Espírito Santo: Senhor que dá a vida

Em nossa Terra de Santa Cruz, quase não existe quem, desde pequeno, não tenha ouvido falar que Jesus, ao morrer na Cruz, redimiu todos os homens. E isso é verdade: aquele grande projeto de amor que a Santíssima Trindade (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo) empreendeu para resgatar a humanidade decaída pelo pecado original, tendo-se desdobrado ao longo de vários milênios e de sucessivas alianças com Noé, Abraão, Moisés e os profetas, se consumou com a Encarnação do próprio Verbo Divino no seio da Virgem Maria, e com a redenção universal no lenho da Cruz. Fora encontrado o remédio para o pecado original. O que muitos de nós esquecem, no entanto, é que não basta existir o remédio para que a doença acabe: é necessário ainda aplicá-lo a cada doente! Se no Calvário Jesus redimiu a humanidade, agora devemos aplicar aquela redenção a cada homem, e para isso precisamos do Espírito Santo.

Precisamos do Espírito Santo, com efeito, porque somente Ele pode iluminar a nossa inteligência e convidar nossa vontade a corresponder a Deus. Pensemos nas etapas de conversão de uma pessoa até a santidade: o ateu que decide “dar uma chance” a Deus e começa a buscá-lo; ou o catecúmeno que aceita a fé e pede admissão na Igreja pelo sacramento do Batismo; ou ainda o batizado, que, vivendo em pecado mortal, abandona a pocilga espiritual e se deixa reconciliar com Deus na Confissão: em todos esses casos, é sempre a graça do Espírito Santo que precede a atitude do homem, convidando-o a Deus. Como cantamos no último domingo, na ”Sequência de Pentecostes”: “Sem a Luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele”.

Continuamos precisando do Espírito Santo mesmo quando já em estado de graça: pois, esta semente da vida eterna, que ganhamos com o Batismo (ou restauramos com a Confissão), precisa ser alimentada para crescer, e os caminhos para isso são basicamente dois – a Sagrada Eucaristia e a oração. A relação do Paráclito com a Eucaristia é bastante evidente quando o sacerdote reza, na Consagração: “Santificai pelo Espírito Santo as oferendas que vos apresentamos para serem consagradas…”. Mas, e a oração?

Também ela só pode existir se movida pelo Espírito Santo – ainda que não nos demos conta disto. Toda alma que clama por Deus o faz no Espírito Santo, que a move a dizer Abba, Pai.

Convém lembrar, porém, que qualquer oração, qualquer colóquio de amizade com o Deus que sabemos que nos ama, pressupõe primeiro abandonar toda hipocrisia – pois Deus é a própria Verdade, e repugna-Lhe a mentira. Daí que se recomende começar a oração com um ato de humildade: reconhecendo a imensa majestade do Criador, diante de quem somos pequenos e insignificantes – e que, no entanto, nos ama imensamente.

Podemos, também, imitar aquela amorosa pedagogia das mães, que por vezes ensinam a lição a seus filhinhos no meio de uma brincadeira, pois sabem que eles não seriam capazes de se concentrar apenas na lição “nua e crua”. Da mesma forma, nem todas as pessoas tiram muito proveito de fazer suas orações apenas diante do sacrário: para alguns iniciantes, pode ser útil levantar o coração a Deus durante algum afazer doméstico, no trânsito, ou numa caminhada tranquila.

O crucial é que imploremos ao Espírito Santo para ter este encontro pessoal cotidiano com Deus, pois, na maioria dos casos, a santidade é como um carvalho, que cresce lentamente ao longo dos anos, desde que receba luz e água suficientes. Imploremos, então: Veni, Sancte Spiritus!

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