Comunhão dos Santos

Ao longo deste mês de outubro, o nome de Carlo Acutis – beatificado no último dia 10, em Milão, na Itália – ganhou o mundo. Que comovente saber que um jovem rapaz, um menino dos nossos dias, conseguiu, em seus breves 15 anos de vida, alcançar aquele amor perfeito a Jesus a que chamamos santidade!

Nascido em 1991 em uma família de muitas posses, mas praticamente nenhuma vivência religiosa, Carlo mostrou desde os 4 anos de idade um interesse muito grande pelas coisas de Deus – talvez com alguma inspiração de uma babá polonesa e católica devota, que trabalhava para a família. Sua mãe Antonia, que não conhecia nada de catecismo e não conseguia responder às perguntas do menino, procurou um padre para ajudá-la – mas, depois de responder às suas perguntas, o sacerdote recomendou-lhe estudar, ela própria, a doutrina, para poder ensinar ao filho. 

O conhecimento das verdades da fé alimentou o amor de Carlo por Jesus, que passou então a desejar ardentemente receber Nosso Senhor na Sagrada Comunhão. Como ele tinha ainda só 7 anos, foi preciso conversar com o bispo – que, percebendo a seriedade do garoto que o pedido não era uma leviandade pueril, concedeu a autorização. Desde sua primeira comunhão, Carlo insistia piamente na comunhão diária, sempre acompanhada de um tempo de preparação à missa, e mais alguns minutos de ação de graças em oração. O menino, então, logo começou a dar passos de gigante na vida espiritual.

Essa fecunda vida interior naturalmente não tardaria a trazer frutos de apostolado – pois, como nos lembra Nosso Senhor, “como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim” (Jo15,4). Quando, portanto, faleceu de leucemia em 2006, uma pequena multidão acorreu a seu velório – todos os mendigos, porteiros de prédios e amigos a quem ele evangelizava em segredo, com sua vida de caridade.

A beatificação de Carlo nos lembra de algumas verdades importantes de nossa fé. Primeiro, que a vivência integral do Cristianismo, em toda sua radicalidade, não é algo ultrapassado nem incompatível com o século XXI. Carlo era entusiasta do computador e videogames, como qualquer menino de sua idade – ele simplesmente soube ordenar estas coisas em função de um amor maior.

Depois, a beatificação de Carlo se insere num quadro mais geral de vários santos (ou candidatos à canonização, já que não podemos nos adiantar ao juízo da Igreja) falecidos nos últimos anos, cujo exemplo de amor a Jesus tem inspirado tantas almas. Pensamos num Guido Schäffer, num Marcelo Câmara, numa Ir. Clare Crockett – jovens que, em sua breve estada neste mundo confuso em que vivemos, souberam encontrar o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo14,6).

Por fim, esta beatificação nos é oportuna agora em que estamos às vésperas da Solenidade de Todos os Santos, no dia 1º de novembro). Essa data significa que santos não são apenas aqueles canonizados e que ocupam os altares – além destes, há nos céus uma multidão de santos “anônimos”, a Igreja Triunfante, cujos méritos a Providência divina quis guardar para Si, e não proclamar dos telhados das casas. 

É claro que, normalmente, não devemos “presumir” a santidade de todo defunto batizado – por isso, aliás, é que rezamos por sua alma, e oferecemos missas de exéquias em seu sufrágio. No entanto, embora nem todos sejam santos, certamente muitos o são: quantos outros Carlo Acutis não terão partido desta vida em semelhante santidade, sem que sua fama alcance as manchetes dos jornais? Só o saberemos quando também morrermos e – com a graça de Deus, e com a intercessão dos santos todos! – formos admitidos à sua presença. Todos os Santos e Santas do Senhor, rogai por nós!

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