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O empenho da Igreja no cuidado da casa comum

No domingo, 4, será concluído o “Tempo da Criação”, uma iniciativa ecumênica, anualmente celebrada, em que os cristãos são chamados a rezar e a trabalhar pelo cuidado da casa comum e pela conversão ecológica. Este período é iniciado com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, em 1º de setembro. Na missa que presidiu na ocasião, o Papa Leão XIV exortou a que, ao longo destas cinco semanas, “reservemos alguns minutos de pausa na agitação das atividades cotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte”, lembrando-nos, sempre, de que “toda a criação nos fala da grandeza do Criador, desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério”.

Este exercício contemplativo favorece o encontro com o Senhor, sendo o primeiro passo para uma “autêntica conversão ecológica, pela qual os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia”, escreveu o Papa na mensagem para o XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. 

Entretanto, o que contemplaremos se houver a completa destruição da vegetação natural, a poluição das águas e do ar, o acúmulo de lixo em diferentes espaços e a degradação do ser humano? Estas foram algumas das preocupações externadas pelo Papa Francisco na encíclica Laudato si’ (LS), na qual conclamou toda a família humana a proteger a casa comum e almejar um desenvolvimento sustentável e integral, a partir de um renovado diálogo sobre o futuro do planeta e de novos hábitos, em um processo permanente de educação ambiental (cf. LS 13, 14, 210 e 211), um esforço que “naturalmente compete também à Igreja. Todas as comunidades cristãs têm um papel importante a desempenhar nesta educação” (LS 214). 

O Caderno Laudato si´ – Por uma Ecologia Integral, publicado nesta edição, reporta algumas dessas ações da Igreja. Uma delas é o Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo, idealizado por Francisco e inaugurado por Leão XIV, reunindo em seus 55 hectares tanto atividades agrícolas, realizadas com energia renovável, quanto uma variedade de plantas e um centro de alta formação voltado à educação ambiental. 

Essa convivência harmônica com as maravilhas da criação também pode ser vista no Santuário Sião Jaraguá, mantido pelo Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt na capital paulista. Em seus 70 mil metros quadrados, uma capela mariana e espaços celebrativos e de eventos pastorais são mantidos em meio a uma ampla área verde, com ações de sustentabilidade como o reduzido uso de materiais plásticos e a prática da coleta seletiva.

Também o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida inaugurou este ano a Usina de Triagem e Compostagem São Geraldo, que recebe os resíduos gerados em suas diferentes atividades, permitindo destinar à reciclagem materiais como papel, plástico e metais e encaminhar para a compostagem resíduos orgânicos. Desde que começou a operar, 181 toneladas de resíduos deixaram de ser encaminhadas para o aterro sanitário. 

Igualmente inspirador é o projeto da “Festa Paroquial Mais Sustentável”, idealizado pela Pastoral da Ecologia Integral do Regional Sul 2 da CNBB, que oferece mentoria para que as paróquias, em suas festas, estruturem equipes, espaços e parcerias com vistas à correta separação e destinação dos resíduos e à promoção de conscientização ambiental. 

A Igreja, portanto, não somente conclama a humanidade a cuidar da casa comum, mas também olha para suas práticas de sustentabilidade, certa de que, como afirmou Leão XIV na já mencionada homilia de 1º de setembro, “da contemplação da criação e do encontro com o Criador nasce a consciência do nosso lugar especial no maravilhoso plano de Deus e da nossa responsabilidade pessoal e coletiva no cuidado da harmonia original. Assim, da tomada de consciência das nossas falhas e erros, nasce um esforço renovado para restaurar as relações entre as criaturas, segundo a vontade do seu Autor”. 

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