Celam faz assembleia

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) encontra-se reunido em sua 38ª Assembleia Geral Ordinária, de 18 a 21 de maio. A assembleia deveria ter sido realizada em Porto Rico, mas, por causa da pandemia de COVID-19, acontece de maneira virtual. Participam, além da presidência do próprio organismo, os presidentes das conferências episcopais de todos os países da América Latina e do Caribe, e também os bispos delegados, junto do Celam, dessas conferências episcopais.

Fundado em 1951, o Celam tem as características de um organismo de comunhão, colegialidade episcopal, discernimento e ajuda entre as conferências episcopais. Sendo um Conselho, possui atribuições diversas das conferências episcopais. Na sua sede, em Bogotá (Colômbia), o Celam mantém um secretariado-geral e alguns serviços disponibilizados para as conferências episcopais, como cursos de formação teológica e pastoral e, sobretudo, para o acompanhamento das realidades eclesiais, religiosas e sociais do Continente. Mantém também um diálogo estreito e constante com a Santa Sé.

As iniciativas de maior relevância do Celam foram as cinco conferências gerais do Episcopado da América Latina e do Caribe: Rio de Janeiro (RJ), Medellín (Colômbia), Puebla (México), Santo Domingo (República Dominicana) e Aparecida (SP). Essas conferências gerais, com a participação de bispos representantes de todas as conferências episcopais dos países-membros do Celam, sempre foram convocadas pelo Papa e ajudaram a moldar o rosto da Igreja pós-conciliar na América Latina e a história de sua atuação no Continente, em cada época sucessiva a elas. A última, a de Aparecida, de maio de 2007, ainda possui muito potencial para produzir frutos. Ela acabou sendo importante para a Igreja inteira, por causa da eleição do Papa Francisco, que desempenhou um papel importante na Conferência de Aparecida.

A Assembleia Geral Ordinária anterior do Celam, de maio de 2019 em Tegucigalpa, (Honduras), decidiu que o organismo precisava ser renovado, para se adequar melhor às novas realidades e desafios pastorais de Igreja. Percebeu-se, com o passar do tempo, que o Celam havia assumido mais e mais as características de uma Conferência Episcopal continental, o que não é da sua natureza. Por outro lado, era preciso assimilar melhor os princípios da sinodalidade e da subsidiariedade na maneira de ser e agir do organismo. Portanto, a nova Presidência, eleita em Tegucigalpa, foi encarregada de promover uma ampla reflexão e preparar uma proposta para a reestruturação do Celam.

Durante dois anos, houve muitas consultas e trabalho intenso de assessorias para elaborar a proposta de um novo Celam, a ser submetida à assembleia, que está em andamento nesta semana. A proposta prevê um organismo menos executivo e menos promotor de iniciativas pastorais, cuja competência é mais propriamente das conferências episcopais e das dioceses, para se tornar um organismo de supervisão, reflexão, articulação e promotor da comunhão sinodal e missionária entre as Igrejas do Continente. Prevê-se um Celam mais atento aos processos em curso no meio dos povos e na Igreja dos diversos países do Continente, para promover o discernimento e a proposta de ações para acompanhar esses processos e a ação evangelizadora da Igreja no Continente. O novo Celam terá quatro “centros de gestão”, com atribuições próprias e com comissões episcopais para acompanhá-los: gestão do conhecimento, de comunicação, de formação e de programas e redes de ação pastoral.

Na proposta de reestruturação, as quatro regiões subcontinentais (América Central e México; Países do Caribe; Países Bolivarianos; Cone Sul) serão acrescidas de mais uma: a Região Pan-Amazônica, cujas características especiais foram bem evidenciadas no Sínodo para a Amazônia. Em cada uma dessas regiões, há características que aproximam cultural e historicamente os países que delas tomam parte. E também há maior proximidade entre as Igrejas dessas respectivas regiões. O Celam, com suas novas características, procurará seguir com atenção e discernimento as realidades desses grupos de países, em vista do estímulo à realização eficaz da missão da Igreja.

A Assembleia Geral Ordinária está sendo acompanhada atentamente pelo Papa Francisco, por meio da Congregação para os Bispos. A Igreja na América Latina tem oferecido impulsos interessantes para a renovação da Igreja inteira. Espera-se que isso seja possibilitado ainda melhor com a renovação e reestruturação do Celam.

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