Mês das mães, mês de Maria

Dizia o Venerável Arcebispo Fulton J. Sheen, em pregação radiofônica intitulada “A Mãe de Jesus”, que uma vez que integram a natureza humana tanto a religiosidade quanto a maternidade, todas as religiões possuem alguma forma de princípio feminino: desde a lendária princesa Kuan Yin, injustamente morta pelo pai por ter consagrado sua virgindade a Deus e tida pelos chineses como “Deusa da Misericórdia”, em razão da caridade que dispensou aos seus consortes na mansão dos mortos, até a veneração muçulmana por Fátima, a filha prematuramente falecida de Maomé, que a chamou “a mais bendita entre todas as mulheres do paraíso, depois de Maria” (o Corão, aliás, tem mais de 30 versículos sobre a Mãe de Jesus, e professa sua Imaculada Conceição e o Nascimento Virginal de Cristo). No mundo pagão romano, o grande Virgílio escrevia em sua quarta Écloga (dita “messiânica”): “Olhai benigna, ó casta mulher, sobre teu recém-nascido, por quem terminará a férrea idade, e a áurea a todo o mundo surgirá”.

O verdadeiro princípio feminino da religião só é entendido, no entanto, se lembrarmos que Deus, desde a criação do mundo, tinha já em vista a Redenção, e planejou-a em suas mínimas circunstâncias: a nação, o lugar, o tempo, e a família em cujo seio aconteceria a Encarnação de seu Filho foram todos meticulosamente pré-ordenados. Se dizemos, portanto, que todo grande amor é como um sonho que se torna realidade, e que o chamado “amor à primeira vista” é, na verdade, a correspondência entre o amado que encontramos e sua imagem que já possuíamos em nós (como que um “amor à segunda vista”), então devemos também chamar de amor aquilo que Deus nutria, desde a criação, por aquela que viria a ser sua Mãe – foi o primeiro amor do mundo.

Qualquer um de nós, se pudesse criar sua própria mãe, a faria com as mais elevadas qualidades. Conta-se que o pintor James Whistler, quando elogiado pela beleza do famoso retrato que fizera de sua mãe, respondeu: “Sabe como é: quando se pinta a própria mãe, tenta-se fazê-lo tão bem quanto se pode”. Ora: o Todo-Poderoso, que preexistiu à sua própria mãe, fê-la tão bem quanto Deus podia.

E Maria tem, de fato, um papel todo especial na economia da salvação. Toda a História gira em torno de três Fiat (“Faça-se”): Fiat lux (a criação do mundo; Gn 1,3); Fiat voluntas tua (o sofrimento na Cruz; Mt 26,42); e Fiat mihi secundum verbum tuum (o consentimento de Maria, em nome da humanidade, para com a encarnação; Lc 1,38). Com isso, nós, católicos, não propomos a adoração de Maria, mas apenas sua veneração – e não porque a ideia provenha de nós mesmos, mas porque Deus assim o ordenou, ao fazê -la cheia de graça (Lc 1,28).

Depois de ser Mãe de Jesus, Maria se tornou também a Mãe de toda a humanidade. Aquele “Mulher, minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), que Cristo lhe dirigiu em resposta ao pedido do milagre em Caná, significava “Maria, se eu fizer este milagre, estarei tomando o caminho da Cruz – e tu já não mais serás a ‘mãe do carpinteiro’, mas a mãe do Redentor – e de todos os por Ele redimidos. Por isso, já não te chamo ‘mãe’, mas saúdo-te como ‘Mulher’, a nova Eva”. O mesmo título – e a mesma maternidade universal – ela recebe aos pés da cruz, quando ouve “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26-27).

Honrar Maria, portanto, é honrar Jesus – qual filho, afinal, não se sentiria lisonjeado com as reverências endereçadas à sua mãe? E, quando recorremos à sua poderosa intercessão, fazemo-lo com base em que os apelos de uma Mãe têm uma força toda especial diante de seu Filho. Digamos, pois, com Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!”

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