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Viver santamente como leigo

Um dos mais belos ensinamentos do Concílio Vaticano II é a vocação universal à santidade: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (Catecismo da Igreja Católica, 2.013). Se, porém, a maioria de nós tende a concordar com esta verdade em abstrato (“Claro, claro, a santidade é para todos!”), ainda há muitos, no entanto, que na vida concreta a acabam colocando em dúvida. Assim, quando pensamos que um padre ou uma freira são naturalmente “mais católicos” que um pai ou uma mãe de família; ou quando julgamos que só se pode ser “plenamente cristão” enquanto ao redor do altar, durante a liturgia sagrada; ou quando julgamos “exagero” que um leigo deseje ir à missa durante a semana, ou mesmo todo dia – em qualquer caso, estamos errando num clericalismo e num espiritualismo malsãos.

É claro que a vida de oração de uma monja enclausurada será diferente da de uma mãe de uma família numerosa – no entanto, tanto uma quanto a outra podem, sim, preencher seus dias com Cristo, e viver em contínuo contato com Ele. Como dizia Dom Bosco a seu filho espiritual São Domingos Sávio, na minissérie homônima de Lodovico Gasparini: “Olhe, aqui em Valdocco ser santo significa ser muito feliz, Domenico. Onde quer que seus irmãos estejam, onde quer que suas aspirações possam estar, onde quer que suas tarefas estejam, onde quer que você encontre o que ama: Aí! Aí é o lugar do seu encontro com Cristo. A santidade está em tudo o que você faz, se você puser seu coração”.

De forma bem prática, em nossa vida de metropolitas do século XXI, isso significa que, se olharmos sobrenaturalmente para a vida, podemos encontrar Jesus em cada nova atribuição no trabalho; em cada relatório a fazer ou cliente a atender; em cada momento de atenção que os filhos nos pedem quando estamos cansados e desejosos de um repouso; em cada simples sorriso e minuto de atenção ao vizinho com quem cruzamos apressados no hall do prédio. Se fazemos cada uma dessas coisas com amor, por amor (ao próximo, mas principalmente a Jesus), todas elas são ocasião de crescer em santidade. Para Deus, o valor de um trabalho não é determinado por seu status, impacto social ou valor econômico: um simples copo de água fresca, se oferecido com amor, é de agrado do Pai (cf. Mt 10,42).

Essa visão sobrenatural do mundo não é, porém, um “faz de conta” infantil ou uma autoajuda motivacional: “Sabemos”, nos lembra enfaticamente São Paulo, “que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28), e que a Providência divina realmente nos acompanha em cada ínfimo acontecimento de nossas vidas, pois “até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10,30). Com o amadurecimento na fé, a frequência aos sacramentos e a insistência fiel – conforme nosso estado de vida – ao diálogo íntimo com Deus, tornamo-nos mais capazes de enxergar, com alegria e gratidão, essa presença amorosa que nos cerca.

Nesta semana em que comemoramos a solenidade de nossa padroeira, Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, dirijamos então a ela nossas devotas orações, pedindo que nos ajude a “espiritualizar” cada aspecto de nosso cotidiano: “Mãe, vem nos ensinar a fazer da vida uma oblação”!

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