquilas e a comunidade católica coreana de São Paulo preparou-se com carinho para acolher um grande número de padres em sua igreja no dia 4 de agosto. 

Trata-se de uma ocasião especial para conhecer algo mais sobre a Igreja presente naquele país do extremo Oriente, onde o Cristianismo chegou bem depois que no Brasil e na América, em geral. Na verdade, a presença da Igreja na Coreia tem uma história inferior a 250 anos, mas já produziu belíssimos e abundantes frutos de vida cristã e eclesial e um grande número de santos, sobretudo mártires. Os primeiros dois séculos da breve história da Igreja na Coreia foram de perseguição religiosa, com muitos mártires por causa da fé em Cristo. Dos martírios nasceram grande fervor e uma vitalidade exuberante para a Igreja Católica, que apenas conta com cerca de 10% da população, mas com muitas vocações sacerdotais e religiosas e uma presença significativa no mundo social e cultural. Mais uma vez, confirma-se a observação de Tertuliano, um teólogo do 3º século da era cristã: “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. 

Em 2021, transcorreram 200 anos do nascimento de Santo André Kim Degun e a Conferência Episcopal Coreana celebrou o bicentenário com um ano jubilar, comemorado também pelas comunidades coreanas do mundo inteiro. Esse sacerdote mártir honra a Igreja Católica na Coreia e seu clero. Primeiro sacerdote católico nascido na Coreia, ele foi um valoroso missionário, pastor e testemunha de Cristo durante o brevíssimo período de apenas um ano e meio de exercício do sacerdócio. A fortaleza do seu testemunho, as perseguições e o seu martírio sofridos por Cristo e o Evangelho fortaleceram a fé do povo cristão, que o recorda com profunda veneração. 

Da fé e do testemunho dos santos e mártires coreanos, também é herdeira a comunidade católica coreana de São Paulo, que se reúne na Paróquia do Bom Retiro dedicada ao sacerdote mártir, Santo André Kim Degun. É preciosa a fé recebida dos pais e antepassados, professada e testemunhada também pela comunidade coreana de nossa cidade, assim como é vivida pelas demais comunidades étnicas que integram a arquidiocese de São Paulo. Cada uma delas tem sua história, seus santos evangelizadores e mártires, professando a mesma fé apostólica, mas dando-lhe características culturais e expressões próprias. Também a Igreja de nossa imensa Metrópole nasceu do testemunho evangelizador de santos missionários, ainda no século XVI, entre os quais São José de Anchieta. 

Na peregrinação e confraternização do clero de São Paulo, os dois sacerdotes – Santo Cura d’Ars e Santo André Kim Degun – lembram dimensões inseparáveis e complementares do ministério sacerdotal: no Cura d’Ars, vemos o padre humilde, o homem de Deus, o pastor abnegado e dedicado ao seu povo, próximo das pessoas, zeloso ao sacrifício no seu atendimento quotidiano. Não é sem motivo que a Igreja o chama de “pároco admirável”. Em Santo André Kim Degun, vemos o sacerdote missionário, cheio de ardor por Cristo, profeta e testemunha do Evangelho, que não se abate, mesmo na perseguição e no martírio. Um e outro inspiram os sacerdotes e o povo no seguimento de Jesus e na dedicação ao Evangelho do reino de Deus. Que eles intercedam pelas vocações e pelos sacerdotes de São Paulo. 

2 comentários em “Dois padres, uma missão”

  1. Desde criança, no seminário menor Metropolitano de aparecida do norte em 1958, brotou no meu coração a devoção à São João Maria vianney, o santo cura da cidade de Ars que eu fiz questão de conhecer alguns anos atrás. Coincidentemente minha mãe nasceu no dia 4 de agosto de 1922, hoje completaria um século de vida! Agradeço a Deus pela minha vocação e também pelo meu batismo na fé cristã que minha mãe me transmitiu!

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