Surrexit Christus, Alleluia!

Eis que chegamos, mais uma vez, à grande Páscoa do Senhor, ao centro de nossa santa religião, e à razão fundamental de toda a nossa alegria e esperança. Quando, dois milênios atrás, os primeiros cristãos começaram a proclamar aos quatro cantos do mundo que Cristo havia ressurgido dos mortos, eles acreditavam que esta notícia era tão radicalmente nova e maravilhosa que, para anunciá-la ao mundo, valia a pena sujeitar-se a todo tipo de perseguições e torturas. Hoje, porém, nós cristãos talvez tenhamos nos “acostumado” com a crença na Ressurreição: “não nos damos conta do abismo que há entre a aceitação e a negação desse artigo de fé” (Peter Kreeft, Três filosofias de vida). Em alguns casos, chegamos a adulterar o significado da Ressurreição, interpretando-a não como um fato histórico, mas como um mero “‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos” (Catecismo, n. 644), e que, no mundo real, não passaria da continuação dos ideais de Jesus por seus discípulos, após o “fracasso” da Cruz – e assim nos esquecemos da advertência do Apóstolo, de que se Cristo não ressuscitou, e se não há ressurreição dos mortos, vã é a nossa fé (cf. 1 Cor, 15, 14).

É verdade que em nosso país ainda conservamos algumas tradições que nos ajudam a entrar na alegria pascal: as reuniões festivas de família com chocolate para as crianças, e a própria liturgia do Tríduo, com seu contraste entre o despojamento e a prostração da Celebração da Paixão e as luzes e sinos da grande Vigília Pascal. Mas para recordarmos com profundidade a importância desta festa, podemos buscar entendê-la por seu contraste, e nos perguntar: como seria a vida humana, sem a Ressurreição? 

Esta é, no fundo, a pergunta com que se depara o autor do Eclesiastes – e a resposta que ele dá é aquele trágico vaidade das vaidades: “Uma geração passa, outra vem, e a terra continua sempre a mesma, (…) pois a sorte dos humanos e a dos jumentos é idêntica: como o ser humano morre, assim eles morrem. (…) Tudo caminha para o mesmo lugar: tudo vem da terra, e tudo volta, igualmente, para a terra” (Ecl 1, 4; 3, 19-20). Se, de fato, a nossa existência está fadada a pulverizar-se na cova, então todas as alegrias que gozamos aqui nesta terra não passam de “diversões”, que nos distraem da realidade, e não somos mais do que animais no matadouro, ou bolhas de sabão: a vida não passa de um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, sem nenhum significado.

Aqui entendemos por que o cristianismo é chamado de Evangelho: a morte, aquele inimigo terrível e contra o qual não encontrávamos nenhuma escapatória, foi derrotada por Jesus Cristo, Deus e homem. Esta é verdadeira Boa-Nova, a única coisa realmente nova na história do mundo – “Vida e morte, ó duelo! O combate mais belo: da vida o Rei morreu, mas venceu!”, como cantamos na belíssima Sequência Pascal.

Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele” (Rm 6, 8-9). Marchemos, então, por entre as sombras desta vida, confiantes em que Nosso Senhor já tem a palavra final sobre a morte, a dor e o sofrimento – e em que, se perseverarmos unidos a Ele, também nós chegaremos um dia a esta vida sem tristeza nem pranto, à felicidade do Céu. 

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Monica
Monica
10 meses atrás

Cristo ressuscitou! Vive no meio de nós! Aleluia,!!
A música Um Certo Galileu , de Padre Zezinho é linda para representar a ressurreição de Jesus que vivo não morre mais É o filho eterno e está junto de nós 🙏