Família: imagem do amor de Deus

Nesta semana em que fazemos no Brasil especial memória e oração pela família, convém recordarmos mais uma vez o papel da família no projeto de Deus para o gênero humano.

No relato bíblico da criação, lemos que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança; homem e mulher os criou” (Gn 1,27). Comentando estas palavras, São João Paulo II observava que a humanidade, para ser reflexo de Deus, deve ser como um casal que se entrega num amor perfeito. Uma reportagem completa sobre “A família nos ensinamentos de São João Paulo II” pode ser encontrada na edição eletrônica do O SÃO PAULO desta semana.

De fato, o Catecismo da Igreja Católica caracteriza a família como “vestígio e imagem da comunhão do Pai e do Filho, no Espírito Santo” (2205). Assim como em Deus o amor entre o Pai e o Filho é total, recíproco e perpétuo, da mesma forma deve ser o amor entre marido e mulher.

Ademais, como lembrava o Venerável Arcebispo Fulton Sheen numa pregação radiofônica de 14 de fevereiro de 1943, o amor cristão não consiste exclusivamente numa doação mútua de si, pois, neste caso, ele terminaria esgotando-se a si mesmo, de maneira estéril. Antes, o amor é uma doação recíproca de si, que termina numa recuperação de si: se no Céu o amor entre o Pai e o Filho se recupera no Espírito Santo, o Vínculo da Unidade, assim também, na terra, o amor mútuo entre os cônjuges se recupera na criança, encarnação de seu amor duradouro.

Por meio da família, Deus concede ao gênero humano participar de sua obra criadora: as crianças são geradas no seio da família, que não apenas as nutre, como também as protege e educa. Este é um dos motivos, aliás, por que a Igreja é tão firme em sua defesa da família natural: a formação das crianças exige um ambiente estável durante um período prolongado de tempo. E como lembrou o Papa Francisco durante sua visita ao Brasil, “A família (…) é necessária para a sobrevivência da humanidade. Se não existe a família, a sobrevivência cultural da humanidade corre perigo. É a base, apeteça-nos ou não: a família” (entrevista à Rádio Catedral, 27 de julho de 2013).

Outra imagem utilizada pela Escritura para referir-se à família é a da união entre Cristo e sua Igreja: São Paulo compara esta união, a que chama de “grande mistério”, ao vínculo pelo qual marido e mulher se tornam “uma só carne”. E explica: os maridos devem amar suas mulheres a ponto de entregar a própria vida por elas, como Cristo entregou sua vida pela Igreja; as mulheres, por sua vez, devem em tudo permanecer solícitas e fiéis aos maridos, como a Igreja o faz para com Cristo (cf. Ef 5,22-33).

Por fim, é preciso lembrar que, para um cristão, “são importantes, mas não absolutos, os laços familiares” (Catecismo, 2232). Isso significa que toda a vida familiar deve ter por referência e objetivo a salvação eterna de seus membros – único sumo e verdadeiro bem. Rezemos, portanto, aquela famosa oração pela família: “Que a família comece e termine sabendo aonde vai”, “Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida”, e “Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho / Seja a firme esperança de um céu aqui mesmo e depois”!

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