Depois de um longo trabalho de preparação, que contou com a participação de muitas pessoas, foi publicado o Diretório Arquidiocesano da Catequese. É mais um fruto do 1º sínodo arquidiocesano de São Paulo (2017-2023) e expressão do propósito sinodal de “comunhão, conversão e renovação missionária” da Igreja em São Paulo.
A pesquisa sobre a situação religiosa e pastoral da Arquidiocese (2018) revelou a urgente necessidade de uma atenção especial à catequese. Assim, uma das diretrizes finais do sínodo foi a recomendação de priorizar a catequese e a formação cristã em todas as paróquias e demais expressões da vida comunitária: “A catequese é essencial no processo de evangelização, na transmissão da fé cristã e na gradual iniciação e inserção na prática da fé e na vida eclesial. Sem uma boa catequese, o futuro da transmissão da fé e da vida eclesial fica seriamente comprometido” (Carta Pastoral Comunhão, Conversão e Renovação Missionária [2023], nº 8).
A Arquidiocese assumiu o propósito sinodal de reorganizar a catequese com a ajuda da coordenação arquidiocesana e regional da catequese, elaborando diretrizes arquidiocesanas para a catequese, levando em conta as propostas e indicações elaboradas pela assembleia sinodal (cf. Carta Pastoral, págs. 32-33). Após a conclusão do sínodo, uma Comissão foi encarregada de preparar uma proposta de texto para o Diretório; sua elaboração, feita com muita dedicação e competência, passou por diversas fases e o texto final contou também com a análise atenta do Conselho dos Bispos Auxiliares da Arquidiocese.
O Diretório servirá para nortear a ação catequética em toda a arquidiocese de São Paulo. Ele leva em conta os documentos essenciais do Magistério da Igreja sobre a catequese, destacando a natureza e a finalidade da catequese e sua metodologia catecumenal, visando à inserção gradual dos catequizandos na prática da vida cristã e na participação da comunidade eclesial. O Diretório trata das idades e etapas da catequese, dos itinerários básicos a serem observados, dos materiais de apoio a serem adotados, sem esquecer o uso da internet no processo catequético. Como não podia deixar de ser, uma atenção especial é dedicada aos catequistas e sua formação, à responsabilidade dos pais (família), dos párocos e do bispo. Também se trata da organização da catequese e das responsabilidades pela coordenação da pastoral catequética nos diversos níveis da organização pastoral na Arquidiocese.
A catequese é uma ação eclesial e não deveria ser vista como iniciativa meramente privada. Por isso, faz sentido que as dioceses tenham seus Diretórios catequéticos, que podem conter orientações diferenciadas, de acordo com as suas realidades e situações particulares. A principal finalidade do Diretório Arquidiocesano da Catequese é a promoção da boa catequese, na comunhão eclesial, buscando a conversão e a renovação missionária das pessoas e nas comunidades. O Diretório servirá, em primeiro lugar, aos párocos e demais sacerdotes que atuam na vida pastoral da Arquidiocese e que são os primeiros responsáveis pela promoção da boa catequese em suas paróquias. Servirá muito também para os catequistas e para quem organiza e coordena a catequese. Todos terão nele o quadro de referências para a sua missão e atuação.
Resta agora o estudo do Diretório, sobretudo pelos responsáveis pela promoção da catequese em todos os âmbitos da Arquidiocese. Se essas diretrizes forem bem acolhidas e postas em prática, os frutos certamente serão muitos e os principais beneficiários serão os catequizandos e as comunidades, que experimentarão, em breve, o surgimento de um novo dinamismo de vida eclesial. Está em nossa responsabilidade cumprir o mandato recebido de Jesus Cristo, de anunciar o Evangelho a toda criatura, ensinar a observar o que Ele ensinou e testemunhar a Boa-Nova do Reino de Deus a todos e em toda parte.
O Diretório foi aprovado e promulgado para toda a arquidiocese de São Paulo no dia 25 de março passado, solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor. E entrou em vigor no Domingo da Páscoa da Ressurreição, dia 5 de abril. A escolha dessas datas não foi aleatória, mas tem um significado especial. Pelo mistério da encarnação, o Verbo-Palavra eterna de Deus se fez carne para comunicar-se ao mundo mediante a palavra salvadora de Jesus Cristo. E o Domingo da Páscoa nos lembra de que Jesus ressuscitado constituiu os apóstolos como testemunhas de sua Ressurreição e de toda obra salvadora. Assim, todos os grupos catequéticos sejam também parte viva da Igreja que anuncia e testemunha que “Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, e para que, crendo, tenham todos a vida em seu nome” (cf. Jo 20,21).





