Ano novo, vida nova, luta nova

Toda virada de ano é, para nós, cristãos, um lembrete de que nossa passagem nesta terra é breve, brevíssima: tempus breve est! (1Cor 7,29). O tempo é um tesouro que Deus nos dá, e que, por isso mesmo, não podemos desperdiçar. Que coisa triste seria chegar ao fim da vida e lamentar, com o poeta, que evaporamos o ser na lida insana das paixões... Que triste se tivéssemos de rezar “Deus, oh Deus!… Quando a morte a luz me roube, / Ganhe num momento o que perderam anos, / Saiba morrer o que viver não soube”!

Em que consiste, então, esse saber viver? Em meio às peculiaridades da vida de cada pessoa, seria porventura possível achar um caminho, uma sabedoria de vida, que valha para o empresário e para a dona de casa, para o estudante de colégio e para o professor universitário? É verdade que cada um de nós trilha um percurso específico em sua vida, com seus desafios próprios – mas, no fundo, a boa vida, a vida que vale a pena ser vivida, é sempre a mesma, em todos os lugares: aproveitar de cada momento, de cada circunstância, para amar a Deus e ao próximo, entregando-nos em pequenos gestos de carinho. “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31).

Coloquemos empenho, portanto, em terminar com excelência aquele dever do trabalho ou do estudo; sejamos atentos às necessidades de nossos familiares; sejamos assíduos nos momentos de oração e de assistência à Santa Missa... Não sejamos calculistas: “Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. (...) Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7-8).

Pode ser que às vezes nossos esforços pareçam não trazer fruto nenhum; pode ser até que caiamos por fraqueza em algum egoísmo – mas nem tudo está perdido! A verdadeira santidade não está no perfeccionismo de quem nunca cai – mas na energia e humildade de quem sempre se levanta, ajudado pelo Senhor.

“A vida do homem sobre a terra é uma guerra” (Jó 7,1) – e por isso estaremos sempre nessa tensão entre momentos de vitória e momentos de derrota. A esse respeito, conta-se que perguntaram uma vez a um sábio monge o que se fazia no Mosteiro em que vivia recluso. Alisando sua longa  barba, o religioso respondeu pensativo: “No Mosteiro nós caímos, e nos levantamos... depois caímos novamente, e nos levantamos... e assim sucessivamente até que volte Nosso Senhor em sua glória, e, vendo-nos caídos e prestes a reerguermo-nos, levante-nos definitivamente.”

Tenhamos sempre a coragem de levantar! Se assim fizermos, nossas resoluções de ano novo conseguirão superar os fogos de artifício que vimos em abundância no Réveillon. Estes fogos são, de fato, belos e ruidosos – mas apenas durante um momento, para depois virarem cinzas e gravetos queimados... Quando nos depararmos com alguma contrariedade, nestes primeiros dias do ano, podemos exortar-nos com uma pequena exclamação: “Ano novo, vida nova, luta nova!”

Crédito da imagem: peakpx.com

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