Uma grande família de amigos em Deus

Nesta semana em que comemoramos o Dia de Todos os Santos – cuja celebração, no Brasil, a fim de facilitar aos fiéis a participação nesta importante solenidade, é transferida do dia 1º de novembro para o domingo subsequente –, pudemos encontrar, nas redes sociais de amigos católicos, várias imagens que representam, lado a lado, a multidão de santos do Céu. Algo que chama a atenção nessas comemorações é a grande variedade entre os santos: temos sim muitos padres e bispos, monges e freiras, mas, ao mesmo tempo, as fileiras são também repletas de fiéis cristãos – pais e mães de família (Santa Rita de Cássia, São Luís e Santa Zélia Martin,), crianças (São Tarcísio, São Domingos Sávio), médicos (São Lucas, São Cosme e São Damião, Santa Gianna Beretta Molla), engenheiros (Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, Beato Pier Giorgio Frassati), e a lista continua! Esta santa diversidade confirma o ensinamento da Igreja sobre a vocação universal à plenitude da vida cristã: “Todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia, quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade” (Lumen gentium, 39).

Mas o que exatamente significa ser santo? O que têm de comum tantos homens e mulheres com histórias de vida tão diferentes entre si? Basicamente, todos eles são santos porque percorreram, cada um em suas próprias circunstâncias, a imitação de Cristo: “Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo: é ‘o homem perfeito’, que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar; com a sua oração, convida-nos à oração; com a sua pobreza, incita-nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições” (Catecismo da Igreja Católica, 520).

A este respeito, há um belíssimo Christmas Carol, um canto inglês de Natal, que propõe seguir as atitudes do Menino-Deus, nascido de Maria: “Ao longo de toda a sua maravilhosa infância, Ele honrava e amava a humilde donzela em cujo regaço repousava, além de obedecer-lhe. As crianças cristãs devem ser doces, obedientes e boas como Ele, que é o modelo para nossa infância. Como nós, Ele crescia dia a dia; Ele era pequeno e frágil, e também como nós conheceu lágrimas e sorrisos. Ele sente nossa tristeza, e partilha nossa alegria” (Once in Royal David’s City).

A santidade, portanto, passa por alcançar aquelas virtudes que Nosso Senhor manifestou com excelência: a laboriosidade do carpinteiro de Nazaré, a pureza de Maria,  a misericórdia de quem perdoou a adúltera,  a caridade de quem entregou a vida por seus amigos…

É importante, aqui, desfazer a confusão entre ser santo e ser “carola”. O verdadeiro santo não é afetado; seu amor a Deus não é algo forçado e exterior. Não: santo de verdade é quem dá o seu melhor nos trabalhos que faz, e os completa sempre por amor a Deus e ao próximo. Quem não se escandaliza com as próprias fraquezas, e sabe recomeçar, com bom ânimo e confiança em Deus, quando um empreendimento não vai do jeito esperado. O santo se apoia na graça de Deus e, dela, totalmente depende. Sabendo-se fraco, apoia-se na fortaleza do Criador. Nos dizeres da jornalista Pilar Urbano, “o santo rouba de Deus até o amor com que consegue amá-lo”. 

Esta verdadeira santidade passa muitas vezes como invisível aos olhos do mundo: pensemos em Santa Teresinha do Menino Jesus, a grande santa dos tempos modernos – e cuja santidade passou completamente despercebida a algumas de suas irmãs de clausura. A grande santidade de Teresinha estava em fazer tudo por amor, no silêncio e ocultamento: sorrir às pessoas inconvenientes, adiantar-se às tarefas mais duras, escolher os piores assentos… 

Busquemos, também nós, enxergar ao nosso redor algo dessa santidade “ao pé da porta”, de que nos fala o Papa Francisco: “Nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir” (Gaudete et exultate, 7).

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