A grande esperança

Com o Domingo de Cristo Rei, chegamos ao final de mais um ano litúrgico, ao longo do qual celebramos os mistérios de nossa fé, desde a criação do mundo e do homem até o nosso encontro definitivo com Deus, na vida eterna. Nosso coração busca a Deus de muitas maneiras, e Deus vem ao nosso encontro com sua providência salvadora. Dia após dia, domingo após domingo, festa após festa, recordamos e celebramos esses encontros salvadores de Deus conosco e nos deixamos conduzir por sua mão misericordiosa.

Jesus Cristo, celebrado como Rei do Universo, expressa esta verdade grandiosa em que cremos: Deus, na sua misteriosa providência, chama- -nos para o grande encontro final com Ele, por meio de Jesus Cristo Salvador. O homem e este mundo não estão fadados à ruína e ao aniquilamento, mas à salvação e à vida eterna feliz, com Deus. No livro do Apocalipse, depois que o Filho entrega, finalmente, o mundo redimido nas mãos do Pai, este diz: “Eis que faço novas todas as coisas”. É a consumação do desígnio salvador de Deus sobre o mundo: não o descarte e a morte, mas a vida e a renovação de tudo, mediante a obra salvadora do Filho e do Espírito Santo.

O ano litúrgico é orientado por uma grande certeza: o desígnio de Deus é a renovação da nossa vida e também da vida deste mundo. Ao longo da história do mundo e também de nossa história pessoal, experimentamos muitas vezes a precariedade da nossa existência e de nossos propósitos e projetos, por bons que sejam. Nada ainda é perfeito neste mundo, pelo contrário: nós mesmos e o mundo experimentamos com frequência que o pecado ainda domina sobre nós e pode até nos levar para longe de Deus e de seu desígnio salvador. Mas continua valendo a promessa de Deus, sempre fiel a si mesmo e a nós.

Essa convicção nos enche de esperança e nos faz continuar na prática do bem, mesmo quando isso custa. E nos faz levantar a cada tropeço e queda, retomando o caminho na direção da grande esperança. Também quando a situação social e política está confusa e desfocada em relação ao bem comum, em conformidade com o desígnio de vida para todos, não é hora de desanimar, nem, muito menos, de abraçar um projeto de morte, sem Deus e sem esperança. Sem tirar do homem a liberdade e a responsabilidade, Deus acompanha a sua história e, mediante o Espírito Santo, a conduz e renova a face da terra.

Estamos celebrando a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, o “Continente da esperança”, com o objetivo de nos darmos conta das situações que nossos povos enfrentam e das realidades sociais que a missão da Igreja deve enfrentar todos os dias no meio desses mesmos povos. Há muitas questões antigas e novas que tornam pesada a vida para grande parte dessas populações. Como discípulos e missionários de Jesus Cristo, nos questionamos sobre a responsabilidade que temos, para que todos tenham vida mais plena neste mundo, e não deixem de buscar a plenitude da vida em Deus.

O processo de escuta realizado em preparação da Assembleia Eclesial revelou muitas expectativas em relação à Igreja na América Latina e no Caribe. São povos, em geral, marcados por forte religiosidade popular, sobretudo o amor à Virgem Maria e a devoção aos Santos. Ao mesmo tempo, porém, percebe-se um certo “descolamento” entre a religiosidade, tantas vezes exuberante, e a vida comum, na qual permanecem injustiças sociais e desrespeitos à dignidade das pessoas. Na própria Igreja é necessário desenvolver maior senso de participação e comunhão no desempenho da missão confiada por Jesus a todos os cristãos, conforme o Papa Francisco orienta por meio do “processo sinodal” que a Igreja vive neste tempo.

A Igreja que encerra o ano litúrgico é a mesma que inicia um novo ano, com a celebração do Advento e do Natal. Nosso Deus é sempre o “Deus-que-vem”, entra na nossa história, se faz carne e caminha conosco. Ele conta conosco, dá-nos forças e coragem e não nos abandona. É o Deus da esperança, que nos conduz, dia a dia, à plenitude da esperança e da vida. Assim também os nossos povos, animados por essa mesma esperança, não sucumbem ao desespero e seguem em frente e se tornam participantes na construção da novidade e da vida para todos.

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