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Além das disputas humanas, a unidade em Cristo 

No domingo, 25, o Brasil encerrou o 2º turno das eleições de 2026, concluindo definitivamente o processo de campanha eleitoral iniciado em agosto. Durante esse período, para além das propostas e do debate de ideias, a população presenciou algo que também tem se tornado cada vez mais comum: a polarização política. Eleição após eleição, tem-se normalizado a divisão dos cidadãos entre “nós” e “eles”, rompendo a possibilidade de diálogo e acentuando os conflitos, inimizades e discursos agressivos, com consequências danosas à sociedade: amizades antigas desfeitas, famílias divididas e dificuldade de ouvir opiniões divergentes. 

O cristão deve estar atento para não cair nessa falsa dicotomia. Quem pensa de modo diferente do nosso não é, por isso, nosso inimigo. Os únicos e verdadeiros inimigos das pessoas já foram revelados de forma bem explícita nas Sagradas Escrituras e são o mundo, a carne e o demônio. Nos Evangelhos, vemos o próprio Jesus enfrentar essas tentações do demônio no deserto. Acreditar que a maior tragédia humana seria a eleição de determinado candidato significa distanciar-se da realidade última de que o único mal que de fato existe é o pecado.

Assim, torna-se mais fácil perceber que o tratamento injusto do próximo e a divisão das famílias por motivos políticos representam males mais graves do que a vitória de determinado partido. A maldade não se vence com o voto. A maldade se vence com o jejum, a esmola e a oração. São essas as armas legadas por Cristo para que cresçamos na caridade e caminhemos rumo ao Reino dos Céus. Se a disputa política acaba por gerar desunião entre as pessoas, o combate a esses reais inimigos e a busca do amor de Deus devem superar qualquer polarização e unir todos em busca do bem comum.

Quanto a isso, também Nosso Senhor deixa inúmeros exemplos ao longo do Evangelho. Em seu discurso do Bom Pastor, Jesus nos diz: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16). Da mesma forma, em sua oração sacerdotal na Santa Ceia, reza: “Pai Santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” (Jo 17,11). Essa unidade, querida e desejada por Deus, não é uma hegemonia de ideologia partidária, de preferências particulares ou de uma visão de mundo em questões opináveis; é uma unidade da caridade, sustentada pela graça divina.

Os primeiros cristãos entendiam isso perfeitamente. Nos Atos dos Apóstolos, São Lucas narra justamente como a multidão dos que criam “tinha um só coração e uma só alma” (At 4,32). Com certeza, como em qualquer sociedade, ali também havia conflitos, discordâncias e mal-entendidos. No entanto, nada disso era capaz de abalar a comunhão dos filhos de Deus, pois todos possuíam um coração unido a Jesus Cristo e sabiam reconhecer o que realmente importa.

Portanto, tomemos o exemplo dos primeiros cristãos e busquemos colocar as coisas de Deus acima das disputas humanas. O mandamento do amor deve orientar nossa conduta, mesmo em meio às divergências temporais. Se, durante o período eleitoral, brigamos com algum parente ou amigo, busquemos a reconciliação. Quando couber a nós pedir perdão, peçamo-lo; quando couber a nós oferecê-lo, façamo-lo generosamente. Se tivermos sido tratados de forma injusta, procuremos responder sem nos deixar dominar pelo orgulho ou pelo desejo de vingança. Assim, perseveremos na caridade e no amor fraterno.

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