Ponto de vista

Ponto de vista diz respeito a uma situação e à maneira ou à perspectiva particular pela qual o indivíduo emite sua opinião. De modo bem simples, é a forma como cada pessoa enxerga a realidade e a compartilha. Este modo particular de ver as coisas sofre influências do meio em que vive, da cultura e do nível de informação de cada indivíduo. Por isso, não é incomum a divergência entre os pontos de vista. Daí a expressão popular: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”.

Pontos de vista influenciam diretamente as escolhas e atitudes pessoais dos indivíduos. Quando um conjunto de pessoas compartilha um mesmo ponto de vista, pode-se esperar dele um comportamento mais ou menos uniforme. O fato, contudo, de muitas pessoas compartilharem um mesmo ponto de vista não isenta o indivíduo da responsabilidade pessoal de confirmar, por meio de informações isentas
e seguras, do confronto com os fatos e com os princípios, se um determinado ponto de vista tem relação com a verdade, com a realidade e com a moralidade. Um ponto de vista pode ajudar a compreender as motivações de determinadas escolhas e ações humanas, mas não é suficiente para justificá-las sob o ponto de vista ético. O comportamento humano e social não pode depender apenas de um ponto de vista subjetivo.

A situação do mundo, no contexto de pandemia, revela como diferentes pontos de vista têm influenciado atitudes pessoais, sociais e decisões políticas, e dividido a opinião pública.
Da qualificação da COVID-19, como doença leve ou grave, à forma de tratamento e até as posturas e controvérsias em torno do isolamento social e decisões por fechar ou abrir indústrias e comércio, tudo isso tem dividido a opinião das pessoas e provocado confrontos abertos. O difícil é saber o quanto as decisões tomadas estão pautadas pelo confronto com a realidade e a busca do bem comum, ou, simplesmente, por pontos de vista influenciados por interesses políticos, econômicos ou mesmo ideológicos. Fato é que muitas pessoas estão morrendo.

Um ponto de vista controverso é seguramente aceitar que as mortes provocadas pelo novo coronavírus fazem parte de um processo normal, em que alguns morrem enquanto a maioria vai apenas passar por isso, em uma espécie de “seleção natural”. Sendo a vida um valor que deve ser defendido em todas as suas etapas, a morte de qualquer pessoa, independentemente da idade ou qualquer outro fator, não pode ser recebida passivamente, sem dor nem luta.

Outra questão sobre a morte é que, em decorrência dos avanços da Medicina e da Ciência, a vida passou a ser mais longa. A cura das doenças e a melhora na qualidade da alimentação e do bem-estar aumentaram a expectativa de vida, dando certa impressão de vitória sobre a morte. O contexto atual joga por terra essa expectativa, sobretudo quando a morte acontece em centros de terapia intensiva, rodeada por profissionais, que, mesmo lançando mão de todos os recursos, são incapazes de evitar que ela ocorra.

Já nas periferias, a morte parece não causar a mesma impressão, o que talvez explique, em parte, a falta de temor, de cuidados e prevenção contra o contágio do novo coronavírus. Em geral, a periferia tem grande familiaridade com mortes decorrentes das muitas violências que sofre: moradias inadequadas e aglomeradas, falta de saneamento, condições de saúde e higiene precárias, poucos investimentos e recursos para educação, esporte e cultura, consumo de drogas e álcool…

O valor da vida é igual para todos e o risco de morte também. Pontos de vista são importantes para um debate, para a busca de soluções e para a tomada de decisões, mas, para isso, é preciso convergência. O que pensamos não pode ser o que nos separa, mas, sobretudo agora, deve ser o que nos une.

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