Por que ir à missa dominical?

Uma das constatações mais dolorosas (e necessárias) das pesquisas de campo realizadas em nosso sínodo arquidiocesano foi a de que menos de 6% dos católicos tomam parte regularmente na Missa dominical. Este dado é particularmente preocupante, se notarmos a preocupação com que nossa Mãe Igreja chama seus filhos a este compromisso de amor: a Missa de domingo “está no coração da vida da Igreja”, ela “fundamenta e sanciona toda a prática cristã”, e “é um testemunho de pertença e fidelidade a Cristo e à sua Igreja” (Catecismo, nn. 2177.2181-2182).

Mas de onde vem tanta insistência? Se hoje trabalhamos de home-office, pedimos nossa comida pelos aplicativos de delivery, e trocamos a saída ao cinema pelo conforto do streaming do sofá de casa, não poderíamos também “participar” da Missa online? Ou mesmo, por que gastar nosso tempo, hoje tão escasso, para “repetir” todo domingo o mesmo ritual?

A verdade é que, até mesmo de uma perspectiva bastante humana, há vários bons motivos para nos reunirmos em culto a Deus na assembleia dominical. Este momento semanal de repouso das preocupações do dia a dia, no remanso de um ambiente recolhido e de uma liturgia bem celebrada, nos ajuda a colocar nossos trabalhos e afazeres na perspectiva da transitoriedade desta vida e da necessidade um sentido mais profundo do que o simples “ir vivendo”: Deus nos criou para Si, e nosso coração inquieto só encontrará descanso quando Nele repousar. A reunião semanal dos fiéis traz também outra vantagem: a de fortalecer os laços humanos de amizade e companheirismo com nossos irmãos de fé, participando de suas alegrias e dores, conhecendo suas famílias, e depois estendendo este convívio a outros momentos de encontro e partilha. A Missa dominical tem ainda uma grande importância pedagógica: por meio das leituras da Palavra de Deus e de uma pregação cuidadosa e bem preparada, aprendemos a aplicar os ensinamentos de Jesus à nossa vida concreta, e a progredir no conhecimento e no amor de Cristo.

Por outro lado, alguém poderia dizer que todos esses motivos, embora reais e importantes, não distinguem a Santa Missa de qualquer outra celebração religiosa: também nos cultos protestantes se aprende sobre Jesus; também na Sinagoga se fazem amizades belas e profundas; também nos encontros budistas se desperta para a relatividade desta vida humana sobre a terra. O que, então, distingue a Missa dos demais serviços religiosos, e a torna única? O que levou tantos cristãos a preferirem a morte a abdicar do sagrado direito da Eucaristia dominical? Foi o caso, por exemplo, daqueles 49 mártires de Abitene, atual Tunísia, presos e executados sob Diocleciano em 304, que interrogados do motivo de descumprirem as proibições imperiais ao cristianismo responderam Sine dominico non possumus, “Sem o Domingo não podemos viver”. 

Na nossa belíssima Catedral da Sé, há um baldaquino na capela do Santíssimo com um alto relevo representando a Cristo crucificado no Calvário, ladeado por sua Mãe e encimado por Deus Pai, com inscrição “Neste divino sacrifício que se opera na Missa, aquele mesmo Cristo, que no altar da Cruz entregou-Se a si mesmo de uma só vez de forma cruenta, está contido e é imolado de forma incruenta”. Eis aqui o grande motivo pelo qual a Missa é fundamental e insubstituível: a Missa é o Calvário, ela é a “fonte e centro de toda a vida cristã” (Lumen gentium, n. 11). Como nos lembra Dom Odilo em sua Carta Pastoral sobre o Sínodo, “a vida cristã, é verdade, não se resume à participação na Missa dominical. Mas sem essa participação a vida cristã desaparece”. Amemos, então, a Santa Missa! Amemos Jesus, no Sacramento do Altar!

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Lúcia Diniz da Silva
Lúcia Diniz da Silva
8 meses atrás

Concordo plenamente, porém o que me entristece é que em certas paróquias,alguns sacerdotes não estimulam o momento ritualistico fazendo observações inerentes ao momento, contando casos e outros assuntos , os quais interrompe a sacralidade do momento.