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Novembro, o mês dos fiéis defuntos

A Igreja associa tradicionalmente o mês de novembro à memória dos defuntos. Essa ligação nasce, em parte, das celebrações dos dois primeiros dias: em 1º de novembro, a Solenidade de Todos os Santos; e em 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Para incentivar a oração pelos mortos, a Igreja concede ainda a indulgência plenária, aplicável somente em favor das almas do Purgatório, aos que visitarem um cemitério e rezarem pelos falecidos entre 1º e 8 de novembro, cumpridas as condições habituais: Confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre.

Neste contexto, convém recordar a grande missão que os fiéis vivos têm para com os irmãos falecidos. O primeiro passo é compreender por que rezamos pelos defuntos, ensinamento nem sempre claro, sobretudo para quem veio de comunidades protestantes. Segundo a fé católica, a morte inaugura um destino que se manifesta imediatamente no juízo particular. Quem morre em pecado mortal, sem arrependimento, vai para o inferno, estado de separação definitiva de Deus e dos bem-aventurados, consequência da recusa livre e persistente de seu amor. Ninguém é predestinado à condenação: ela resulta de uma escolha pessoal de afastar-se de Deus até o fim. A Igreja não reza pelos condenados, pois o destino deles é irrevogável; reza, porém, para que ninguém se perca, e confia a Deus, que deseja que todos se salvem, o mistério de cada alma.

O segundo destino é o céu. A Igreja reconhece como santos aqueles que já contemplam Deus face a face. Tendo vivido em amizade com Ele, cumprido Sua vontade e percorrido o caminho da perfeição cristã, estão prontos para essa união desde o momento da morte. A eles recorremos para que intercedam por nós, pois, intimamente unidos ao Senhor, podem apresentar-lhe nossas súplicas.

Por fim, há as almas que, embora tenham morrido em amizade com Deus, isto é, sem pecado mortal, ainda não estão plenamente purificadas, seja por pecados veniais, seja pela pena temporal devida aos pecados já perdoados, seja por inclinações desordenadas que conservam. Essas almas encontram-se no Purgatório e, como o nome indica, passam por uma purificação antes de contemplar a Deus. Trata-se de uma salvação já assegurada: todas elas entrarão no céu.

Por essas almas, podemos rezar, oferecer missas, ganhar indulgências e praticar obras de caridade. É um grande ato de amor ao próximo: diferentemente dos vivos, que ainda podem merecer por si mesmos, as almas do Purgatório já não podem fazê-lo e dependem dos sufrágios da Igreja. Por isso, a tradição cristã sempre considerou a oração pelos defuntos uma obra de misericórdia particularmente excelente.

Essa caridade, porém, não se limita à alma. Professamos que, na Parusia, Cristo ressuscitará os corpos de todos os homens e julgará os vivos e os mortos. Por isso, também o corpo merece cuidado e respeito. Foi em razão da fé na ressurreição que a Igreja, por muito tempo, proibiu a cremação. Hoje ela é permitida, desde que não seja escolhida por razões contrárias à fé cristã nem expresse negação da ressurreição da carne. Mesmo assim, a Igreja recomenda vivamente a sepultura, e as cinzas devem ser tratadas com dignidade: conservadas em local sagrado, como cemitério ou columbário, e nunca dispersas, divididas ou guardadas em casa.

Que neste mês, portanto, recordemos com especial carinho os nossos falecidos. Rezemos por pais, avós, parentes e amigos que já nos deixaram, confiando-os à misericórdia de Deus. Que novembro também nos lembre de que somos pó e ao pó voltaremos, e nos ajude a viver a passagem terrena com os olhos voltados para a vida eterna.

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